Saldo negativo geral da guerra no Oriente Médio preocupa Donald Trump

Guerra no Oriente Médio pressiona popularidade, eleva preço do petróleo e amplia custos militares e políticos para Donald Trump

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1 de 1 eua-ira-trump-guerra-oriente-medio—arte-metropoles-2 - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

A escalada da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel não caminha para um cenário favorável ao presidente Donald Trump, que enfrenta um saldo cada vez mais negativo associado ao conflito.

Com a aprovação em queda, o republicano lida com uma combinação de crise energética, perdas militares e desgaste político que ameaça influenciar as eleições de meio de mandato, previstas para novembro.

Ainda que mantenha um discurso por vezes contraditório, Trump tem sinalizado uma inflexão estratégica ao apostar em uma via mais diplomática com o Irã. O movimento sugere que a Casa Branca passou a reconhecer os custos crescentes de uma escalada militar prolongada, tanto no campo de batalha quanto fora.

Nessa terça-feira (24/3), o presidente afirmou que o Irã teria feito um “gesto de boa vontade” nas negociações, descrito por ele como um “presente” de grande valor ligado ao setor de petróleo e gás.

“Eles nos deram um presente, e o presente chegou hoje. Foi um prêmio muito significativo”, disse Trump a repórteres no Salão Oval.

Sem detalhar o conteúdo, Trump associou a iniciativa ao fluxo energético global e ao controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Segundo ele, o gesto indicaria disposição de interlocutores iranianos para avançar no compromisso. A avaliação contrasta com a negativa de Teerã sobre a existência de negociações.

Na noite de terça-feira, conforme revelou o The New York Times, o governo do republicano enviou ao Irã, com mediação do Paquistão, uma proposta de paz com 15 pontos.

O plano prevê medidas como a adoção de um cessar-fogo de 30 dias para viabilizar negociações, o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares, a limitação do alcance e da quantidade de mísseis balísticos, a desativação de instalações nucleares estratégicas, o fim do apoio a grupos aliados na região e a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.

 

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Donald Trump, presidente dos EUA, processa Moraes por censirar blquear perfis de usuários de redes sociais
 O conflito no Oriente Médio está no 19°  dia
Donald Trump e a guerra no Irã
O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo
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Donald Trump e a guerra no Irã
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Recuos e contradições


Custos militares e desgaste interno

Além dos impactos econômicos, os prejuízos militares já são expressivos. Estimativas indicam cerca de US$ 800 milhões em danos a bases e equipamentos dos EUA nas primeiras semanas de conflito, incluindo sistemas estratégicos de defesa.

Ao menos 13 militares norte-americanos morreram, enquanto mais de 290 ficaram feridos.

No plano político, os reflexos também são evidentes. Pesquisa recente aponta queda na aprovação de Trump, que passou de 40% para 36% em uma semana: o pior índice de seu segundo mandato.

O aumento do custo de vida, impulsionado pela alta dos combustíveis, aparece como um dos principais fatores de insatisfação.

Apesar da queda na popularidade de Donald Trump, impulsionada por uma política externa marcada por intervenções militares e tensões internacionais, há poucos sinais de desgaste entre aliados republicanos, que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato.

O cenário sugere que, embora suas ações no exterior pressionem o ambiente interno, Trump ainda preserva respaldo dentro de sua base: segundo o levantamento, 38% dos eleitores consideram os republicanos mais preparados para gerir a economia norte-americana, ante 34% que apontam os democratas.

Petróleo e pressão global

No centro da crise, o Estreito de Ormuz se tornou peça-chave no tabuleiro geopolítica. A possibilidade de bloqueio da rota por completo elevou a volatilidade nos mercados internacionais, com o barril de petróleo voltando a superar os US$ 100.

A instabilidade impacta diretamente o custo de combustíveis e amplia os efeitos econômicos globais, pressionando governos e consumidores.

O próprio Trump reconheceu que, em caso de acordo, a passagem poderia ser reaberta “imediatamente”. O Irã, por sua vez, condiciona qualquer flexibilização à reconstrução de infraestruturas atingidas e ameaça fechar completamente o estreito diante de novos ataques.

Para conter a alta dos preços globais do petróleo, o governo de Donald Trump passou a apostar na flexibilização das sanções ao petróleo iraniano.

Na última semana, os Estados Unidos autorizaram a suspensão temporária de restrições sobre cerca de 140 milhões de barris do Irã, permitindo a venda do petróleo bruto já armazenado em navios-tanque até 19 de abril.

Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, o volume liberado seria suficiente para abastecer a demanda mundial por cerca de um dia e meio.

Guerra mais cara que o esperado

Nos bastidores, segundo a imprensa internacional, aliados avaliam que Trump pode ter subestimado a capacidade de resposta do Irã e os efeitos regionais do conflito. Países do Golfo, inclusive, alertaram Washington sobre os riscos de uma escalada atingir infraestruturas energéticas críticas, ampliando ainda mais a crise.

Diante desse cenário, a pausa nas ofensivas é vista como um reconhecimento de que os custos da guerra passaram a superar seus possíveis ganhos políticos. Entretanto, o estadunidense mantém o discurso de que os EUA estão próximos de atingir seus objetivos ao mesmo tempo, em que busca apoio para ampliar o financiamento militar.

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