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“Payroll”: EUA criam 22 mil empregos em agosto, bem abaixo do esperado

O resultado veio bem abaixo projeções do mercado, que indicavam a criação de 75 mil vagas. Desemprego ficou em 4,3% nos Estados Unidos

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1 de 1 Pessoa assina ficha para vaga de emprego nos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Getty Images

A economia dos Estados Unidos registrou a criação de 22 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em agosto, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (5/9) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

Trata-se do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.

Agosto foi o quarto mês consecutivo com resultados inferiores a 100 mil empregos nos EUA. É o ritmo mais fraco do mercado de trabalho norte-americano desde a pandemia de Covid-19.


O que aconteceu

  • Os EUA registraram a criação de 22 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em agosto.
  • O resultado veio bem abaixo das projeções do mercado, que indicavam a criação de 75 mil vagas.
  • A taxa de desemprego foi de 4,3%.
  • Em julho, o “payroll” mostrou a abertura de 79 mil vagas no país (dado revisado) e uma taxa de desemprego de 4,2%.

Por que o dado é importante

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.

Analistas temiam que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA levasse a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, os dados fracos do “payroll” podem ser até considerados positivos, por sinalizarem maior espaço para a queda dos juros – embora também exista a preocupação em relação a uma retração excessiva da maior economia do mundo.

Atualmente, a taxa de juros nos EUA está no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano, mas a maioria dos analistas do mercado aposta no início do ciclo de cortes já a partir da próxima reunião da autoridade monetária, neste mês de setembro. A expectativa é que haja uma queda de 0,25 ponto percentual nos juros.

A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 2,7% em julho, na base anual. Na comparação mensal, o índice foi de 0,2%.

A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo abaixo de 3% desde julho de 2024.

A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed está prevista para os dias 16 e 17 de setembro.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado do “payroll” de agosto “garante o corte na taxa de juros pelo Fomc na reunião de setembro”.

“Tendo em vista os dados bem fracos de emprego nos últimos meses, é provável que se veja uma discussão de corte de 50 pontos-base [0,5 ponto percentual]. Se optarem por 25 pontos-base, é possível que o comitê se comprometa com uma sequência de cortes”, explica Valério.

“A divulgação da inflação de agosto, na próxima quinta-feira, terá importância para determinar a intensidade e frequência dos cortes. Caso vejamos uma inflação contida, a probabilidade de três cortes até o fim do ano volta a ganhar força. Por ora, mantemos a expectativa de cortes na reunião de setembro e dezembro”, conclui o economista.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, segue a mesma linha. “Os futuros dos índices de ações caíram imediatamente após a notícia, mas S&P e Nasdaq voltaram a responder com altas na expectativa de que os cortes de juros podem estimular os negócios e um fluxo maior para a renda variável”, afirma.

“A tese para as ações americanas está fortemente conectada a essa expectativa de cortes de juros recentemente, indicando uma alta sensibilidade a mudanças nessas projeções.”

Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, avalia que, “apesar da redução significativa das contratações em agosto, outros indicadores, como a taxa de desemprego e o número de pedidos de seguro-desemprego, continuam em patamares baixos, o que sugere que o esfriamento do mercado de trabalho americano é gradual”.

“Além disso, dados como o PMI de serviços (um termômetro da atividade no setor) têm sinalizado uma atividade forte, o que tende a impulsionar o mercado de trabalho”, diz a economista.

“A inflação americana segue acima da meta e enxergamos um risco de uma pressão maior sobre os preços à frente em razão das tarifas comerciais. Na nossa visão, esse contexto deveria manter o Fed cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária. No entanto, reconhecemos que um corte de juros na reunião de setembro é o cenário mais provável, considerando que o presidente do Fed, Jerome Powell, tem demonstrado uma preocupação maior com uma possível deterioração do mercado de trabalho do que com a inflação.”

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