Petróleo volta a bater US$ 100 com fracasso em negociação de EUA e Irã

Teerã confirmou ter recebido proposta de acordo dos EUA, mas recusou termos apresentados pela Casa Branca. Preços do petróleo voltam a subir

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Presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante um evento de anúncio comercial "Make America Wealthy Again" no Rose Garden na The White House Metrópoles 1
1 de 1 Presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante um evento de anúncio comercial "Make America Wealthy Again" no Rose Garden na The White House Metrópoles 1 - Foto: Andrew Harnik/Getty Images

Depois de terem fechado em queda na véspera, os preços internacionais do petróleo voltaram a operar em forte alta, na manhã desta quinta-feira (26/3), com o fracasso da nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um possível cessar-fogo no conflito do Oriente Médio.


O que aconteceu

  • Por volta das 8h30 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 3,76% e era negociado a US$ 93,72.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 3,77%, superando a marca dos US$ 100 (US$ 101,03).
  • Na véspera, em meio a um maior otimismo em relação às conversas entre norte-americanos e iranianos, o petróleo do tipo WTI fechou em queda de 2,19%, a US$ 90,32 o barril, enquanto o Brent recuou 2,96%, a US$ 97,26.

Negociações sobre fim da guerra fracassam

De acordo com informações do jornal The New York Times, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que cerca de 2 mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército fossem deslocados para o Oriente Médio. A movimentação dos militares, especialistas em operações de infiltração, aumentaram as chances de uma possível invasão do Irã por terra.

Mediada pelo Paquistão, a primeira tentativa de diálogo sobre um fim pacífico para a guerra começou nessa quarta-feira (24/3). Para chegar ao fim da guerra, o governo dos EUA enviou uma proposta ao Irã com 15 pontos. Entre eles, o desmantelamento de capacidades nucleares iranianas, o fim do enriquecimento de urânio, e a retirada de sanções norte-americanas contra o país persa.

Teerã confirmou ter recebido a proposta, cujos termos são semelhantes ao que já vinha sendo negociado com Washington antes dos ataques contra o território iraniano, mas rejeitou o acordo.

Os termos foram vistos como “inconsistentes com a realidade”. Por isso, o governo do Irã afirmou que “não permitirá que Trump determine o fim da guerra”. Ao negar a proposta, o governo iraniano apresentou os próprios pontos para iniciar as negociações.

“O Irã informou a todos os mediadores que participaram de boa-fé que o cessar-fogo ocorrerá somente quando as condições do Irã forem aceitas e que nenhuma negociação será realizada antes disso”, diz um comunicado do governo iraniano divulgado pela mídia estatal do país.

Nesta quinta-feira, o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, Alireza Tangsiri, foi morto em um ataque na cidade iraniana de Bandar Abbas. A informação foi divulgada por um oficial israelense ao jornal Times of Israel. Tangsiri era responsável pelo fechamento do Estreito de Ormuz, segundo o oficial.

O Estreito de Ormuz tem apenas 50 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e é controlado pelo Irã. O local funciona como um atalho entre a Ásia e Europa para o transporte de cargas estratégicas, como petróleo, gás, alimentos, eletrônicos e insumos industriais. Por lá, passam 20% da produção mundial de petróleo.

Desde o início da guerra, o Irã tem controlado quem pode passar pelo local e atacado navios não autorizados.

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