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Distrito Federal

Médicos escalados para atender Bolsonaro denunciam calote da SES-DF

Um dos profissionais de saúde relatou ter quase R$ 15 mil para receber pelos plantões feitos para atender o ex-presidente Jair Bolsonaro

16/06/2026 03:00, atualizado 16/06/2026 07:36
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Reprodução
Sala especial onde o ex-presidente Jair Bolsonaro esta preso na Papudinha, em Brasília

Pelo menos três médicos que atenderam o ex-presidente da República Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha, alegam não ter recebido pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano. O primeiro pagamento devia ter sido realizado em fevereiro.

Os profissionais, que são servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), foram convocados para realizar plantões no formato Trabalho por Período Definido (TPD). A convocação foi feita após decisão de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou assistência médica 24h para o ex-presidente.

O Trabalho por Período Definido é uma espécie de hora adicional, medida utilizada pela SES como forma de suprir eventuais déficits de servidores e evitar que falte assistência à população. O servidor interessado se dispõe a trabalhar em dias ou horários fora do turno habitual para substituir outro trabalhador ou reforçar um setor e é remunerado por tal atividade.

Um dos servidores da SES-DF que optou por manter o anonimato realizou oito plantões, alguns noturnos e nos fins de semana, de 12 e 24h. O profissional de saúde relatou ter quase R$ 15 mil para receber pelas horas trabalhadas.

A Secretaria de Saúde do DF foi procurada para se manifestar sobre as denúncias, mas até o momento não se posicionou.

“Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas neste formato a gente tem que bater ponto na SES mesmo. A gente tem que bater o ponto, entrar no sistema, enfim, tem que fazer essa parte, obviamente, para comprovar que está lá. E lá no Batalhão não tinha como, porque a gente assinava. Tinha um caderno em que a gente assinava a passagem de plantão com o ex-presidente”, informou o médico.

A partir de fevereiro, os profissionais perceberam que os plantões feitos não foram incluídos no contracheque e foram informados pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) que as folhas de pontos deveriam ser protocolados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).

Os médicos seguiram todas as recomendações, mas seguem sem ter visto um centavo do dinheiro desde fevereiro, quando deveria ter sido efetuado o primeiro pagamento.

Aos profissionais, a SES-DF informou que o processo foi feito de forma errada. “Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que iam pagar como TPD; se fosse só por banco de horas, ninguém iria. Eles nunca falaram nada em relação a isso aí, que se tinha… se estava de forma certa ou não, sendo que a gente confiava porque era eles que falavam com a gente em um número da SES”, informou um dos médicos.

O trabalho dos profissionais de saúde inclusive foram citados em um despacho do ministro Alexandre de Moraes que detalhava a rotina de Bolsonaro.

Atendimento exclusivo para Bolsonaro

Os médicos atendiam única e exclusivamente o ex-presidente Bolsonaro, que recebeu todo cuidado da equipe durante os 57 dias em que esteve preso na Papudinha. “A gente atendia ele pelo menos três vezes por dia e até durante a noite, enquanto ele dormia. Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”, contou um dos médicos. A equipe também contava com um técnico de enfermagem.

Os plantões dos médicos foram dispensados somente em 26 de março, quando Moraes concedeu a prisão domiciliar ao ex-chefe da República. Além dos plantões formalizados no sistema dos servidores públicos, o carimbo dos médicos com a evolução médica de Bolsonaro foi registrado em folhas de caderno.

Com pelo menos quatro meses de atraso, os servidores aguardam o pagamento do serviço prestado. Caso o pagamento não seja efetuado nos próximos dias, os médicos pretendem ingressar judicialmente para receber pelos plantões realizados.

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