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Negócios

Mudança pode indicar que meta fiscal foi abandonada, diz Campos Neto

Presidente do BC afirmou, em evento em Nova York, que alteração do objetivo de zerar o déficit fiscal em 2024 também geraria muita incerteza

Carlos Rydlewski08/11/2023 17:37
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Vinícius Schmidt/Metrópoles
imagem colorida presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comparece a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado Federal

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (8/11), em evento anual realizado pela gestora americana Valor Capital Group, em Nova York, nos Estados Unidos, que a mudança da meta fiscal vai gerar incerteza e os agentes financeiros podem pensar que o alvo “foi abandonado”. 

“O mercado, em meio à incerteza, tende a aumentar o prêmio de risco”, disse Campos Neto. Ele acrescentou que o custo de uma mudança da meta atenuaria eventuais benefícios da alteração.

O tema ganhou destaque no noticiário nacional depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na segunda-feira (27/11), que “dificilmente” o governo conseguiria cumprir o objetivo de zerar o déficit fiscal em 2024. Lula observou que não deixaria de realizar investimentos que considera prioritários para cumprir a meta.

No evento em Nova York, Campos Neto repetiu que o Brasil passa por uma “desancoragem gêmea” nas expectativas fiscal e de inflação. “Se o mercado não acredita na meta fiscal também não acredita na meta de inflação, esses fatores andam juntos”, afirmou. 

O presidente do BC observou ainda que os países emergentes precisam fazer “melhor o dever de casa” em função do aperto de liquidez global com taxas de juros mais elevadas. Campos Neto acrescentou que o Brasil teve surpresas positivas em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a agricultura desempenhou um papel importante nesse avanço. “Mas para o próximo ano muita gente espera um crescimento menor”, disse. 

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