Prévia do PIB interrompe série de quedas e sobe 0,4% em agosto, diz BC

No entanto, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, veio abaixo do esperado em agosto

atualizado

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Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil, em Brasília Metrópoles
1 de 1 Fachada do edifício sede do Banco Central do Brasil, em Brasília Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do país, registrou alta de 0,4% em agosto deste ano, na comparação com o mês anterior.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (16/10) pelo BC.

O resultado positivo interrompe uma sequência de três recuos mensais consecutivos do indicador, que havia cedido 0,5% em julho.


Saiba mais

  • O resultado de agosto veio abaixo do esperado pelos analistas, que projetavam uma alta de 0,6% no período, de acordo com o consenso Refinitiv, que reúne as principais projeções do mercado.
  • Na comparação com agosto do ano passado, de acordo com o BC, o IBC-Br teve alta de 0,1%.
  • Já no acumulado dos oito primeiros meses de 2025, o índice avançou 2,6%. Em 12 meses até agosto, a alta foi de 3,2%.

Índice de Atividade Econômica

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) é um indicador que serve como parâmetro e tenta “antecipar” o resultado do PIB do país. O cálculo do IBC-Br também auxilia a autoridade monetária a definir a meta da taxa básica de juros da economia, a Selic.

Esse indicador econômico incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços, acrescidas dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção e importações).

Antes divulgado segmentado por estados e por regiões, o IBC-Br é, atualmente, calculado nacionalmente.

PIB

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Todos os países calculam o seu PIB nas suas respectivas moedas.

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Assim, levam em consideração também os impostos sobre os produtos comercializados.

Segundo a mais recente edição do Relatório Focus, do BC, divulgada na última segunda-feira (13/10), o PIB do Brasil para 2025 deve ter crescimento de 2,16%, mesma estimativa da semana anterior.

Para 2026, a previsão de crescimento da economia se manteve em 1,8%.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado do IBC-Br de agosto “reafirma a tendência de acomodação no crescimento da economia observada nas últimas leituras”.

“A economia dá sinais de que a política monetária bastante restritiva e o baixo nível de confiança dos empresários têm surtido efeito sobre o desempenho econômico, mesmo com a política fiscal ainda oferecendo algum suporte, como o pagamento de precatórios no fim de julho”, afirma.

“Com o encerramento do período de safra do agronegócio, o setor não deverá contribuir para o crescimento, como ocorreu no primeiro trimestre, e já apresenta queda pelo quinto mês consecutivo no IBC-Br”, projeta Valério.

Segundo o economista, para os próximos meses é esperada a continuidade dessa tendência. “Nossa estimativa é que o PIB contraia 0,2% no terceiro trimestre e cresça 2% em 2025, com a dinâmica de acomodação persistindo em 2026, quando projetamos avanço de 1,8%. Mesmo com o eventual início da flexibilização da política monetária, os juros devem permanecer em patamar restritivo ao longo de todo o próximo ano”, completa.

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, por sua vez, avalia que o IBC-Br “sinaliza uma reaceleração na margem após a fraqueza de julho”. “O movimento sugere normalização após a correção no início do terceiro trimestre, com retorno a um ritmo de expansão moderado”, afirma.

“O dado de agosto reforça a leitura de que a economia brasileira não corre o risco de uma desaceleração mais acentuada, mas atravessa um período de crescimento mais contido”, explica Ariane.

“A trajetória do segundo semestre seguirá condicionada à política monetária, à confiança dos agentes e ao comportamento do mercado de trabalho, em um ambiente fiscal e externo desafiador. Permanecemos com a projeção final para o PIB brasileiro em 2,2%”, conclui.

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