Dólar anda de lado, com baixa de 0,01%, e Bolsa cai com impasse no Irã
Moeda americana manteve a cotação de R$ 4,98. Já o Ibovespa, o principal índice de Bolsa brasileira, perdeu 0,51%
atualizado
Compartilhar notícia

O dólar registrou uma queda mínima de 0,01% frente ao real, mantendo a cotação de R$ 4,98, nesta terça-feira (28/4). Com o recuo, o terceiro seguido (embora minúsculo), a moeda americana segue no patamar mais baixo desde março de 2024.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 0,51%, aos 188.618,69 pontos. Esse foi o quinto tombo seguido do indicador.
Nesta terça-feira, os investidores foram surpreendidos por notícias vindas do Oriente Médio, mas fora do teatro de guerra. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a partir de 1º maio.
A decisão ocorre em meio à intensa crise energética provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. A saída do grupo dos Emirados Árabes, um dos maiores produtores do cartel, enfraquece o poder de controle da Opep sobre a oferta mundial de petróleo.
A decisão, por outro lado, permite que os Emirados Árabes aumentem a produção assim que as exportações da commodity forem retomadas no Golfo Pérsico, com o fim dos confrontos na região. Isso porque a produção emiradense deixará de ser definida pelo sistema de cotas da Opep.
Impasse segue
Em relação à guerra, as negociações entre Estados Unidos e Irã seguem emperradas, assim como continua parado o fluxo de petróleo e gás liquefeito pelo Estreito de Ormuz, por onde circulavam cerca de um quinto da produção mundial das duas commodities antes da eclosão do confronto, em 28 de fevereiro.
Alta do petróleo
Nesse cenário, os preços do petróleo anotaram nova alta, registrando os maiores valores em quase um mês. O barril para junho do tipo Brent, a referência mundial, subiu 2,80%, a US$ 111,26. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano), também para junho, aumentou 3,69%, a US$ 99,93 por barril.
Dólar no mundo
Apesar de ter caído em relação ao real, o dólar valorizou-se no mundo. O índice DXY, que mede a forma da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes (como euro, iene e libra esterlina), avançou 0,14%, aos 98,63 pontos.
Bolsas no mundo
As principais bolsas da Europa perderam valor nesse quadro de incertezas. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, caiu 0,30% e o DAX, de Frankfurt, baixou 0,27%. O CAC 40, de Paris, recuou 0,46%. Em meio às baixas, a exceção ficou por conta de Londres, onde o FTSE 100, subiu 0,11%.
Em Nova York, a queda foi generalizada. Às 16h50, ela era de 0,46%, no S&P 500; de 0,03%, no Dow Jones, que apesar da baixa se mantinha estável; e de 0,88%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Dúvida sobre IA
Além do impasse das negociações no Oriente Médio, pesou em Nova York uma notícia segundo à qual a OpenAI, a vedete do setor de inteligência artificial (IA), não estaria conseguindo atingir suas metas de receita. A informação reavivou temores sobre a real efetividade dos investimentos maciços que estão sendo feitos pelas “big techs” no desenvolvimento de sistemas de IA.
Com o sentimento de aversão ao risco prevalecendo entre os investidores, os rendimentos dos títulos da dívida dos Estados Unidos (Treasuries), considerados os papéis mais seguros do mercado, voltaram a subir.
IPCA-15
No Brasil, os investidores também reagiram aos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a “prévia da inflação” no país, referentes ao mês de abril. O indicador registrou alta de 0,89%, abaixo da expectativa do mercado, que projetava aumento de 1%.
Análise
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou “de lado” na sessão, refletindo o equilíbrio entre vetores externos e domésticos. “No cenário internacional, a abertura dos juros das Treasuries e a valorização do DXY ofereceram suporte à moeda americana, limitando movimentos de queda mais expressivos”, diz.
“No Brasil, o IPCA-15 abaixo do esperado foi recebido como dado positivo pelo mercado, levando a curva de DI (juros futuros) a se descolar do exterior e registrar queda nos principais vértices”, afirma.
