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Negócios

Dólar cai a R$ 5,16 com previsão de juros menores e alívio na guerra

Moeda americana registrou queda de 0,76% frente ao real. Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), avançou aos 174 mil pontos

03/07/2026 17:08, atualizado 03/07/2026 17:26
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Getty Images
Imagem de uma nota de dólar com um cifrão sobre ela - Metrópoles

O dólar registrou queda de 0,76% frente ao real, cotado a R$ 5,16, nesta sexta-feira (3/7). O Ibovespa, por sua vez, fechou em alta. O principal índice da Bolsa brasileira (B3) avançou 0,74% aos 174 mil pontos.

A sessão foi morna para os mercados de câmbio e ações. O feriado do Dia da Independência, nos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho, mas antecipado para esta sexta-feira, reduziu a liquidez nos pregões domésticos.

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No front externo, prevalece um duplo alívio. De um lado, a guerra entre Estados Unidos e Irã deixou de ser um vetor decisivo para os investimentos. Isso vem ocorrendo desde o momento em que os dois países firmaram um acordo de cessar-fogo válido por 60 dias, ainda que sujeito a turbulências, em 17 de junho.

Nesta sexta-feira, o preço do petróleo aumentou, mas se manteve próximo do patamar anterior ao início do confronto no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, fechou em alta de 0,45%, a US$ 72,12. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, subiu 0,19%, a US$ 68,82.

Além disso, o mercado ainda repercute a divulgação de dados mais fracos sobre o mercado de trabalho americano, veiculados na quinta-feira (2/7). Em queda, os números sobre a criação de empregos atenuaram as projeções de nova alta dos juros no país, embora a política monetária americana deva continuar restritiva.

Produção industrial

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos dados da produção industrial, que registrou queda de 0,2% em maio. O número veio abaixo da expectativa do mercado, que esperava aumento de 0,2%, e representou a primeira retração do ano na base de comparação mensal, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento do indicador.

Contrariando as expectativas para o período, os segmentos voltados para o mercado externo apresentaram comportamento majoritariamente negativo, com destaque para os derivados de petróleo e biocombustível (-6,1%), indústria extrativa (-4,0%) e os produtos de madeira (-0,6%), cujas taxas de retração se encontraram entre as piores da pesquisa divulgada.

Correção estatística

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o mau comportamento no período pode ser atribuído à potencial correção estatística frente ao forte crescimento do mês anterior, tendo em vista que o cenário internacional ainda se mostrava “favorável para essa classe específica de produção, especialmente no caso do petróleo”.

Na avaliação de Vitor Kayo, da Nomad, o resultado abaixo do esperado sugere um fôlego mais fraco da indústria depois de um início de ano mais aquecido. “Mas ainda é cedo para caracterizar o movimento como uma mudança de trajetória, já que o setor vinha de uma sequência positiva relevante e alguns dos recuos, como o de derivados de petróleo, refletem em parte a reversão de uma alta acumulada nos meses anteriores”, diz o analista. “Ainda assim, o resultado não muda o quadro geral de uma atividade econômica que segue resiliente, sustentada por estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, o que reforça a cautela do Banco Central em relação ao processo de desinflação.”

Balança comercial

A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) também informou, nesta sexta-feira, os dados da balança comercial de junho. Ela anotou um superávit de US$ 9,8 bilhões, 66% acima do saldo observado em junho de 2025. As exportações somaram US$ 36,2 bilhões e as importações, US$ 26,5 bilhões. O saldo veio um pouco abaixo da previsão do mercado, que apontava um valor de US$ 10,6 bilhões.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar devolveu nesta sexta-feira parte da alta registrada na véspera, em uma sessão marcada por liquidez reduzida devido ao feriado de 4 de julho nos Estados Unidos.

“O movimento reflete principalmente uma correção técnica após o avanço recente da moeda americana, enquanto, no cenário doméstico, o único dado relevante foi a produção industrial de maio, que veio abaixo do esperado, reforçando a percepção de desaceleração, na margem, da atividade econômica”, diz. “Os ativos domésticos vêm apresentando uma melhora marginal no apetite por risco, em linha com a expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central.”

Ibovespa

Josias Bento, da GT Capital, afirma que o principal impulso para o Ibovespa veio das ações dos bancos. “No entanto, não acredito que esse movimento de valorização deva se sustentar nos próximos dias”, diz.

Ele observa que os juros futuros seguem em queda, movimento iniciado após a divulgação dos dados fracos sobre o mercado de trabalho nos EUA. “O dado reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros estáveis ao longo de 2026. O dólar acompanha essa dinâmica, embora também seja influenciado pelas incertezas geopolíticas”, acrescenta. “Apesar da reabertura parcial do Estreito de Ormuz, o cenário internacional ainda carece de definições, o que mantém um nível elevado de cautela entre os investidores.”

O mercado, destaca o analista, acompanha a fase final da investigação conduzida pelos EUA contra produtos brasileiros. “O principal risco é a eventual imposição de novas tarifas, o que poderia pressionar o câmbio e afetar setores exportadores”, diz. “Até o momento, a expectativa é de que prevaleçam negociações e medidas mais pontuais, mas qualquer desfecho mais duro pode elevar a volatilidade dos ativos brasileiros.”