metropoles.com

IOF: Congresso anula decreto de Lula e quebra “jejum” de 32 anos

Parlamentares derrubam regra do IOF e impõem derrota inédita a um presidente desde 1992, quando Collor teve decreto rejeitado

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Presidente Lula e ministros de Estado participam da abertura oficial da 26ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios - Metrópoles 7
1 de 1 Presidente Lula e ministros de Estado participam da abertura oficial da 26ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios - Metrópoles 7 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O Congresso Nacional anulou nesta quarta-feira (25/6) um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que modificava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A decisão marcou a primeira vez, em mais de três décadas, que deputados e senadores rejeitam formalmente uma medida presidencial desse tipo.

A última vez que isso ocorreu foi em 1992, no governo Fernando Collor de Mello. À época, o Congresso derrubou um decreto que alterava regras para o pagamento de precatórios, meses antes de a Câmara abrir o processo de impeachment contra o então presidente.

Desta vez, o motivo foi econômico: o decreto de Lula elevava o IOF sobre operações de crédito empresariais, o que gerou forte reação de setores produtivos e parlamentares. A Câmara aprovou a revogação com 383 votos favoráveis e 93 contrários. Horas depois, o Senado confirmou a anulação, em votação simbólica.

Governo foi surpreendido por ritmo acelerado

O Palácio do Planalto foi pego desprevenido com a velocidade da tramitação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na noite anterior que o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) seria votado no dia seguinte — o que reduziu a margem de manobra para articulações políticas.

Tradicionalmente, projetos com esse objetivo são usados mais como sinalização política do que como ação concreta. Quando um decreto presidencial começa a ser questionado, é comum que o Executivo recue antes da conclusão da tramitação nas duas Casas. Isso aconteceu em outros momentos do atual mandato de Lula.

Em maio de 2023, a Câmara votou contra dois decretos do governo relacionados ao saneamento básico. O Planalto, então, retirou os textos e os substituiu por normas mais brandas. O mesmo caminho foi seguido em 2024, quando deputados rejeitaram um decreto que restringia clubes de tiro próximos a escolas. O governo cedeu e flexibilizou a regra.

A diferença, desta vez, foi o tempo. Sem aviso prévio ou sinal de negociação, o projeto que anulava o decreto do IOF avançou rapidamente e chegou ao plenário com apoio expressivo.

Base fragilizada no Congresso pesa contra o Planalto

A derrota expôs a fragilidade da articulação do governo na Câmara. Nem mesmo a entrada de partidos como PP e Republicanos na Esplanada conseguiu evitar a votação. O episódio mostrou que há um clima de instabilidade entre Executivo e Legislativo.

Outros presidentes recuaram diante da pressão do Congresso. Jair Bolsonaro (PL) e Dilma Rousseff retiraram decretos para evitar derrotas, em momentos de baixa força política, por exemplo.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?