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Negócios

Dólar vai a R$ 5,04 e Bolsa recua com PIB, acordo EUA-Irã e PCC-CV

Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, se descolou do exterior e fechou em queda

Fábio Matos29/05/2026 17:05, atualizado 29/05/2026 19:19
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Olena Malik/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles

O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (29/5), a última do mês de maio, em leve alta de 0,21%, cotado a R$ 5,042, perto da estabilidade.

Na última sessão da semana, o mercado financeiro repercutiu os dados sobre o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre, o possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e a decisão do governo norte-americano de classificar Primeiro Comando da Capital (PCC ) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), se descolou do exterior e fechou o pregão em queda firme.


Dólar

  • A moeda norte-americana terminou o dia em alta de 0,21%, negociada a R$ 5,042, praticamente estável.
  • Na cotação máxima da sessão, o dólar bateu R$ 5,071. A mínima foi de R$ 5,035.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,57%, cotado a R$ 5,031.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,82% em maio e perdas de 8,12% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão em baixa, se descolando dos principais indicadores do exterior.
  • O indicador fechou em queda de 0,73%, aos 173,7 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou o pregão em baixa de 0,39%, aos 175 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula recuo de 7,26% no mês e valorização de 7,93% no ano.

Economia do Brasil avança 1,1% no 1º trimestre

No primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do país cresceu 1,1% frente ao quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. O resultado veio praticamente em linha com a média das estimativas do mercado.

O resultado foi puxado pela agropecuária, que registrou uma expansão de 2% no período. Também houve altas na indústria (1%) e nos serviços (0,5%). Em valores correntes, segundo o IBGE, o PIB somou R$ 3,3 trilhões.

Na comparação com o 1º trimestre de 2025, o PIB do Brasil avançou 1,8%, com crescimento na agropecuária (0,7%), na indústria (1,6%) e nos serviços (2,1%).

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, em um ano. A divulgação é feita trimestralmente pelo IBGE.

A estimativa do Banco Central (BC) para o crescimento da atividade econômica do país neste ano é de 1,6%. Já o Ministério da Fazenda projeta uma expansão mais otimista, de 2,3%. Para o mercado financeiro, o PIB do Brasil avançará 1,89% em 2026.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, ante crescimento de 3,4% em 2024.

Economistas e analistas do mercado financeiro consultados pela reportagem do Metrópoles viram como positivo o resultado do PIB. Segundo esses especialistas, no entanto, o forte desempenho da economia brasileira no início de 2026 deve fazer com que o Banco Central (BC) reforce uma postura de cautela em relação à taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,5% ao ano.

PCC e CV são classificados como grupos terroristas pelos EUA

O Departamento de Estado dos EUA anunciou, nessa quinta-feira (28/5), que classificará as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.

Segundo o Departamento de Estado, as duas facções serão oficialmente incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) no dia 5 de junho.

Em comunicado, o governo Trump afirmou que PCC e CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e acusou os grupos de comandarem ataques contra policiais, servidores públicos e civis.

Segundo o Departamento de Estado, as redes das facções “se estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos.

“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, afirmou a pasta.

Mercado teme impactos no Brasil

Fontes ouvidas na manhã desta sexta-feira pela reportagem do Metrópoles avaliam que a medida não deve afetar tanto, em um primeiro momento, o câmbio e o mercado de ações.

No médio e longo prazo, porém, é possível que o mercado financeiro e a economia brasileira, especialmente alguns setores específicos, comecem a sofrer os impactos da decisão de Trump sobre PCC e CV. Em linhas gerais, há preocupações em relação ao aumento do risco e dos custos para o setor bancário, além de eventuais danos a segmentos como infraestrutura, energia, mineração, logística, agronegócio e à cadeia exportadora do país.

De acordo com especialistas, a decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas pode acabar afastando empresas norte-americanas do Brasil. Essas companhias, em última análise, poderiam temer fazer negócios com determinados segmentos da economia brasileira por preocupação acerca de eventuais ligações, ainda que indiretas, entre esses setores e os grupos criminosos.

Esse temor só aumentou a partir de recentes operações lideradas pela Polícia Federal (PF), pela Receita Federal e pelo Ministério Público, que revelaram conexões entre o PCC e segmentos como os de combustíveis, mercado imobiliário, fintechs e fundos de investimento.

Como qualquer tipo de “apoio material” ou “serviço” poderá ser penalizado criminalmente, há o risco de empresas estrangeiras simplesmente pisarem no freio e decidirem diminuir ou mesmo interromper os investimentos na economia brasileira nos próximos meses e anos. O aumento do risco nas operações financeiras também poderia afetar o câmbio, escalando o valor do dólar frente ao real.

Trump diz que tomará decisão final sobre a guerra

O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou nas redes sociais que irá tomar uma decisão final sobre a guerra no Irã e listou uma série exigências da parte americana.

Trump afirmou mais cedo, às 11h50 (horário de Brasília), que iria se reunir na Sala de Situação, o complexo de segurança e inteligência da Casa Branca.

Autoridades dos EUA e do Irã chegaram a um acordo para estender o cessar-fogo por 60 dias, enquanto as conversas sobre o programa nuclear iraniano são discutidas. Porém, falta para o acordo o aval de Trump. Agências iranianas ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã negaram a informação.

O presidente norte-americano listou na publicação diversas exigências:

  • O Irã “nunca poderá obter uma arma nuclear”.
  • O Estreito de Ormuz deve ser imediatamente aberto, sem pedágio, para tráfego marítimo irrestrito em ambas as direções.
  • As minas subaquáticas devem ser removidas do Estreito de Ormuz.
  • O urânio enriquecido do Irã será retirado do país pelos EUA, em coordenação com o governo iraniano e com a Agência Internacional de Energia Atômica, e será destruído.

O líder norte-americano complementa que “não haverá troca de dinheiro, até segunda ordem” e afirma que “outros pontos de importância muito menor já foram acordados”.

Trump ainda afirmou que a Marinha dos EUA irá liberar os navios ligados a portos iranianos que foram detidos pelo bloqueio naval nas águas do Mar Arábico.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar encerrou a sessão próximo da estabilidade, “em um pregão de baixa amplitude, apesar da agenda carregada de indicadores”.

“O mercado reagiu inicialmente aos desdobramentos das negociações entre EUA e Irã, aos comentários de dirigentes do Fed e aos dados econômicos divulgados ao longo do dia, mas os movimentos não tiveram um direcional claro”, apontou.

“No Brasil, os ativos em geral continuam em movimento de consolidação respondendo de forma mais limitada aos eventos externos. A combinação entre diferencial de juros ainda elevado, fluxo limitado vindo do exterior e ausência de novos catalisadores relevantes têm contribuído para um mercado de câmbio mais lateral, com investidores aguardando sinais mais claros do cenário doméstico”, explicou Shahini.

O analista afirmou ainda que os mercados internacionais, em geral, operaram em tom positivo, “sustentados pela expectativa de um acordo definitivo entre EUA e Irã após notícias de que as negociações estariam praticamente concluídas, reduzindo os prêmios de risco geopolítico acumulados ao longo das últimas semanas”.

“No Brasil, o Ibovespa operou em queda moderada, pressionado principalmente pelo recuo das ações ligadas ao petróleo após a queda superior a 2% do brent, com investidores repercutindo o avanço das negociações no Oriente Médio. O desempenho mais fraco da bolsa doméstica contrastou com o exterior e refletiu também uma postura mais cautelosa dos investidores diante das incertezas locais e da sensibilidade de setores relevantes do índice à queda das commodities”, explica.

“Na agenda econômica, o PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre e 1,8% na comparação anual, em linha com as expectativas. O dado reforça a percepção de uma economia resiliente, sustentando projeções de crescimento próximas de 2% para 2026. Por outro lado, a atividade mais forte reforça o cenário de juros elevados por mais tempo, uma vez que parte desse crescimento continua associada aos estímulos fiscais e parafiscais, reduzindo o espaço para uma flexibilização monetária mais acelerada pelo Banco Central.”

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