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Negócios

Dólar opera em queda e vai a R$ 5,46 no Dia D do tarifaço. Bolsa sobe

No dia anterior, o dólar fechou estável, com leve recuo de 0,01%, cotado a R$ 5,506. Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu 0,14%

06/08/2025 09:17, atualizado 06/08/2025 15:47
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Douglas Sacha/Getty Images
Imagem de notas de dólar - Metrópoles

O dólar operava em queda nesta quarta-feira (6/8), o chamado “dia D” do tarifaço comercial imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre grande parte dos produtos importados do Brasil.

O Brasil é o país mais impactado pela medida, com tarifa de 50% sobre os produtos exportados aos EUA. O tarifaço é considerado pelo governo brasileiro uma ação de caráter político, já que um dos motivos expressos por Trump é uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de participar de uma trama golpista.

Bolsonaro e outros réus enfrentam julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o suposto golpe de Estado.


Dólar

  • Às 15h41, o dólar caía 0,79%, a R$ 5,463.
  • Mais cedo, às 15h02, a moeda norte-americana recuava 0,77% e era negociada a R$ 5,464.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,511. A mínima é de R$ 5,458.
  • No dia anterior, o dólar fechou estável, com leve recuo de 0,01%, cotado a R$ 5,506.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,69% em agosto e ganhos de 10,9% em 2025 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em forte alta no pregão.
  • Às 15h47, o Ibovespa subia 1,23%, aos 134,7 mil pontos.
  • Na véspera, o indicador fechou o pregão em alta de 0,14%, aos 133,1 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula leve alta de 0,06% no mês e ganhos de 10,7% no ano.

Tarifaço entra em vigor

Entraram em vigor nesta quarta-feira as novas tarifas impostas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros. A medida eleva para 50% a alíquota de importação sobre parte das exportações do Brasil. A decisão foi oficializada por meio de uma ordem executiva assinada no dia 30 de julho. No documento, o governo norte-americano classifica o Brasil como um risco à segurança nacional, justificando a adoção da tarifa mais elevada.

A taxação é resultado da aplicação de uma sobretaxa de 40% sobre os atuais 10% já cobrados, dentro do que o governo dos EUA chamou de “ajuste recíproco” das tarifas com seus principais parceiros comerciais. O Brasil foi o país mais afetado no novo pacote tarifário.

A medida está amparada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e inclui a declaração de uma nova emergência nacional voltada especificamente ao Brasil.

Motores, máquinas, combustíveis e aeronaves são os bens mais importados pelo Brasil dos EUA. Só em 2024, o Brasil comprou US$ 40,6 bilhões de produtos norte-americanos e, em contrapartida, vendeu US$ 40,4 bilhões. Essa relação comercial resultou em um déficit na balança comercial de US$ 200 milhões para os brasileiros – diferentemente do que alega a Casa Branca.

Do total importado dos EUA, 15,2% correspondem à compra de motores e máquinas não elétricos, além de suas partes. Na sequência, estão os combustíveis e aeronaves e outros equipamentos, com 9,7% e 4,9% respectivamente.

Embora tenha assinado ordem executiva que oficializa a tarifa de 50% a produtos importados do Brasil, Trump deixou de fora do tarifaço alguns produtos importantes. Lista publicada pela Casa Branca enumera diversos itens que não serão abrangidos pela ação, entre os quais o suco e a polpa da laranja; minérios de ferro; e artigos de aeronaves civis, seus motores, peças e componentes (o que interessa à Embraer), além de combustíveis.

A relação inclui em torno de 700 produtos. Apesar disso, itens como café, carne e frutas, bastante consumidos pelo mercado norte-americano, não estão na lista de exceções.

Plano de contingência

Em resposta à decisão norte-americana, o governo federal anunciou que prepara um plano de contingência para mitigar os impactos econômicos. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), informou que as medidas levarão em conta as especificidades de cada setor atingido.

Na noite dessa terça-feira (5/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ajustou os últimos detalhes do plano de socorro aos setores mais afetados. Alckmin, antecipou que o plano de contingência terá linhas de crédito e compras governamentais, mas reforçou o caráter personalizado das medidas apresentadas Lula, considerando a necessidade das indústrias afetadas.

A expectativa do mercado é a de que as primeiras medidas sejam anunciadas pelo governo brasileiro ainda nesta quarta-feira.

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