Dólar dispara com dúvidas sobre cessar-fogo no Irã e emprego nos EUA
Moeda americana oscila forte na manhã desta sexta-feira (5/6). Às 11h25, registrava alta de 1,20%, cotada a R$ 5,12. Bolsa cai
atualizado
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O dólar opera em alta de 1,20% frente ao real na manhã desta sexta-feira (5/6), cotado a R$ 5,12. Esse é o resultado das 11h25. Pouco antes, às 10h10, a elevação era de 0,73%. Mantido ao longo do pregão, tal movimento reforça a tendência de desempenho do câmbio observada na quarta-feira (3/6), antes do feriado de Corpus Christi, quando a moeda americana avançou 1,15%.
O mercado reage nesta manhã, principalmente, a dois fatores. São eles os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e os novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, relativos ao mês de maio.
No primeiro caso, o do conflito, há uma menor percepção de risco. Tal alívio da tensão global está associado a recentes afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano tem insistido na existência de avanços nas negociações de cessar-fogo com o Irã, embora focos de desentendimento e conflitos continuem, notadamente no Líbano.
Apesar das dúvidas que cercam a conclusão de um eventual acordo entre Washington e Teerã, o fato é que o preço do petróleo cedeu. Na manhã desta sexta, o barril do tipo Brent, a referência internacional, recuava 0,09%, a US$ 94,94. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, caía 0,34%, a US$ 92,72 por barril.
Emprego nos EUA
Além da guerra no Oriente Médio, os investidores acompanharam a divulgação dos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. O relatório de empregos (o “payroll”) de maio mostrou que a economia americana abriu 172 mil postos de trabalho no mês passado.
O resultado veio bem acima das expectativas dos agentes econômicos. Economistas consultados pela Reuters esperavam a criação de 85 mil vagas no mês.
Impacto nos juros
Além disso, as informações sobre março e abril foram revisadas para cima. Os números de março subiram de 185 mil para 214 mil empregos, enquanto os de abril passaram de 115 mil para 179 mil. A taxa de desemprego manteve-se em 4,3% em maio, na comparação com o mês anterior.
Os dados do “payroll” reforçam a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manterá a política monetária apertada. Ou seja, os juros devem permanecer no atual patamar — no intervalo entre 3,50% e 3,75% —, ou mesmo, subir.
Chances de alta da taxa
Estão programadas para este ano mais cinco reuniões (em junho, julho, setembro, outubro e dezembro) do Fed para a definição dos juros nos EUA. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a taxa deve permanecer no atual nível nos próximos quatro encontros.
Em dezembro, porém, a perspectiva é de elevação em 0,25 ponto percentual. Com isso, os juros passariam para a faixa de 3,75% e 4,00% ao ano. Tal expectativa representa uma forte reviravolta nas previsões anteriores. No início deste ano, a projeção era de que o Fed realizasse dois cortes das taxas em 2025.
Ibovespa
Também afetado pelos mesmos fatores (guerra e mercado de trabalho dos EUA), o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), opera em queda na manhã desta sexta-feira.
Às 10h32, o recuo era de 0,33%, aos 169,7 mil pontos. Na quarta-feira, antes do feriado, o indicador caiu 2,22%, aos 170,3 mil pontos.
Em Nova York, os principais índices também estão em queda. Às 11h20, as baixas eram de 0,83%, no S&P 500; de 0,15%, no Dow Jones; e de 1,49%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.