Varejo surpreende em outubro, mas perde força em 2025, dizem analistas

Apesar do bom resultado em outubro, setor varejista segue patinando e é afetado por juros altos, avaliam economistas ouvidos pelo Metrópoles

atualizado

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1 de 1 Varejo - Foto: Unsplash

O desempenho do comércio varejista brasileiro surpreendeu positivamente em outubro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (11/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo economistas e analistas consultados pela reportagem do Metrópoles pouco depois da divulgação dos números, o setor, no entanto, continua patinando e é um dos que mais sofrem com a política monetária mais contracionista no Brasil.

De acordo com o IBGE, o volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 0,5% em relação setembro, na série com ajuste sazonal, e a média móvel trimestral foi de 0,1%.

Frente a outubro de 2024, o volume de vendas do varejo cresceu 1,1%. O acumulado no ano chegou a 1,5% e o dos últimos 12 meses foi a 1,7%.

No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas cresceu 1,1 % em outubro. A média móvel foi 0,7%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve variação negativa (-0,3%). O acumulado no ano foi negativo (-0,3%) e o dos 12 meses ficou estável (0%).

O que diz o mercado

Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “mesmo com os resultados positivos dos últimos três meses, a leitura geral é de que o varejo ampliado perdeu força ao longo de 2025”.

“Desde o início do ano, os setores mais ligados ao crédito – como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos – mostram um desempenho mais fraco, refletindo os efeitos dos juros altos. Diante desse contexto, esperamos que as vendas do varejo ampliado fechem o ano praticamente estáveis em relação a 2024”, afirma.

Para Moreno, a economia brasileira deve crescer menos em 2025 do que avançou em 2024. “A Selic em patamar elevado tem limitado o consumo e desestimulado investimentos, o que ajuda a explicar a atividade mais fraca. Por ora, nossa expectativa é de que o PIB avance 0,1% no 4º trimestre e feche 2025 com crescimento de 2%, ou um pouco acima disso, na comparação com o ano passado”, aponta.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, avalia que o resultado positivo do varejo em outubro reflete melhores condições de renda e de crédito. “As concessões de crédito têm melhorado na margem nos últimos meses e isso se refletiu na nossa medida de varejo sensível à crédito, que avançou 2,1% no mês. O mercado de trabalho robusto também contribui para sustentar a demanda e nossa medida de varejo sensível à renda avançou 0,3% em outubro”, observa.

“Ainda assim, vemos sinais de moderação no crescimento do setor, com o varejo restrito e ampliado mantendo tendência de desaceleração no acumulado em 12 meses. Além disso, o resultado parece mais uma recomposição de perdas dos últimos meses do que uma mudança de tendência”, pondera Valério.

“Nos últimos sete meses, o setor varejista contraiu em cinco, sendo um dos setores mais afetados pelas condições monetárias adversas e menor confiança do consumidor. Para o restante do ano, esperamos ver o crescimento do setor oscilar ao redor do patamar atual, com a nossa projeção de crescimento para o ano sendo de 1,6%, pouco acima dos 1,5% observados em 2025 até outubro.”

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, “a alta verificada em outubro pode ser amplamente atribuída ao crescimento de 1,1% no volume de vendas de veículos e motos”. “Embora seja um dos mais afetados pelo efeito deletério da política monetária, o grupo se aproveitou de características sazonais relacionadas à demanda, como a maior procura por veículos no momento da transição de modelos, para recobrar parte das perdas recentes que havia registrado”, diz.

“Prospectivamente, a expectativa é majoritariamente positiva para o desempenho do setor de comércio, que contará com dois impulsos importantes em termos de consumo nos resultados dos próximos dois meses. O primeiro deles é relacionado à Black Friday em novembro, que deve influenciar o consumo de grande parte dos componentes da PMC [Pesquisa Mensal de Comércio] em seu conceito restrito, bem como as festividades de final de ano, que, além de dinamizarem a demanda de itens pertencentes a grupos como vestuário e artigos de consumo pessoal, pode se beneficiar ainda do melhor comportamento do preço dos alimentos e bebidas para elevar ainda mais o resultado do setor”, explica Pizzani.

“Embora o cenário aparente ser positivo, os impactos são pontuais e, por se tratarem de movimentos amplamente presentes na série histórica do setor, já são naturalmente incorporados nas projeções, de modo que as expectativas para indicadores que tomam este resultado em sua base de cálculo. Nossa projeção, inclusive, continua sendo de um crescimento de 2% para o PIB do país ao final deste ano”, completa.

O economista Maykon Douglas, por sua vez, observa que o resultado do varejo em outubro foi “melhor que o esperado”. “As altas entre os setores foram mais disseminadas, o que levou o índice de difusão a superar a média histórica no mês. Houve uma predominância das atividades mais sensíveis às condições de crédito, mas a base de cálculo deprimida explica boa parte desse resultado. Isso porque essa parcela do varejo teve resultados ruins há algum tempo, sobretudo na primeira metade do ano”, avalia.

“Creio que o setor pode se sair um pouco melhor no último trimestre do ano do que foi no terceiro. No entanto, o varejo continua sendo um dos setores mais afetados pela política monetária contracionista”, conclui.

Pesquisa Mensal de Comércio (PMC)

Iniciada em janeiro de 1995, a pesquisa produz indicadores sobre o comportamento conjuntural do comércio varejista no país.

Para calcular a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), o IBGE monitora a receita bruta de revenda nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores, cuja atividade principal é o comércio varejista.

A PMC traz indicadores de faturamento real e nominal, pessoal ocupado e salários e outras remunerações.

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