Black Friday impulsionou alta do comércio em novembro, dizem analistas

Segundo dados divulgados pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista no país avançou 1% em novembro em relação a outubro de 2025

atualizado

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Pesquisa Mensal de Comércio foi divulgada nesta quinta-feira
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Economistas e analistas do mercado ouvidos pela reportagem do Metrópoles, nesta quinta-feira (15/1), após a divulgação dos dados sobre o desempenho do comércio varejista em novembro de 2025, afirmaram que a Black Friday foi determinante para o resultado positivo do setor no penúltimo mês do ano passado.

De acordo com dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo no país avançou 1% em novembro em relação a outubro de 2025. O setor acumulou crescimento de 1,5% nos 11 primeiros meses do ano passado. No acumulado em 12 meses até novembro, a a alta também foi de 1,5%.

A Black Friday é um evento anual de grandes promoções e descontos no varejo, que ocorre, tradicionalmente, na última sexta-feira de novembro, após o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, marcando o início das compras de Natal. Trata-se de uma data crucial para o faturamento do comércio, com ofertas em lojas físicas e on-line.

O que diz o mercado

Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, entre os segmentos que contribuíram para esse resultado, estão o de móveis e eletrodomésticos, com alta de 2,3% nas vendas, e o de hipermercados (1%). “A ampliação das promoções de Black Friday pode ter impulsionado o consumo no mês”, afirma.

“Apesar desse bom desempenho no período, a leitura geral é a de que o varejo perdeu força ao longo de 2025. Nos segmentos mais sensíveis ao crédito – como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos –, as vendas desaceleraram no ano passado, sentindo os efeitos da Selic (taxa básica de juros) em patamar elevado. Considerando este contexto, o varejo ampliado deve ter fechado 2025 praticamente estável em relação a 2024”, diz a economista.

Para Moreno, “os dados mostram que a economia brasileira perdeu fôlego em relação a 2024, devendo encerrar 2025 com crescimento de 2,2% no PIB (Produto Interno Bruto)”. “Daqui para frente, acreditamos que a economia vai continuar desacelerando de forma gradual, com os juros altos contribuindo para frear a atividade”, projeta.

Segundo a economista do C6, “os números do varejo não mudam nossa projeção de que a taxa Selic vai ser mantida em 15% na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), no final deste mês”. “Acreditamos que o ciclo de cortes deve começar em março, com os juros chegando a 13% no fim de 2026”, completa.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, também observa que “o resultado de novembro aponta influência positiva das promoções de Black Friday, com setores mais sensíveis a esse evento tendo elevado crescimento, como móveis, eletrodomésticos e materiais de escritório, além de artigos de uso pessoal e doméstico”.

“Também vemos o mercado de trabalho robusto provendo sustentação para esse resultado, com os setores mais sensíveis à renda avançando 1,1%, acelerando em relação à taxa de outubro, que foi uma alta de 0,34%. Com a massa salarial em nível recorde e crescendo, o varejo restrito deverá continuar tendo um desempenho robusto nos próximos meses”, afirma Valério.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca a alta de 1% do grupo de hiper e supermercados, “ainda beneficiado pela inflação relativamente baixa dos alimentos, movimento que deve se dissipar gradualmente nos meses subsequentes, especialmente nas medições do início de 2026, quando a pressão sobre a inflação de alimentos aumenta”.

“Projetamos uma alta de 0,2% para o varejo em dezembro, fechando 2025 em 1,8%. A desaceleração na comparação mensal se justifica pela devolução estatística parcial dos grupos que apresentaram crescimento mais agudo em novembro, bem como um efeito composição que tende a privilegiar os grupos de hiper e supermercados e combustíveis e lubrificantes, cujo consumo costuma acelerar no período por conta de questões sazonais relacionados às festividades de fim de ano”, explica Pizzani.

O economista Maykon Douglas avalia que o varejo em novembro “foi puxado pela parte mais sensível à renda, que havia crescido pouco nos últimos meses”. “A Black Friday proporcionou um alívio ao setor, especialmente para itens como equipamentos de escritório e móveis/eletrodomésticos, que são mais sensíveis ao crédito e que, portanto, sofrem mais em cenários de juros muito elevados”, observa.

Segundo o economista, “o setor segue em nítida desaceleração, que tende a continuar no curto prazo”. “Porém, o varejo deve ter tido um desempenho melhor no fim do ano passado, principalmente o varejo ampliado, ainda que em parte devido a uma base estatística mais deprimida”, conclui.

O que é a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC)

Iniciada em janeiro de 1995, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) produz indicadores sobre o comportamento conjuntural do comércio varejista no país.

Para calcular a PMC, o IBGE monitora a receita bruta de revenda nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores, cuja atividade principal é o comércio varejista. A pesquisa traz indicadores de faturamento real e nominal, pessoal ocupado e salários e outras remunerações.

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