Dólar dispara e Bolsa afunda com “duplo tarifaço” e conflitos no Irã
Moeda americana registrou alta de 1,16% frente ao real, a R$ 5,06. O Ibovespa, o principal índice da B3, caiu 2,21%, aos 170,2 mil pontos
atualizado
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O dólar registrou forte alta de 1,15% frente ao real, cotado a R$ 5,06, nesta quarta-feira (3/6). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 2,26%, aos 170,2 mil pontos.
Os mercados globais reagiram — negativamente, mais uma vez — às notícias sobre o conflito entre os Estados Unidos e o Irã. A percepção de risco aumentou à medida que foi divulgada a ocorrência de novos confrontos entre os dois países no Oriente Médio.
Diante dessas informações, o petróleo manteve-se em alta, embora ainda não tenha voltado ao patamar de US$ 100. O barril do tipo Brent, a referência internacional, por exemplo, fechou em elevação de 1,89%, a US$ 97,81. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, subiu 2,42%, a US$ 96,02 por barril.
O dólar também se valorizou no mercado global. Às 16h55, o índice DXY, que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), subia 0,32%, aos 99,53 pontos.
Inflação e juros
Ainda no cenário internacional, foram veiculados novos dados sobre a inflação nos Estados Unidos, reportados no Livro Bege, o relatório econômico que analisa os 12 distritos do Federal Reserve (Fed, banco central americano). As informações reduzem ainda mais as chances — que já eram minúsculas — de corte da taxa de juros no país.
O documento mostrou que, em maio, os preços aumentaram na maior parte dessas áreas. Os custos com energia foram o principal fator da alta, como resultado da guerra no Oriente Médio. O conflito também provocou efeitos inflacionários secundários em setores como o transporte marítimo, embalagens, alimentos e fertilizantes.
Bolsas globais
Na Europa, sob o impacto da guerra, as bolsas recuaram. O Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, caiu 0,54% e o FTSE 100, de Londres, baixou 0,40%. O DAX, de Frankfurt, afundou 1,31% e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,71%.
Em Nova York, os principais índices também perderam. As quedas foram de 0,73%, no S&P 500; de 1,21%, no Dow Jones; e de 0,89%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Tarifaço em dobro
No cenário nacional, os investidores acompanharam o anúncio da incidência de um novo tarifaço aplicado pelos Estados Unidos. Desta vez, a sobretaxa proposta é de 12,5% sobre produtos brasileiros supostamente fabricados com trabalho forçado. Uma decisão final sobre a medida, no entanto, será tomada em audiência marcada para 7 de julho.
A hipótese da cobrança adicional de 12,5% foi lançada um dia depois da recomendação de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. O fato, apesar de não ter afetado os mercados nacionais de câmbio e ações, provocou intensa repercussão política.
Produção industrial
Além disso, números divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a produção industrial brasileira avançou 0,7% em abril, na comparação com março. Essa foi a maior alta para o mês desde abril de 2013 — há 13 anos, portanto — quando o indicador subiu 1,7%. A elevação ficou acima da expectativa do mercado, que previa 0,4%.
Análises
Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, observa que o dólar operou em alta nesta quarta-feira, impulsionado por um movimento global de aversão ao risco em meio ao agravamento das tensões militares entre EUA e Irã.
“O cenário provocou alta do petróleo, o que reacendeu temores inflacionários e, em conjunto com dados resilientes de emprego, impulsionou os rendimentos dos Treasuries”, diz. “Esse quadro fortaleceu a moeda americana frente a seus pares, refletido na alta do índice DXY, e penalizou os principais índices acionários em Nova York.”
Girardi acrescenta que, no cenário doméstico, o clima de cautela foi intensificado pela proposta de uma nova sobretaxa tarifária americana sobre produtos brasileiros. “Ela estimulou a fuga de fluxo estrangeiro e pesou sobre o Ibovespa, que também sofreu com o recuo do minério de ferro”, afirma o analista.
Corte da Selic
Fabio Louzada, da B7 Business School, acrescenta que a crescente avaliação de fim do ciclo de cortes da taxa Selic no Brasil em junho ganhou força depois da divulgação de números da produção industrial acima das expectativas. “A atividade econômica mais resiliente pode dificultar o controle da inflação, aumentando a probabilidade de juros elevados por um período mais longo”, diz. “Com isso, a curva de juros avançou tanto nos vencimentos mais curtos quanto nos mais longos.”