Dólar cai apesar de novo tarifaço de Trump e dúvidas sobre paz no Irã

Moeda americana recuou 0,27% frente ao real, cotada a R$ 5,00. Ibovespa fechou em forte alta de 1,16%, interrompendo série de cinco baixas

atualizado

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O dólar registrou queda de 0,27% frente ao real, cotado a R$ 5,00, nesta terça-feira (2/6). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 1,16%, aos 174,1 mil pontos, interrompendo uma série de cinco recuos seguidos do indicador.

O comportamento do câmbio no Brasil manteve-se alinhado com o movimento global do dólar, que ficou perto da estabilidade. Às 16h37, o índice DXY, que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), subia apenas 0,01%, aos 99,21 pontos.

Os investidores continuaram de olho no vaivém das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Na véspera, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou que Teerã havia suspendido as conversas com Washington. A medida seria um protesto contra as ações armadas de Israel no Líbano.

Nesta terça-feira, porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou a reviravolta na busca por um acordo entre as partes. O republicano afirmou que as conversas seguem “em ritmo acelerado”.

Petróleo

Ainda assim, o preço do petróleo no mercado mundial voltou a subir. O barril do tipo Brent, a referência internacional, fechou em alta de 1,07%, a US$ 96,00. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 1,74%, a US$ 93,76 por barril.

Bolsas em alta

Apesar das incertezas em relação ao conflito no Oriente Médio, as bolsas globais avançaram. Os principais índices da Europa, por exemplo, subiram. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,48% e o FTSE 100, de Londres, avançou 0,33%. Já o CAC 40, de Paris, registrou alta de 0,77%.

Em Wall Street, a valorização foi geral, embora modesta. Ela atingiu 0,14%, no S&P 500; 0,45%, no Dow Jones; e 0,03%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia.

Tarifaço 2.0

No Brasil, o mercado acompanhou a definição do novo pacote de sobretaxas anunciado pelo governo dos Estados Unidos, o tarifaço 2.0. As medidas, contudo, não foram suficientes para conter o apetite por risco dos investidores, que impulsionou a alta do Ibovespa.

Análise

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou próximo da estabilidade, em uma sessão de consolidação e baixa volatilidade. “Com o DXY e os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida dos EUA) praticamente estáveis, o mercado encontrou poucos catalisadores para movimentos mais amplos”, diz o analista.

Shahini observa que houve um equilíbrio de forças que têm mantido o câmbio em uma faixa estreita: de um lado, o petróleo ainda elevado e o diferencial de juros seguem oferecendo suporte ao real; de outro, as preocupações com o cenário doméstico e a perda de tração do fluxo estrangeiro limitam uma apreciação mais consistente da moeda brasileira.

Ibovespa

Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, a Bolsa teve fôlego para uma recuperação, apesar do susto inicial com o anúncio das novas tarifas de Trump. Perri acredita que o investidor entendeu que as medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos terão um impacto limitado nas empresas brasileiras.

“O principal reflexo no Brasil será via prêmio de risco”, diz Perri. “Mesmo que o efeito comercial direto seja limitado, a medida aumenta a percepção de incerteza sobre Brasil: risco de retaliação, piora diplomática, ruído regulatório e possibilidade de piora na relação com os EUA.”

Ações resistentes

O economista destaca que, entre as altas do pregão do Ibovespa, o destaque fica com a Vale e as siderúrgicas (CSN, Gerdau e Usiminas). As ações dessas companhias subiram uma vez que não foram tarifadas e, como combustível adicional, houve alta nos preços internacionais do minério de ferro.

“Os bancos, por ora, não foram impactados por medidas do governo americano e tiveram uma recuperação, depois de fortes quedas recentes”, afirma Perri. “Já os setores de varejo e de incorporação subiram com o alívio na curva de juros, que devolve prêmios enquanto o mercado aguarda a evolução das negociações entre os EUA e o Irã.”

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