Apesar de impasse na guerra, real resiste e dólar cai a R$ 4,98

Moeda americana registrou baixa de 0,32% frente à divisa brasileira. Já o Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em baixa de 0,61%

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1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

O dólar registrou queda de 0,32% sobre o real, cotado a R$ 4,98, nesta segunda-feira (27/4). Com o resultado, a moeda americana retornou ao menor valor desde março de 2024, depois de ter avançado 1,10% na sexta-feira (24/4), quando atingiu R$ 5,00.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com recuo de 0,61%, aos 189.578,79 pontos. Essa foi a terceira baixa seguida do indicador que, só na sexta-feira, perdeu 0,33%, aos 190.745,02 pontos.

Os mercados globais de câmbio e ações seguem a reboque dos desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Nesta segunda-feira, manteve-se o impasse em torno da sequência das negociações de paz. Assim, o Estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% da produção do petróleo mundial circulava antes do conflito, segue fechado.

Nesta segunda-feira, o Irã teria apresentado uma proposta de reabertura de Ormuz como uma possível concessão para o fim do conflito. A oferta, porém, não mencionou nenhuma restrição ao programa nuclear iraniano, ponto que é uma exigência de Washington para a realização de um eventual acordo entre os dois países.

Alta do petróleo

A inexistência de avanços diplomáticos expressivos mantém elevados os prêmios de risco. Nesse contexto, o preço do petróleo voltou a subir no mercado internacional. O barril para junho do tipo Brent, a referência mundial, anotou alta de 2,75%, a US$ 108,23. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano), também para junho, aumentou 2,09%, a US$ 96,37 por barril.

Força do real

O real, contudo, mantém-se forte, apesar das incertezas provocadas pela guerra no cenário econômico global, piorando as expectativas de inflação e de crescimento.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, apesar dos entraves nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o mercado não precifica uma escalada relevante do conflito, o que reduz a demanda por ativos defensivos, como é o caso do dólar.

“Ao mesmo tempo, o petróleo negociado acima de US$ 100 tem efeito direto nos termos de troca do Brasil e amplia a perspectiva de superávit comercial, elevando a oferta de dólares no mercado local”, diz o analista. “Soma-se a isso o diferencial de juros ainda elevado, que segue atraindo fluxo de dinheiro para o Brasil. A combinação desses fatores sustenta a valorização do real.”

Juros futuros

Shahini observa que, em paralelo, o mercado de juros operou com viés de alta, acompanhando o movimento no exterior. “As Treasuries (os títulos da dívida dos EUA) ampliaram os rendimentos, pressionadas pela alta do petróleo”, afirma. “Esse movimento foi replicado na curva de DI (juros futuros), reforçando a sensibilidade do mercado brasileiro ao cenário internacional.”

Ibovespa

Já a queda no pregão do Ibovespa, na análise da Ativa, refletiu uma maior aversão ao risco em meio à ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Além disso, aponta a corretora, a proximidade de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, que acontecerá na quarta-feira (29/4), “reforçou a postura mais cautelosa dos investidores, limitando o apetite por risco no mercado doméstico”.

Para a Ativa, os destaques positivos da sessão do Ibovespa ficaram com as ações da Usiminas, seguidas por Prio e Assaí. Os papéis da Usiminas avançaram depois da divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. No caso do Assaí, o desempenho foi resultado da revisão do preço-alvo para a companhia. Os destaques negativos ficaram com as construtoras Cury e Cyrela.

Bolsas no mundo

Na Europa, os principais índices também caíram. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, fechou em baixa de 0,31% e o DAX, de Frankfurt, perdeu 0,21%. O FTSE 100, de Londres, caiu 0,56% e o CAC 40, de Paris, desvalorizou 0,19%.

Em Nova York, os resultados foram mistos. Subiram o S&P 500 (com leve alta de 0,12%) e o Nasdaq (0,20%), que concentra ações de empresas de tecnologia. O Dow Jones, porém, fechou em pequena queda de 0,13%. Ou seja, em Wall Street as bolsas operaram perto da estabilidade.

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