Negociações fracassam e guerra entre EUA e Irã escala no Oriente Médio

Irã rejeitou acordo de 15 pontos apresentado pelos EUA, e disse que Trump não vai ditar o fim da guerra no Oriente Médio

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A guerra no Oriente Médio ganhou novos contornos, e parece se distanciar cada vez mais de um fim pacífico, após a tentativa de negociação entre Estados Unidos e Irã fracassar.

Segundo o jornal The New York Times, Donald Trump ordenou que cerca de 2 mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército fossem deslocados para o Oriente Médio. A movimentação dos militares, especialistas em operações de infiltração, aumentaram as chances de uma possível invasão do Irã por terra.

Mediada pelo Paquistão, a primeira tentativa de diálogo sobre um fim pacífico para a guerra começou na quarta-feira (24/3). Para chegar ao fim da guerra, o governo dos EUA enviou uma proposta ao Irã com 15 pontos. Entre eles, o desmantelamento de capacidades nucleares iranianas, o fim do enriquecimento de urânio, e a retirada de sanções norte-americanas contra o país persa.

Teerã confirmou ter recebido a proposta, cujos termos são semelhantes ao que já vinha sendo negociado com Washington antes dos ataques contra o território iraniano, mas rejeitou o acordo.

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Os termos foram vistos como “inconsistentes com a realidade”. Por isso, o governo do Irã afirmou que “não permitirá que Trump determine o fim da guerra”. Ao negar a proposta, o governo iraniano apresentou os próprios pontos para iniciar as negociações.

São eles: o fim dos ataques dos EUA e Israel; condições para que um outro ataque ao território iraniano não aconteça; o pagamento de indenizações por conta da destruição; o fim da guerra em outras frentes de batalha, como no Líbano envolvendo Israel e Hezbollah; e o reconhecimento internacional do controle do Estreito de Ormuz por parte do Irã. 

“O Irã informou a todos os mediadores que participaram de boa fé que o cessar-fogo ocorrerá somente quando as condições do Irã forem aceitas, e que nenhuma negociação será realizada antes disso”, disse um comunicado do governo iraniano divulgado pela mídia estatal do país.

O que está acontecendo?

  • Estados Unidos, Israel e Irã estão em guerra desde o dia 28 de fevereiro. 
  • A principal justificativa para os ataques contra o Irã é a destruição do programa nuclear iraniano, assim como das capacidades militares do país. 
  • A justificativa, porém, contradiz declarações de Donald Trump após a guerra de 12 dias entre Israel e Irã no último ano. Na época, o presidente dos EUA alegou que o programa nuclear do país persa tinha sido completamente destruído. 
  • Os ataques contra o Irã resultaram na morte de importantes lideranças do governo islâmico. Entre eles, o ex-líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. 
  • Como resposta a ofensiva, o Irã iniciou uma série de bombardeios contra posições dos EUA espalhadas pelo Oriente Médio. Os países mais afetados têm sido nações do Golfo Pérsico, cujos territórios abrigam não só representações diplomáticas norte-americanas, mas também bases militares. 
  • Além disso, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz em retaliação aos ataques dos EUA e Israel, e gerou uma crise no petróleo mundial.
  • Mesmo afirmando que os EUA estão vencendo o conflito, a administração Trump começou a falar em negociações.
  • Na segunda-feira (23/3), o presidente dos EUA disse que decidiu adiar, por cinco dias, ataques norte-americanos contra instalações energéticas no Irã. A decisão, informou o republicano, ocorreu após conversas com o lado iraniano.
  • O governo do Irã negou qualquer tipo de negociação, e classificou as falas de Trump como “recuo”. 
  • Um dia depois, Washington enviou um acordo de 15 pontos para o Irã, com o objetivo de encerrar o conflito. 
  • Teerã, contudo, rejeitou o plano apresentado com a mediação do Paquistão.

Ameaça da Casa Branca

Apesar do governo dos EUA não confirmar oficialmente o envio de paraquedistas para o Oriente Médio — que pode sinalizar uma invasão terrestre no Irã — a Casa Branca fez um alerta após o governo iraniano recusar a proposta de Trump. 

Mesmo com a negativa, Washington afirmou que a nova liderança do Irã, sob as mãos do aiatolá Mojtaba Khamenei, tem “mais uma oportunidade” de cooperar com os desejos de Trump.

Caso contrário, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, eles podem ser alvos de ataques dos EUA com “mais força do que jamais foram antes”. 

“Não é necessário haver mais mortes e destruição, mas, se o Irã não aceitar a realidade do momento atual, se eles entendem que têm derrotado os militares e vão continuar, Donald Trump garantirá que eles sejam atingidos com mais força do que jamais foram antes”, declarou Leavitt.

Não ficou claro sobre quais lideranças a porta-voz da Casa Branca se referia. Isso porque, um dia antes, Trump sinalizou que não negociava diretamente com o governo de Mojtaba, mas sim com “pessoas certas” dentro do Irã, dispostas a aceitar um acordo. 

Irã continua ofensiva e mantém bloqueio em Ormuz

Sem uma solução diplomática para a guerra, que entrou no 27ª dia nesta quinta, o Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) continuou realizando ataques países no Golfo Pérsico. As operações, segundo Teerã, visam instalações norte-americanas espalhadas pela região, como centros diplomáticos e bases militares.

As ofensiva fizeram um grupo de seis países do Golfo cobrarem, publicamente, o Iraque. Em uma declaração conjunta, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita e Jordânia pediram que o governo iraquiano atua para interromper ataques de grupos aliados do Irã, que operam a partir do país. 

Sobre a crise no petróleo mundial, provocada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, o governo iraniano manteve a posição que adotou após o início da guerra.

De acordo com o chanceler do país, Abbas Araghchi, o local está fechado apenas para embarcações de países aliados dos Estados Unidos e Israel. Navios de outras nações, contudo, têm sinal verde para navegar no estreito — por onde cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente é transita. 

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