Eleição 2026

Dólar cai e Bolsa bate novo recorde com caso Master, eleições e varejo

Assim como na véspera, o Ibovespa, principal índice da B3, bateu novo recorde histórico e ultrapassou, pela primeira vez, os 166 mil pontos

atualizado

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Cris Faga/NurPhoto via Getty Images
Imagem de painel da Bolsa de Valores do Brasil (B3) - Metrópoles
1 de 1 Imagem de painel da Bolsa de Valores do Brasil (B3) - Metrópoles - Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

O dólar terminou a penúltima sessão da semana em queda, nesta quinta-feira (15/1), cotado a R$ 5,368, em um dia no qual o mercado financeiro se concentrou novamente no noticiário político-econômico doméstico, dividindo as atenções entre o cenário eleitoral, as novas investigações sobre o Banco Master e os dados do comércio varejista.

No front externo, o destaque ficou por conta da forte queda nos preços do petróleo no mercado internacional, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, amenizando o tom em relação ao regime político do Irã.

Assim como já havia ocorrido no dia anterior, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), voltou a renovar suas máximas históricas intradiária (durante o pregão) e de fechamento. Ao final da sessão, o índice registrou alta depois de ter rompido pela primeira vez a marca dos 166 mil pontos.


Dólar


Ibovespa

  • O Ibovespa, por sua vez, terminou o pregão desta quinta-feira operando no azul.
  • O indicador fechou em alta de 0,26%, aos 165.568,32 pontos, nova máxima histórica de fechamento.
  • Na pontuação máxima do dia, o Ibovespa cravou 166.069,84 pontos, seu novo recorde histórico. Foi a primeira fez que o índice ultrapassou os 166 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,78% no ano.

Caso Master: BC determina liquidação da Reag

Um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo central o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o Banco Central (BC) determinou, nesta quinta-feira, a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., cuja atual denominação é CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., com sede em São Paulo.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi um dos alvos da Compliance Zero na quarta-feira (14/1), e a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão, em endereços ligados a ele, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também atingiu o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras.

Segundo nota do BC, a decretação da liquidação extrajudicial da Reag é motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.

Conforme o BC, a Reag se enquadra no segmento S4 para fins de critérios de regulação prudencial. A instituição representa 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

No comunicado, o BC acrescenta que vai continuar realizando trabalho de apuração de responsabilidades e adianta que o resultado do levantamento de informações pode ter como consequência outras sanções.

“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, diz trecho do comunicado.

Segundo a apuração da PF, a Reag aparece nas investigações por administrar fundos que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.

A suspeita é de que estruturas financeiras tenham sido utilizadas para simular operações de crédito, criar lastro fictício e dar aparência de solidez a ativos que não correspondiam à realidade contábil.

Fontes ligadas à investigação apontam que parte dos indícios contra o núcleo financeiro surgiu a partir da análise de movimentações consideradas atípicas em fundos sob gestão da Reag.

Entre os pontos que chamaram a atenção dos investigadores, estão operações de curtíssimo prazo com rentabilidades extraordinárias, incompatíveis com padrões normais do mercado financeiro.

A Reag Investimentos já foi considerada o empreendimento de maior sucesso instalado no maior centro financeiro do país, a Faria Lima, em São Paulo. Em apenas cinco anos, de 2020 até 2025, o patrimônio sob a gestão da Reag se multiplicou por quase 14 vezes: foi de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões.

Cenário eleitoral continua no foco dos investidores

No dia seguinte à divulgação da nova rodada da pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida pela Presidência da República, os investidores seguiram acompanhando o noticiário eleitoral e repercutiram declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O levantamento da Quaest confirmou o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceria em todos os cenários. Por outro lado, a pesquisa acabou consolidando Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como potencial candidato de oposição a Lula na disputa.

Em meio à pressão de bolsonaristas para um apoio mais enfático à candidatura de Flávio, Tarcísio voltou a endossar o nome do filho de Bolsonaro para a disputa.

“Para mim, o Flávio é um grande nome. Já falei que ele é o meu candidato”, respondeu Tarcísio ao ser questionado por jornalistas durante agenda em Suzano (SP), na região metropolitana. O governador ainda disse que a direita estará unida em torno de um nome e que o seu apoio é para o senador.

Tarcísio negou que as recentes postagens que fez nas redes sociais logo após voltar de férias, com mensagens em tom nacional, representem a intenção de disputar a Presidência em outubro.

Segundo o governador, o slogan de que o Brasil precisa de um “novo CEO”, que tem sido repetido por ele em eventos empresariais, é uma mensagem de “desabafo contra o PT”. Nas publicações, Tarcísio não mencionou o nome de Flávio, o que tem gerado criticas de bolsonaristas.

“A mensagem é um desabafo contra o PT. A gente precisa de um gestor que pense o Brasil. Que tenha liderança para pensar nos grandes desafios, para resolver os problemas, que são sérios. Temos uma crise fiscal que está contratada. E mais importante que a crise fiscal é a crise moral, a gente está vendo tudo que está acontecendo aí”, repetiu Tarcísio. “Brasília não, com certeza”, enfatizou. Ele voltou a reforçar que sua intenção é disputar a reeleição em São Paulo.

Também nesta quinta-feira, Flávio Bolsonaro comentou os dados da pesquisa da Quaest divulgada na véspera. “O resultado ainda não reflete bem a realidade. Não é o que as nossas pesquisas internas estão mostrando. Não existe aquela distância entre eu e o Lula que a Quaest mostrou”, afirmou o senador.

Flávio fez a declaração na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, durante visita a Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses no local, por liderar a trama golpista.

“O que eu posso falar é que, graças a Deus, até as pesquisas como a Quaest mostram um crescimento gigantesco, rápido e consolidado, não apenas com o eleitorado que se diz bolsonarista”, apontou Flávio.

“Eu acho que, modéstia à parte, estou indo bem. As pesquisas, até aquelas das quais eu desconfio, mostram um crescimento rápido e consolidado, e que não vai haver outra possibilidade de candidatura”, afirmou o senador, ressaltando que sua pré-candidatura “é uma coisa que não tem volta”.

Vendas do comércio varejista sobem em novembro

Outro dado observado com atenção pelo mercado foi o das vendas do comércio varejista referentes a novembro do ano passado. O volume de vendas varejo no país avançou 1% em novembro em relação a outubro de 2025. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE.

De acordo com o levantamento, em 2025, o varejo acumulou até novembro crescimento de 1,5%. Já no acumulado em 12 meses, a taxa também foi de 1,5%.

Ao todo, o comércio varejista possui oito atividades pesquisadas. Destas, sete tiveram resultados positivos. Os principais destaques positivos são as vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,1%); móveis e eletrodomésticos (2,3%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (2,2%). O único resultado negativo ficou por conta de tecidos, vestuário e calçados, com retração de 0,8%.

Economistas e analistas do mercado ouvidos pela reportagem do Metrópoles afirmaram que a Black Friday foi determinante para o resultado positivo do setor no penúltimo mês do ano passado.

Black Friday é um evento anual de grandes promoções e descontos no varejo, que ocorre, tradicionalmente, na última sexta-feira de novembro, após o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, marcando o início das compras de Natal. Trata-se de uma data crucial para o faturamento do comércio, com ofertas em lojas físicas e on-line.

Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, entre os segmentos que contribuíram para esse resultado, estão o de móveis e eletrodomésticos, com alta de 2,3% nas vendas, e o de hipermercados (1%). “A ampliação das promoções de Black Friday pode ter impulsionado o consumo no mês”, afirmou.

“Apesar desse bom desempenho no período, a leitura geral é a de que o varejo perdeu força ao longo de 2025. Nos segmentos mais sensíveis ao crédito – como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos –, as vendas desaceleraram no ano passado, sentindo os efeitos da Selic (taxa básica de juros) em patamar elevado. Considerando este contexto, o varejo ampliado deve ter fechado 2025 praticamente estável em relação a 2024”, disse a economista.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, também observa que “o resultado de novembro aponta influência positiva das promoções de Black Friday, com setores mais sensíveis a esse evento tendo elevado crescimento, como móveis, eletrodomésticos e materiais de escritório, além de artigos de uso pessoal e doméstico”.

“Também vemos o mercado de trabalho robusto provendo sustentação para esse resultado, com os setores mais sensíveis à renda avançando 1,1%, acelerando em relação à taxa de outubro, que foi uma alta de 0,34%. Com a massa salarial em nível recorde e crescendo, o varejo restrito deverá continuar tendo um desempenho robusto nos próximos meses”, afirmou Valério.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca a alta de 1% do grupo de hiper e supermercados, “ainda beneficiado pela inflação relativamente baixa dos alimentos, movimento que deve se dissipar gradualmente nos meses subsequentes, especialmente nas medições do início de 2026, quando a pressão sobre a inflação de alimentos aumenta”.

“Projetamos uma alta de 0,2% para o varejo em dezembro, fechando 2025 em 1,8%. A desaceleração na comparação mensal se justifica pela devolução estatística parcial dos grupos que apresentaram crescimento mais agudo em novembro, bem como um efeito composição que tende a privilegiar os grupos de hiper e supermercados e combustíveis e lubrificantes, cujo consumo costuma acelerar no período por conta de questões sazonais relacionados às festividades de fim de ano”, explicou Pizzani.

O economista Maykon Douglas avaliou que o varejo em novembro “foi puxado pela parte mais sensível à renda, que havia crescido pouco nos últimos meses”. “A Black Friday proporcionou um alívio ao setor, especialmente para itens como equipamentos de escritório e móveis/eletrodomésticos, que são mais sensíveis ao crédito e que, portanto, sofrem mais em cenários de juros muito elevados”, observou.

Preço do petróleo cai com discurso mais ameno de Trump

Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda, nesta quinta-feira, após declarações de Trump consideradas mais amenas em relação ao Irã.

Por volta das 15h45 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para fevereiro do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 4,39% e era negociado a US$ 59,30.

No mesmo horário, o contrato futuro para março do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) tombava 4%, cotado a US$ 63,86.

Ao longo da última semana, o barril de petróleo tipo Brent chegou a registrar uma alta acumulada de 11%, em meio à escalada na tensão entre os EUA e o regime iraniano.

Na véspera, o republicano afirmou que recebeu garantias de que o Irã interromperia as execuções de manifestantes que vêm protestando contra o regime teocrático dos aiatolás nas últimas semanas.

Com isso, na prática, o mercado interpretou que diminuíram as chances de uma ação militar dos EUA em território iranianoo que aliviou a preocupação global acerca de uma possível interrupção na produção iraniana de petróleo e em rotas marítimas consideradas estratégicas.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que “o mercado acordou com mais desdobramentos da liquidação do Banco Master, com notícias sobre a intervenção do BC na Reag”. “A percepção é de que a liquidação da Reag não gera risco sistêmico ao sistema financeiro. O próprio BC classifica a entidade, dado seu porte reduzido, no segmento S4 da regulação prudencial, com participação inferior a 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional”, observa.

“Além disso, o movimento já era, em parte, esperado pelo mercado, especialmente após a instituição ser citada em investigações recentes. No momento, o caso é tratado como um evento isolado, e uma reação mais negativa só ocorreria caso as investigações avançassem para instituições de maior relevância ou trouxessem algum risco de contágio financeiro, o que parece limitado até o momento”, explica Shahini.

O analista aponta que o dólar recuou no mercado doméstico “em meio a um ambiente de apetite renovado por risco no cenário externo, sustentado pela suavização da retórica dos EUA em relação ao Irã, o que reduziu prêmios geopolíticos incorporados nos ativos durante as últimas semanas”.

“A percepção de risco também foi beneficiada pela sinalização de Donald Trump de que não pretende demitir Jerome Powell, preservando a leitura de independência do Federal Reserve, em um contexto de dados econômicos positivos de atividade nos EUA divulgados hoje. Tal conjuntura impulsionou uma alta generalizada das bolsas em Nova York e na Europa, enquanto o Ibovespa caminha para encerrar o dia próximo de seu maior nível histórico”, afirma.

“Mesmo com a queda superior a 4% do petróleo, reflexo da diminuição das tensões no Oriente Médio, e apesar do avanço dos juros dos ‘treasuries’ e do fortalecimento do dólar no exterior medido pelo DXY, o real se valorizou, indicando que fatores locais e o fluxo para ativos de risco prevaleceram na formação da taxa de câmbio”, conclui Shahini.

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