Rússia alerta que guerra no Oriente Médio terá consequências terríveis
Chanceler russo, Sergey Lavrov, diz que ofensiva de EUA e Israel contra o Irã terá impacto duradouro e “terrível”
atualizado
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, alertou neste sábado (21/3) que a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã terá consequências “terríveis” e de longo prazo para a estabilidade global.
Em entrevista à emissora estatal russa OTR, Lavrov rejeitou comparações com conflitos anteriores e afirmou que a atual escalada está longe de ser simbólica.
“Alguns dizem que a história se repete como farsa, mas está longe de ser uma farsa. O que nossos colegas americanos estão fazendo junto com os israelenses terá consequências terríveis, e seu impacto durará muito tempo”, declarou.
A fala ocorre em meio à intensificação dos ataques no Oriente Médio, que já elevam tensões internacionais e pressionam mercados globais, especialmente no setor de energia — respingando, inclusive, no Brasil.
O chanceler também criticou a condução diplomática dos Estados Unidos, ao comparar os métodos de negociação adotados por Washington com a tradição russa. Segundo ele, a diplomacia da Rússia se baseia em profundo conhecimento histórico, cultural e regional, fatores que considera essenciais para lidar com conflitos complexos como o do Oriente Médio.
Escalada no conflito
- Ainda neste sábado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que os ataques contra o Irã serão “intensificados significativamente” nos próximos dias.
- Segundo Katz, o objetivo é eliminar lideranças iranianas e enfraquecer capacidades estratégicas, com apoio dos Estados Unidos.
- Apesar do discurso duro, Trump indicou que pode reduzir as ofensivas, afirmando que os EUA estão “perto de atingir seus objetivos”.
- O conflito já dura cerca de três semanas e deixou mais de 2 mil mortos desde o início dos ataques, em 28 de fevereiro.
- A guerra pressiona os mercados globais, com alta nos preços de energia devido às tensões no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial.
De acordo com o chanceler, a rotatividade frequente de diplomatas norte-americanos e a menor imersão nos contextos locais dificultariam negociações mais eficazes. Ainda assim, ele afirmou que Moscou respeita o modelo adotado pelos EUA, embora veja limitações em sua aplicação prática.
Ao comentar o cenário regional, Lavrov destacou que soluções rápidas ou ações unilaterais não costumam funcionar no Oriente Médio, uma região marcada por conflitos históricos e disputas geopolíticas de longa duração. “Vejamos, por exemplo, a história do Oriente Médio. No Oriente Médio, simplesmente tomar medidas drásticas nunca funcionará”, declarou.






