Dólar cai e Bolsa bate recorde com ata do Copom e produção industrial
Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,19%, cotado a R$ 5,258. Ibovespa fechou em alta de 0,79%, aos 182,7 mil pontos
atualizado
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O dólar operava em baixa, nesta terça-feira (3/2), em um dia no qual o mercado repercute a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que reitera a disposição da autoridade monetária de iniciar o ciclo de corte da taxa básica de juros (Selic) a partir de março.
Ainda no cenário doméstico, os investidores monitoram dados da produção industrial no Brasil referentes a dezembro do ano passado. No front externo, os destaques são resultados de balanços corporativos nos Estados Unidos e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Dólar
- Às 15h05, o dólar caía 0,49%, a R$ 5,232.
- Mais cedo, às 12h24, a moeda dos EUA recuava 0,65% e era negociada a R$ 5,224.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,246. A mínima é de R$ 5,206.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,19%, cotado a R$ 5,258.
- Com o resultado, o dólar acumula perdas de 4,39% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em forte alta no pregão.
- Às 15h09, o Ibovespa disparava 1,3%, aos 185,1 mil pontos.
- Mais cedo, o índice cravou 187.333,83 pontos, nova máxima histórica intradiária (durante o pregão).
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,79%, aos 182,7 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 12,56% no ano.
Ata do Copom confirma corte de juros em março
O Copom divulgou, nesta terça-feira, a ata referente à reunião de janeiro. O comunicado oficial da última reunião reforça a sinalização do início de cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic.
A taxa foi mantida em 15% no último encontro, realizado nos dias 27 e 28 de janeiro, mas os diretores do BC que formam o Copom adiantaram que, caso as perspectivas se confirmem, haverá o início dos cortes no índice.
“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz trecho da ata.
Ao mesmo tempo em que indica o início de um ciclo de cortes, o Copom também ressalta que a medida vai depender “da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
O horizonte relevante citado pelo Copom diz respeito ao intervalo dos próximos 18 meses. A decisão do Copom foi unânime.
O ciclo de aperto monetário teve início em setembro de 2024, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a Selic, que passou dos então 10,50% ao ano para 10,75% ao ano.
A Selic está no patamar mais elevado em quase 20 anos. Conforme dados da série histórica, a taxa de juros é a maior desde julho de 2006, época do fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Copom deixa claro, na ata, o entendimento que o cenário externo é incerto, sobretudo em relação à política econômica dos EUA, sob a condução do presidente Donald Trump.
Quando olha para dentro do país, o colegiado vê uma trajetória de “moderação” no crescimento da atividade econômica, mas com o mercado de trabalho ainda aquecido.
A decisão do Copom foi tomada dia 28 de janeiro. No dia seguinte, os dados do Caged revelaram a perda de 618 mil postos de trabalho em dezembro de 2025. Em dezembro, é habitual uma retração no mercado de trabalho, no entanto, o número veio acima do esperado. Em novembro, no entanto, foram criadas 85,8 mil vagas com carteira assinada.
Segundo Rafaela Vitória, economista chefe do Banco Inter, a ata não trouxe grandes novidades. “O Copom reconheceu a melhora do cenário externo e o processo de desaceleração da inflação corrente, o que abre espaço para o início do ciclo de flexibilização monetária. Ainda assim, diante de um ambiente marcado por incertezas, especialmente relacionadas aos efeitos fiscais na demanda, o comitê tende a adotar uma postura cautelosa nos cortes de juros. Nossa expectativa é de que o ciclo comece com uma redução de 50 pontos-base, ritmo que deve ser mantido no cenário atual”, avalia.
“Uma aceleração no ritmo de cortes poderia ocorrer caso a atividade econômica apresente desaceleração mais intensa e/ou o câmbio siga em trajetória de apreciação. Mantemos a projeção de Selic em 12,50% ao final do ano. Além disso, o anúncio de uma política fiscal mais austera para 2027 poderia contribuir para uma ancoragem mais próxima das expectativas em relação à meta das expectativas, abrindo espaço para cortes adicionais”, completa a economista.
Indústria no Brasil
Outro destaque da agenda econômica, nesta terça-feira, é a divulgação dos dados sobre a produção industrial no país em dezembro de 2025. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria nacional recuou 1,2% em relação a novembro, a queda mais intensa desde julho de 2024.
Na comparação com dezembro de 2024, a indústria cresceu 0,4%, interrompendo dois meses consecutivos de taxas negativas. A média móvel trimestral em dezembro foi de -0,5%. Em 2025, a indústria acumulou crescimento de 0,6%, após registrar 3,1% em 2024 e 0,1% em 2023. No quarto trimestre de 2025, ante o mesmo período do ano anterior, a indústria acumulou perdas de 0,5%.
Ainda de acordo com o IBGE, as quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos pesquisados mostraram recuo na produção em dezembro. Com esses resultados, a produção industrial se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Entre as atividades, as influências negativas mais relevantes foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,7%), produtos químicos (-6,2%) e metalurgia (-5,4%).
Outras contribuições negativas importantes sobre o total da indústria vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-9,2%), produtos de minerais não metálicos (-6,6%), máquinas e equipamentos (-4,6%), produtos têxteis (-9%), produtos de borracha e de material plástico (-2,2%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,1%).
Por outro lado, entre as oito atividades que mostraram alta na produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,4%) representou o principal impacto na média da indústria e interrompeu três meses seguidos de queda. Também houve impactos positivos assinalados dos setores de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,7%) e de indústrias extrativas (0,9%).
Para André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado da indústria em dezembro “reforça a tendência de desaceleração do setor industrial, que se intensifica nos últimos meses e reflete em grande desaceleração em 2025”. “O setor foi o mais afetado pelas condições adversas enfrentadas pela economia brasileira em 2025, no caso, a elevada taxa de juros e o tarifaço imposto pelos EUA que, apesar do recuo parcial, ainda é válido sobre boa parte dos produtos industriais que possuem mercado americano”, afirma.
“Com a proximidade do início da flexibilização da política monetária, o setor deverá ter um ano de 2026 menos pior, mas a tendência de desaceleração deve persistir pelo 1º semestre do ano”, conclui Valério.
Análise
Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe Nomad, “o real se fortalece ante o dólar nesta manhã, revertendo parte do movimento dos últimos dias após o mercado digerir a nomeação do novo presidente do Fed”.
“Pela manhã, foi divulgada a ata da última reunião do Copom, que focou em reforçar a expectativa de flexibilização, mas com a condição de que os dados continuem indicando um cenário benigno, deixando espaço para um corte de 25 ou 50 pontos-base no encontro de março. O tom é semelhante ao do comunicado divulgado logo após a decisão e reforça que a trajetória dos juros é de queda, estimulando a tomada de bolsa no país enquanto o diferencial de juros permanece consideravelmente elevado”, analisa.
“Os futuros das bolsas norte-americanas indicam que as ações abrem em alta nos EUA, mostrando um retorno do apetite por risco, o que também ajuda a estimular fluxo para mercados emergentes, como o Brasil”, completa Zogbi.
