Guerra no Oriente Médio afeta paz na Ucrânia e preocupa Zelensky

Conflito no Oriente Médio se torna “pedra no sapato” de Volodymyr Zelensky, trava negociações e pode reduzir apoio militar à Ucrânia

atualizado

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Putin e Zelensky
1 de 1 Putin e Zelensky - Foto: Arte/Metrópoles

O “sentimento ruim” de Volodymyr Zelensky começa a se desenhar com mais clareza à medida que o avanço da guerra no Oriente Médio redesenha prioridades diplomáticas e reposiciona o foco das potências ocidentais.

Em meio à escalada envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, a Ucrânia passa a enfrentar não apenas os impactos diretos do conflito com a Rússia, mas também os efeitos de um cenário fragmentado.

A principal preocupação expressa por Zelensky é que a guerra na Ucrânia perca centralidade na agenda internacional, tornando-se uma espécie de “guerra esquecida”.

“Para Putin, uma longa guerra no Irã é uma vantagem”, declarou o mandatário. “Além dos preços da energia, significa o esgotamento das reservas dos EUA e o esgotamento dos fabricantes de defesa aérea. Portanto, nós [Ucrânia] temos um esgotamento de recursos.”

Negociações travadas

Um dos principais efeitos apontados pelo governo ucraniano é o atraso nas negociações de paz com a Rússia. Reuniões diplomáticas e encontros trilaterais vêm sendo adiados em razão da necessidade de concentração das autoridades americanas na crise do Oriente Médio.

Com isso, o processo de negociação sofre interrupções recorrentes, dificultando avanços concretos em direção a um possível cessar-fogo. A Ucrânia afirma que mantém diálogo constante com parceiros internacionais, mas reconhece que o ritmo das tratativas foi prejudicado.

Zelensky defendeu nessa quinta-feira (19/3), a retomada das negociações para encerrar o conflito que já perdura no leste europeu há mais de cinco anos. O ucraniano afirmou ainda que sua equipe já está a caminho dos Estados Unidos para uma reunião prevista para sábado (21/3).

Já o lado russo adota outra interpretação, classificando o momento como uma “pausa situacional”. O apelo do presidente ucraniano ocorre após o Kremlin reconhecer que as tratativas estão temporariamente interrompidas.

“Assim que houver possibilidade e as agendas das três partes forem acordadas, esperamos retomar outra rodada de negociações”, disse Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo.

Apesar da pausa, autoridades russas indicaram que conversas paralelas com os EUA sobre cooperação econômica continuam, com o enviado especial de Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, à frente das tratativas.

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Atenção global deslocada

  • A intensificação do conflito no Oriente Médio tem provocado uma reorganização das prioridades internacionais.
  • Com o aumento das tensões na região, governos e instituições multilaterais passam a concentrar esforços na crise envolvendo Irã e Israel, o que, segundo Kiev, reduz o espaço dedicado à guerra na Ucrânia.
  • Para Zelensky, esse deslocamento de foco não é apenas simbólico: ele impacta diretamente a capacidade de articulação política da Ucrânia junto a seus principais aliados, especialmente os Estados Unidos e países europeus.

Pressão sobre o apoio militar

Outro ponto de preocupação envolve o fornecimento de armamentos, especialmente sistemas de defesa aérea. A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou a demanda por mísseis interceptores, o que pode impactar os estoques disponíveis para envio à Ucrânia.

O ucraniano detalhou que os Estados Unidos produzem de 60 a 65 mísseis por mês e que, no primeiro dia da guerra no Oriente Médio, foram utilizados 803 mísseis.

Com isso, Zelensky alerta que a redistribuição de recursos militares entre diferentes regiões pode gerar um déficit estratégico, deixando Kiev ainda mais vulnerável a ataques russos, sobretudo em um momento em que os bombardeios continuam intensos em diversas regiões do território ucraniano.

Vantagens estratégicas para Moscou

No cenário atual, a Rússia tende a se beneficiar indiretamente da mudança de foco no tabuleiro geopolítico. Com maior atenção voltada ao Oriente Médio, há uma percepção em Kiev de que a pressão diplomática sobre Moscou diminui.

Além disso, o aumento dos preços globais de energia, influenciado pela instabilidade no Oriente Médio, fortalece a economia russa, que depende fortemente das exportações de petróleo e gás.

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