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“Falhamos em buscar acordo”, diz Campos Neto sobre rotativo do cartão

“Temos de tentar encontrar uma solução intermediária”, diz Roberto Campos Neto, presidente do BC, sobre debate acerca do rotativo do cartão

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de Roberto Campos Neto - Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, admitiu nesta sexta-feira (17/11) que fracassou ao tentar buscar um entendimento entre os diversos setores da economia envolvidos nas discussões sobre o rotativo do cartão de crédito.

Em outubro, o BC sugeriu que o parcelado sem juros no cartão fosse limitado a 12 prestações. A ideia foi debatida durante uma reunião entre Campos Neto e executivos, na qual o tema foi um novo modelo para o rotativo do cartão de crédito. O limite ao parcelamento sem juros no cartão teria impacto sobre essa modalidade.

“Nossa preocupação é vir uma sugestão. Porque, como falhamos em buscar um acordo, isso pode acabar gerando uma ruptura no mercado de cartões. Aí seria ruim para todo mundo”, disse Campos Neto, que participou de um seminário promovido pelos jornais Valor Econômico e O Globo, em São Paulo.

O rotativo do cartão de crédito é uma linha de crédito pré-aprovada no cartão. Ela é acionada por quem não pode pagar o valor total da fatura na data de vencimento. Em caso de inadimplência do cliente, o banco deve parcelar o saldo devedor ou oferecer outra forma de quitação da dívida, em condições mais vantajosas, em um prazo de 30 dias.

A taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo ficou em 441,1% ao ano em setembro, de acordo com dados do BC.

Questionado se estava pessimista em relação ao desfecho das negociações, Campos Neto procurou demonstrar esperança de que ainda se pode chegar a um bom termo nesse debate.

“Não posso dizer que estou pessimista porque ainda estou trabalhando. Mas nós temos dois grupos: um não quer negociar se não tiver uma mudança no número de parcelas e outro acha que isso não é viável”, afirmou.

“Temos que tentar encontrar uma solução intermediária, mas não vou dizer se estou pessimista ou não porque ainda estamos trabalhando nisso.”

Guerra entre bancos e varejo

Reportagem publicada em setembro pelo Metrópoles mostrou a queda de braço entre bancos e setores do comércio em torno do rotativo do cartão.

Enquanto os bancos condicionam alterações no rotativo a uma reformulação no modelo de parcelas oferecidas pelo varejo, empresas de maquininhas de cartão e setores do comércio alegam que limites ao parcelado derrubariam as vendas, o que afetaria, principalmente, pequenos e médios comerciantes.

Segundo os bancos, o uso do parcelado é incentivado pelas empresas de maquininhas, que oferecem pagamento antecipado aos varejistas em troca de taxas de desconto. Assim, as instituições financeiras têm de subir os juros no rotativo para compensar a falta de cobrança de taxa em longos parcelamentos. De acordo com o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), oito de cada 10 compras parceladas sem juros no Brasil são feitas em até seis vezes.

Um levantamento realizado pelo Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (FGVcemif) dá a dimensão da importância do cartão de crédito para a economia do país. O volume de transações com cartão no Brasil, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), saltou de 2,6%, em 2012, para 5%, em 2022, índice superior ao registrado nos Estados Unidos (2,7%). Seis de cada 10 brasileiros utilizam cartão de crédito, acima da média de países ricos (51%).

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