Dólar dispara a R$ 5,47 e Bolsa afunda com tarifaço de Trump

O governo do presidente norte-americano Donald Trump começou a enviar cartas a alguns países nas quais anuncia a aplicação de novas tarifas

atualizado

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1 de 1 Imagem de reflexo de painel da Bolsa de Valores do Brasil - Metrópoles - Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Em meio ao clima de incerteza nos mercados e à tensão global com um novo capítulo da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, o dólar encerrou a primeira sessão da semana em forte alta, enquanto a Bolsa de Valores do Brasil (B3) teve um pregão negativo.

Nesta segunda-feira (7/7), o governo do presidente norte-americano Donald Trump começou a enviar cartas a alguns países nas quais anuncia a aplicação de novas tarifas comerciais.

No último fim de semana, a Casa Branca decidiu prorrogar o prazo para que as tarifas entrem vigor. Ele se encerraria no dia 9 de julho e foi estendido até 1º de agosto.

Entretanto, segundo analistas do mercado financeiro, o tom novamente ameaçador de Trump e as incertezas em relação ao desfecho das negociações comerciais entre diversos países e os EUA levaram a uma onda de apreensão e pessimismo nos mercados no primeiro dia de pregão da semana.


Dólar

  • A moeda dos Estados Unidos terminou o dia em forte alta de 0,99%, cotada a R$ 5,477.
  • Na cotação máxima da sessão, o dólar bateu R$ 5,484. A mínima foi de R$ 5,44.
  • Na última sexta-feira (4/7), o dólar fechou em alta de 0,36%, cotado a R$ 5,42.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,17% em julho e de 12,23% em 2025 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou o pregão com fortes perdas.
  • O indicador afundou 1,26%, aos 139,4 mil pontos.
  • No último pregão da semana passada, o indicador fechou com ganhos de 0,24%, aos 141,2 mil pontos, renovando sua máxima histórica – foi a primeira vez que o Ibovespa superou os 141 mil pontos no fechamento.
  • Com o resultado, o Ibovespa acumula alta de 0,81% no mês e de 11,36% no ano.

Japão e Coreia do Sul, os primeiros notificados

Neste início de semana, as atenções do mercado financeiro estão voltadas para a Casa Branca, após o presidente norte-americano Donald Trump fazer novas ameaças relacionadas às tarifas comerciais impostas pelos EUA.

Trump encaminhou nesta segunda-feira as primeiras cartas que seu governo enviará aos parceiros comerciais tributados no chamado “Dia da Libertação”. As primeiras nações que receberam o documento foram o Japão e a Coreia do Sul.

Segundo o documento, o governo dos EUA aplicará, a partir do dia 1º de agosto, uma tarifa de 25% sobre todos os produtos importados dos dois países asiáticos.

O presidente dos EUA adotou um tom semelhante nas duas cartas ao afirmar que, apesar de ter buscado negociar, as tarifas serão impostas e ao destacar que, se qualquer uma das nações tentar retaliar os EUA, sofrerá ainda mais com as tarifas norte-americanas.

“Tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial com o Japão e concluímos que devemos nos afastar desses déficits comerciais persistentes e de longa data, causados pelas tarifas e políticas não tarifárias do Japão, bem como pelas barreiras comerciais. Nosso relacionamento tem sido, infelizmente, longe de ser recíproco”, diz trecho da carta enviada ao Japão.

Segundo o documento, “a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Japão uma tarifa de apenas 25% sobre todos os produtos japoneses enviados aos EUA, separadamente de todas as tarifas setoriais. Produtos transbordados para evadir uma tarifa mais alta estarão sujeitos à tarifa mais elevada”, diz o comunicado.

“Por favor, entenda que os 25% estão muito abaixo do necessário para eliminar a disparidade do déficit comercial que temos com seu país. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Japão, ou empresas japonesas, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos EUA e, de fato, faremos todo o possível para aprovar rapidamente, de forma profissional e rotineira — ou seja, em questão de semanas”, diz Trump na carta.

O governo Trump, por fim, adotou, na correspondência, um tom ameaçador, ao afirmar que, “se por qualquer motivo, o senhor decidir aumentar suas tarifas, então, qualquer que seja o número que escolher, será somado aos 25% que cobramos”.

Até o momento, o governo dos EUA anunciou acordos comerciais com Reino Unido, Vietnã e uma trégua com a China. As negociações com a União Europeia (UE) seguem em andamento.

Tarifas entre 25% e 40%

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump enviará cartas a parceiros comerciais oficializando o início das tarifas recíprocas impostas por ele assim que assumiu o segundo mandato. As tarifas variam entre 25% e 40%.

“Haverá, aproximadamente, 12 outros países que receberão notificações e cartas diretamente do presidente dos EUA. O presidente ainda planeja criar planos comerciais personalizados para cada país deste planeta”, disse Leavitt.

Além de Japão (tarifa de 25%) e Coreia do Sul (25%), já receberam as cartas Myanmar (40%), Laos (40%), África do Sul (30%), Cazaquistão (25%) e Malásia (25%).

A secretária de imprensa também confirmou que Trump estendeu formalmente seu prazo para a imposição de tarifas recíprocas de 9 de julho para 1º de agosto, com a intenção de dar aos países mais tempo para negociar acordos.

“O presidente também assinará um decreto executivo hoje, adiando o prazo de 9 de julho para 1º de agosto. Portanto, a tarifa recíproca, ou essas novas tarifas que serão fornecidas nesta correspondência a esses líderes estrangeiros, serão divulgadas no próximo mês, ou acordos serão firmados, e esses países continuarão a negociar com os EUA”, afirmou.

“Vimos muitos desenvolvimentos positivos na direção certa, mas o governo, o presidente e sua equipe comercial querem fechar os melhores acordos para o povo americano e para os trabalhadores americanos. É nisso que eles estão focados”, explicou Leavitt.

Trump ameaça países do Brics

Em meio à reunião dos líderes dos países do Brics, liderada pelo Brasil, no Rio de Janeiro, Trump anunciou nesse domingo (6/7) que “qualquer país que se aliar às políticas antiamericanas do Brics pagará tarifa adicional de 10%”.

O anúncio aconteceu após declaração dos integrantes do bloco, no primeiro dia da reunião de cúpula. O bloco econômico é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos.

Trump anunciou que “não haverá exceções a esta política.” No início deste ano, o mandatário norte-americano exigiu o compromisso de que o bloco não substitua o dólar em transações comerciais.

Na reunião, o grupo também manifestou “sérias preocupações” com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias, tomadas de forma unilateral. Na visão do Brics, essas ações “distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

A declaração trouxe críticas ao “aumento indiscriminado de tarifas” e às medidas protecionistas de comércio. O comunicado, no entanto, não faz menção aos Estados Unidos de Donald Trump, que tem adotado a política do “tarifaço”.

Análise

Para o economista Luis Afonso Lima, chefe de Análise da Mapfre Investimentos, “a escalada tarifária comprometeu o comércio bilateral dos EUA com diferentes parceiros e provocou uma reação negativa dos mercados”. “Ao fim das negociações, espera-se que essas tarifas fiquem abaixo das propostas iniciais, mas ainda acima dos níveis anteriores à posse de Trump”, avalia.

“Os efeitos para o quadro internacional são evidentes. Medidas fiscais norte-americanas, se aprovadas, não ajudam a fortalecer o dólar perante outras moedas, inclusive de países emergentes. Quanto à política monetária, os potenciais efeitos de tarifas alfandegárias na inflação respaldam a postura cautelosa do Fed [Federal Reserve, o Banco Central dos EUA], independentemente das pressões de Trump”, prossegue o economista.

“Bancos centrais de outros países, portanto, não devem contar com alívio monetário externo. Finalmente, novas barreiras tarifárias também resultam em desaceleração das exportações globais e menores preços de commodities. Diga-se de passagem, isso já vem ocorrendo. Esta é a tendência do quadro internacional que nos espera.”

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