Dólar cai com revés do governo no IOF e prévia da inflação. Bolsa sobe

No dia anterior, dólar fechou em alta de 0,63%, cotado a R$ 5,554. Ibovespa, principal índice da Bolsa, afundou 1,02%, aos 135,7 mil pontos

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1 de 1 Imagem de moedas de real colocadas sobre uma nota de dólar - Metrópoles - Foto: Getty Images

Depois de abrir em leve alta, o dólar inverteu o sinal e passou a operar em baixa nesta quinta-feira (26/6), em meio aos impactos políticos e econômicos da derrota histórica do governo nas votações sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no Congresso Nacional.


Dólar

  • Às 13h37, o dólar caía 0,89%, a R$ 5,504.
  • Mais cedo, às 11h45, a moeda norte-americana recuava 0,84% e era negociada a R$ 5,507.
  • No dia anterior, o dólar fechou em alta de 0,63%, cotado a R$ 5,554.
  • Com o resultado, a moeda dos Estados Unidos acumula perdas de 2,88% em junho e de 10,13% em 2025.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em forte alta no pregão.
  • Às 13h41, o Ibovespa subia 1,09%, aos 137,2 mil pontos.
  • Na véspera, o indicador fechou em queda de 1,02%, aos 135,7 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula recuo de 0,92% no mês e ganhos de 12,87% no ano.

Derrota histórica do governo

Na noite da véspera, a Câmara dos Deputados e o Senado derrubaram o decreto do governo federal que reajustava as alíquotas do IOF.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) realizaram a votação sobre o IOF mesmo em dia de sessão remota para os parlamentares, com plenários esvaziados. Vários parlamentares não estão em Brasília por causa das festas juninas e registraram presença e voto virtualmente.

A aprovação do PDL marca mais um capítulo na crise entre Executivo e Legislativo, em que parlamentares rejeitam as medidas fiscais propostas pelo governo para cumprir a meta fiscal e garantir déficit zero. Para tentar contornar o imbróglio, o governo apostou na liberação de emendas parlamentares. O montante de verbas empenhadas passa de R$ 1,7 bilhão.

A decisão também marcou a primeira vez, em mais de três décadas, que deputados e senadores rejeitam formalmente uma medida presidencial desse tipo.

A última vez que isso ocorreu foi em 1992, no governo Fernando Collor de Mello. À época, o Congresso derrubou um decreto que alterava regras para o pagamento de precatórios, meses antes de a Câmara abrir o processo de impeachment contra o então presidente.

Desta vez, o motivo foi econômico: o decreto de Lula elevava o IOF sobre operações de crédito empresariais, o que gerou forte reação de setores produtivos e parlamentares. A Câmara aprovou a revogação com 383 votos favoráveis e 93 contrários. Horas depois, o Senado confirmou a anulação, em votação simbólica.

O governo Lula estuda como reagir à derrubada do decreto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com a equipe econômica e articuladores políticos nesta quinta-feira. Segundo aliados, estão na mesa bloqueio do orçamento público, pressão sobre emendas, judicialização no Supremo Tribunal Federal (STF) e até reforma na Esplanada.

Nos cálculos do governo, a derrubada do IOF levará a um bloqueio de, aproximadamente, R$ 12 bilhões. Segundo lideranças lulistas no Congresso, isso travará o pagamento de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. De acordo com representantes do Planalto, todo bloqueio que afetar a Esplanada atingirá também o Congresso, em 25%.

É uma forma de tentar convencer os parlamentares a aderirem à iniciativa do governo em busca de arrecadação. O Planalto aumentou o IOF no fim de maio, visando a obter mais de R$ 20 bilhões este ano, e assim cumprir a meta fiscal. O Congresso reagiu mal, e o Executivo recuou, diminuindo a taxa. Os Poderes acordaram o envio de uma medida provisória (MP) para completar a verba que a Fazenda deixaria de arrecadar com o reajuste do imposto.

Agora, sem sequer o IOF reajustado, o Planalto precisará buscar outras fontes de arrecadação para evitar que o orçamento de pastas importantes seja bloqueado. Há temor de cortes na verba do programa Pé de Meia, por exemplo, uma das apostas do Ministério da Educação para alavancar a popularidade de Lula até 2026.

Prévia da inflação

Ainda no cenário doméstico, os investidores repercutem nesta quinta a divulgação dos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador ficou em 0,26% em junho, o que representa um recuo de 0,1 ponto percentual em relação à taxa de maio (0,36%).

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 foi de 5,27%, desacelerando em relação aos 5,4% de maio.

Os resultados da prévia da inflação vieram abaixo das estimativas dos analistas do mercado, que eram de 0,3% (na base mensal) e 5,31% (anual).

Habitação foi o grupo que exerceu maior impacto no IPCA-15, com alta de 1,08% e 0,16 ponto percentual, seguido de vestuário (0,51%). Por outro lado, o segmento de alimentação e bebidas registrou a primeira queda (-0,02%), após nove meses consecutivos de alta.

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