Bolsa bate recorde histórico com “payroll” fraco nos EUA. Dólar recua

“Payroll” é o indicador econômico mensal que mostra a evolução do emprego nos Estados Unidos fora do setor agrícola

atualizado

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nota de dólar americano com bandeira dos EUA ao fundo
1 de 1 nota de dólar americano com bandeira dos EUA ao fundo - Foto: Getty Images

O dólar operava em queda na tarde desta sexta-feira (5/9), na última sessão da semana, em um dia no qual as atenções dos investidores estão concentradas na divulgação dos dados oficiais de emprego nos Estados Unidos em agosto.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), por sua vez, renovou sua máxima histórica intradiária (durante um pregão).

Nos últimos dias, uma série de indicadores sobre a economia norte-americana apontaram para certo arrefecimento da atividade econômica no país, o que aumentou a expectativa pelo início do ciclo de queda de juros.


Dólar

  • Às 15h22, o dólar caía 0,81%, a R$ 5,404.
  • Mais cedo, às 13h41, a moeda norte-americana recuava 0,83% e era negociada a R$ 5,402.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,439. A mínima é de R$ 5,383.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve baixa de 0,09%, cotado a R$ 5,472.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,47% no mês e perdas de 11,85% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • Às 15h26, o Ibovespa subia 1,05%, aos 142,4 mil pontos.
  • Mais cedo, o indicador bateu seu recorde histórico, renovando máximas até atingir 143.408,64 pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,81%, aos 140,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 0,31% em setembro e alta de 17,21% em 2025.

“Payroll”

O grande destaque do dia para o mercado financeiro é a divulgação, por parte do Departamento Trabalho, dos dados do chamado “payroll” nos EUA – indicador econômico mensal que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.

Em agosto, os EUA registraram a criação de 22 mil novas vagas de trabalho fora do setor agrícola, ante 79 mil do mês anterior (dado revisado). Foi o quarto mês consecutivo com resultados inferiores a 100 mil empregos – o ritmo mais fraco do mercado de trabalho norte-americano desde a pandemia de Covid-19.

O resultado veio bem abaixo das projeções do mercado, que indicavam a criação de 75 mil vagas.

A taxa de desemprego no país foi de 4,3% em agosto, praticamente estável em relação a julho (4,2%).

Aposta em corte de juros

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.

Analistas temiam que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA levasse a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, os dados fracos do mercado de trabalho podem ser até considerados positivos, por sinalizarem maior espaço para a queda dos juros no país.

Atualmente, a taxa de juros nos EUA está no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano, mas a maioria dos analistas do mercado aposta no início do ciclo de cortes já a partir da próxima reunião da autoridade monetária, neste mês de setembro. A expectativa é que haja uma queda de 0,25 ponto percentual nos juros.

A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 2,7% em julho, na base anual. Na comparação mensal, o índice foi de 0,2%.

A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo abaixo de 3% desde julho de 2024.

A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed está prevista para os dias 16 e 17 de setembro.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado do “payroll” de agosto “garante o corte na taxa de juros pelo Fomc na reunião de setembro”.

“Tendo em vista os dados bem fracos de emprego nos últimos meses, é provável que se veja uma discussão de corte de 50 pontos-base [0,5 ponto percentual]. Se optarem por 25 pontos-base, é possível que o comitê se comprometa com uma sequência de cortes”, explica Valério.

“A divulgação da inflação de agosto, na próxima quinta-feira, terá importância para determinar a intensidade e frequência dos cortes. Caso vejamos uma inflação contida, a probabilidade de três cortes até o fim do ano volta a ganhar força. Por ora, mantemos a expectativa de cortes na reunião de setembro e dezembro”, conclui o economista.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, segue a mesma linha. “Os futuros dos índices de ações caíram imediatamente após a notícia, mas S&P e Nasdaq voltaram a responder com altas na expectativa de que os cortes de juros podem estimular os negócios e um fluxo maior para a renda variável”, afirma.

“A tese para as ações americanas está fortemente conectada a essa expectativa de cortes de juros recentemente, indicando uma alta sensibilidade a mudanças nessas projeções.”

Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, avalia que, “apesar da redução significativa das contratações em agosto, outros indicadores, como a taxa de desemprego e o número de pedidos de seguro-desemprego, continuam em patamares baixos, o que sugere que o esfriamento do mercado de trabalho americano é gradual”.

“Além disso, dados como o PMI de serviços (um termômetro da atividade no setor) têm sinalizado uma atividade forte, o que tende a impulsionar o mercado de trabalho”, diz a economista.

“A inflação americana segue acima da meta e enxergamos um risco de uma pressão maior sobre os preços à frente em razão das tarifas comerciais. Na nossa visão, esse contexto deveria manter o Fed cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária. No entanto, reconhecemos que um corte de juros na reunião de setembro é o cenário mais provável, considerando que o presidente do Fed, Jerome Powell, tem demonstrado uma preocupação maior com uma possível deterioração do mercado de trabalho do que com a inflação.”

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