Guerra no Oriente Médio reposiciona Putin e fortalece petróleo russo

Guerra no Oriente Médio eleva preços, reduz pressão sobre Vladimir Putin e devolve protagonismo ao petróleo russo no mercado global

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Em meio a divergências, crises e impactos globais provocados pelo conflito que perdura no Oriente Médio há quase um mês, um líder que parecia isolado passa a colher ganhos estratégicos. No leste europeu, Vladimir Putin experimenta uma inflexão favorável em um cenário que, até pouco tempo, indicava deterioração econômica.

O petróleo, principal ativo da Rússia, era vendido com descontos profundos para manter compradores, chegando a valores muito abaixo do mercado internacional. No entanto, o conflito no Oriente Médio e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — fizeram o mundo voltar a olhar para o recurso russo.

A mudança no ambiente pode ajudar Putin a reverter o quadro econômico do país, que dava sinais claros de desgaste. Sob o peso das sanções impostas após o início da guerra da Ucrânia, as receitas caíam, o crédito se tornou restritivo e os setores produtivos enfrentavam dificuldades.

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Com o bloqueio da passagem, o preço do barril de petróleo passou de US$ 100
Rússia diz estar preparada para fim de acordo nuclear com os EUA
O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo
Vladimir Putin faz visita ao posto de comando da Força Conjunta
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Vladimir Putin faz visita ao posto de comando da Força Conjunta

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Com o bloqueio da passagem, o preço do barril de petróleo passou de US$ 100
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Com o bloqueio da passagem, o preço do barril de petróleo passou de US$ 100

Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
Rússia diz estar preparada para fim de acordo nuclear com os EUA
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Rússia diz estar preparada para fim de acordo nuclear com os EUA

Contributor/Getty Images
O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo
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O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo

Lara Abreu/ Arte Metrópoles

Guerra no Irã muda o tabuleiro

  • A dinâmica mudou de forma abrupta com a escalada militar envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
  • Ataques e retaliações passaram a afetar diretamente o fluxo energético global, especialmente após tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
  • O impacto foi imediato nos preços, e a redução da oferta disponível elevou as cotações internacionais, levando o barril a patamares próximos ou superiores a US$ 100.
  • Nesse novo cenário, o petróleo russo voltou a ganhar competitividade, reduzindo o desconto em relação ao Brent e ampliando presença no mercado.

Economia sob pressão antes da virada

O ambiente econômico nos últimos anos começou a gerar incômodo dentro da própria estrutura de poder russo. Pressões de setores empresariais e sinais de rearranjo político indicavam a possibilidade de ajustes na condução da guerra e até uma reavaliação das negociações.

Havia indícios de que Moscou poderia buscar alternativas para reduzir o custo econômico do conflito.

A deterioração econômica contrastava com a prioridade política de manter a ofensiva militar. Ainda assim, o aumento das dificuldades internas começava a impor limites, abrindo espaço para mudanças que, naquele momento, pareciam plausíveis.

Alívio de sanções e nova demanda

Ao mesmo tempo, medidas adotadas por Donald Trump contribuíram para ampliar esse movimento. A flexibilização temporária de restrições ao petróleo russo já em trânsito abriu espaço para novas vendas sem o mesmo risco de penalizações imediatas.

Na prática, a decisão ajudou a aliviar gargalos de oferta no mercado global, mas também deu fôlego adicional às receitas de Moscou. Apenas nas primeiras semanas de março, a Rússia arrecadou bilhões de dólares com a venda de combustíveis fósseis, impulsionada pela alta dos preços e pela recomposição da demanda.

Além do petróleo, outros setores estratégicos também foram beneficiados. A busca por fertilizantes e insumos energéticos aumentou diante das incertezas no fornecimento global, reforçando o papel russo em cadeias essenciais.

Zelensky acusa apoio russo ao Irã

No meio desse revés, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que Moscou estaria atuando indiretamente no conflito no Oriente Médio. Segundo ele, a Rússia fornece apoio de inteligência ao Irã, o que contribuiria para prolongar a guerra.

De acordo com Zelensky, a inteligência militar ucraniana identificou evidências de cooperação entre Moscou e Teerã, incluindo o uso de capacidades de inteligência eletrônica e compartilhamento de dados obtidos por parcerias na região.

“Há evidências crescentes de que os russos continuam a fornecer apoio de inteligência ao regime iraniano. Esta é claramente uma atividade destrutiva e deve ser interrompida, pois só leva a uma maior desestabilização”, afirmou.

Na avaliação do líder ucraniano, esse suporte aumentaria a precisão de ataques iranianos e ajudaria a sustentar o regime, ampliando a duração do conflito. Ele também alertou para impactos econômicos globais, com reflexos já perceptíveis nos mercados de energia.

O Kremlin nega as acusações.

Menos pressão e mais margem de manobra

No plano geopolítico, o conflito no Oriente Médio produziu um efeito indireto relevante. A atenção dos Estados Unidos e de aliados europeus se voltou para a nova frente de crise, reduzindo o foco sobre a guerra na Ucrânia.

Esse deslocamento diminui a pressão imediata sobre Moscou e amplia sua margem de ação. Ao mesmo tempo, o aumento das receitas energéticas fortalece a capacidade russa de sustentar sua estratégia militar.

Para a Europa, o cenário se torna mais desafiador. Dependente de energia importada, o bloco enfrenta custos mais elevados e maior vulnerabilidade a choques externos, enquanto vê a Rússia recuperar espaço no mercado global.

Nesse contexto, Vladimir Putin emerge como um dos principais beneficiários indiretos do conflito.

O resultado é um rearranjo estratégico relevante. A guerra no Oriente Médio, ao desorganizar o mercado de energia, cria condições que favorecem diretamente a Rússia. O petróleo, antes vendido com grandes descontos, volta a ocupar posição central nas negociações globais.

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