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Negócios

Dólar dispara e volta a R$ 5,20 com juros altos e sanções dos EUA

Novos dados sobre emprego alimentam a previsão de taxas maiores de juros na economia americana. Bolsa caiu 0,20%, aos 171,6 mil pontos

01/07/2026 17:11, atualizado 01/07/2026 17:27
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Dólar
Imagem de notas de dólar - Metrópoles

O dólar registrou forte alta de 0,90% em relação ao real, cotado a R$ 5,20, nesta quarta-feira (1º/7). Durante a sessão, a moeda americana chegou a superar essa barreira, atingindo R$ 5,21.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,20%, aos 171,6 mil pontos. Como a variação foi pequena, ela representa, na prática, estabilidade do indicador, embora ele tenha oscilou bastante ao longo do pregão (às 10 horas, chegou a baixar até 169,7 mil pontos).

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Na avaliação de Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o mercado iniciou o primeiro dia de julho sob forte pressão, refletindo um cenário global de aversão ao risco. Esse quadro, destaca a analista, impulsionou o dólar para uma abertura em alta e empurrou o Ibovespa para o território negativo.

“Essa dinâmica de cautela é ditada quase integralmente pelos ventos contrários vindos do exterior, especialmente dos Estados Unidos”, diz a economista. “A divulgação recente de dados mais fortes do que o esperado sobre o mercado de trabalho americano mostrou que a economia do país continua bastante aquecida e gerando vagas em ritmo acelerado. Somado a isso, os últimos dados de inflação americana vieram mais uma vez pressionados, provando que o custo de vida por lá continua resistente e não está cedendo na velocidade desejada pelas autoridades monetárias.”

Juros nos EUA

A combinação de um mercado de trabalho apertado e uma inflação resiliente, acrescenta Nossig, “alterou drasticamente as projeções” dos agentes econômicos, que agora têm uma forte expectativa de um novo aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

“Quando o Fed sinaliza que as taxas de juros vão subir, os títulos públicos dos EUA — considerados o porto seguro do sistema financeiro global — passam a oferecer rendimentos maiores”, afirma a especialista. “Esse movimento afeta negativamente os mercados emergentes, pois a expectativa de juros mais altos pelo Fed reduz drasticamente a entrada de fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.”

Com isso, afirma Rebecca Nossig, os grandes fundos internacionais preferem retirar seu capital de ativos de risco, como as ações do Ibovespa, e alocá-los na segurança e na rentabilidade garantida da renda fixa americana, o que explica a disparada do dólar frente ao real e a redução de liquidez no nosso mercado acionário.

Ibovespa

“Além disso, o Ibovespa também foi impactado nesta abertura pela forte correção nos mercados de energia. A sessão de hoje é marcada por uma queda expressiva no preço internacional do barril de petróleo, movimento que ganha força logo após o arrefecimento do conflito geopolítico entre Irã e EUA”, diz. “Com a redução das tensões e o menor temor de uma interrupção no fornecimento global da commodity, o prêmio de risco atrelado à guerra foi retirado dos preços. Como o índice é extremamente dependente de matérias-primas, esse recuo do petróleo puxa para baixo as ações de grande peso, como a Petrobras, impactando a performance do Ibovespa.”

Emprego

Para Bruno Shahini, também analista da Nomad, o aumento do dólar sobre o real refletiu, principalmente, o fortalecimento da moeda americana no exterior depois da divulgação de um novo relatório sobre empregos nos EUA, conhecido como ADP. “Os dados de junho vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente nos Estados Unidos”, diz.

Ele observa que, apesar de o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, não ter adotado um tom mais duro no discurso que fez nesta quarta-feira, o mercado manteve a leitura de que os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo. Isso sustentou o dólar e os rendimentos dos títulos da dívida americana, os Treasuries.

Bolsas globais

Na Europa, os principais índices fecharam em queda, à exceção da Alemanha. O Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, baixou 0,31%. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,18% e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,79%. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,29%.

Em Wall Street, as bolsas apresentaram sinais mistos. Às 16h40, o índice S&P 500 recuava 0,09%; o Dow Jones subia 0,06%; e o Nasdaq, que concentra as ações de empresas de tecnologia, baixava 0,46%.

Petróleo

Com a menor tensão nas relações entre Estados Unidos e Irã, o petróleo voltou a cair. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, fechou em baixa de 1,89%, a US$ 71,57. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, caiu 1,32%, a US$ 68,58. Ambos são valores próximos do mesmo patamar vigente antes da guerra, deflagrada em 28 de fevereiro.

Sanções dos EUA

Para parte dos analistas, o resultado do Ibovespa também foi afetado pelas sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra dois cidadãos e três empresas do Brasil, por suposta ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, o fato trouxe “preocupação para os mercados”, uma vez que esse tipo de medida possa se estender e afetar outros setores da economia.