Dólar fecha estável após prisão de Bolsonaro e na véspera do tarifaço
Moeda americana registrou variação mínima, com queda de 0,01%, a R$ 5,50. O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em leva alta de 0,14%
atualizado
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Os mercados de câmbio e ações permaneceram, nesta terça-feira (5/8), em compasso de espera, um dia depois de decretada a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e na véspera da vigência do tarifaço. Nesse cenário, o dólar andou de lado, com queda mínima de 0,01%, cotado a R$ 5,50, variação que, na prática, significa estabilidade da moeda americana. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), encerrou a sessão com uma pequena elevação de 0,14%, aos 133.151 pontos.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar apresentou baixa oscilação, mantendo-se próximo ao patamar de R$ 5,50, num “pregão marcado por baixa liquidez”. Ele observa que uma combinação de fatores externos e internos influenciaram a cotação da moeda americana nesta terça-feira.
No front externo, ganhou corpo a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) possa promover um corte na taxa de juros do país em setembro. Em tese, tal expectativa aumenta o apetite dos investidores por ativos de renda variável, como as ações negociadas em bolsas de valores.
Sobre esse tema, o Goldman Sachs divulgou um relatório nesta terça-feira no qual prevê a realização de três cortes seguidos de 0,25 ponto percentual dos juros americanos, hoje fixados no patamar entre 4,25% e 4,50%. A expectativa, diz o banco, é de reduções em setembro, outubro e dezembro, totalizando 0,75 ponto percentual. Com isso, a taxa iria para o intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Especulações crescentes
As especulações sobre a queda dos juros nos EUA intensificaram-se na sexta-feira (1º/8), com a divulgação de dados sobre empregos nos EUA, o “payroll“. Os números mostram a criação de 73 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola, ante uma previsão da abertura de até 115 mil postos.
Além disso, houve uma revisão de informações sobre meses anteriores, que resultou na baixa de 258 mil empregos nos números que haviam sido divulgados sobre os meses de maio e junho. A alteração foi tão significativa que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a demitir Erika McEntarfer, responsável pela produção do relatório.
Copom e tarifaço
Do lado interno, acrescenta Shahini, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), divulgada nesta terça-feira, reafirmou a manutenção da taxa básica de juros do país, a Selic, em nível elevado por período prolongado. “Já a ausência de novas declarações de Donald Trump sobre o Brasil, depois de episódios políticos de alta repercussão, trouxe alívio momentâneo, mas as incertezas em torno da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor nesta quarta-feira (6/8), continuam no radar dos investidores.”
Sobre o caso Bolsonaro, Alison Correia, analista e co-fundador da Dom Investimentos, acredita que ele não terá repercussão da B3. “Essa prisão domiciliar não vai fazer preço na Bolsa”, diz. “Não é uma decisão que pegue o mercado de surpresa.”
Petrobras resiste
Em relação ao Ibovespa, Correia observa que a pequena alta do índice se valeu do desempenho positivo de alguns papéis como os da Petrobras. As ações ordinárias (com direito a voto em assembleias) da estatal subiram 0,80% no pregão.
O petróleo, no entanto, registrou queda no mercado global nesta terça-feira. O barril do petróleo tipo Brent, a referência internacional, fechou em queda de 1,63%, a US$ 67,64, com vencimento para outubro. O tipo WTI, padrão para o mercado dos EUA, baixou 1,70%, a US$ 65,16 por barril, para setembro.
