Com dólar em queda, gastos de brasileiros no exterior batem recorde
Gastos de brasileiros fora do país foram de US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025
atualizado
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Dados divulgados nesta sexta-feira (24/4) pelo Banco Central (BC) mostram que os gastos de brasileiros fora do país foram de US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que significa uma alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Trata-se, de acordo com a autoridade monetária, do maior valor já registrado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.
Apenas em março, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,99 bilhão, também um recorde histórico para o mês.
Real mais forte
O aumento dos gastos de brasileiros fora do país ocorre em um momento de maior desvalorização do dólar em relação ao real, o que acaba tornando as viagens ao exterior mais baratas em alguns casos. A moeda dos EUA acumula perdas de 3,4% em abril e de 8,85% frente ao real em 2026.
Como mostrou reportagem do Metrópoles publicada na semana passada, com o real ganhando força diante da moeda norte-americana, um dos setores mais diretamente beneficiados é o do turismo, favorecido pela oportunidade de os brasileiros viajarem mais ao exterior, aproveitando uma “janela de oportunidade” que não se abria havia mais de dois anos.
Com a moeda brasileira mais valorizada diante do dólar, aumenta a demanda por destinos internacionais e intercâmbios. Graças ao câmbio mais favorável, aumenta o poder de compra dos brasileiros fora do país. Ao mesmo tempo, o Brasil se torna mais competitivo para turistas estrangeiros, principalmente na América Latina, o que também ajuda o turismo.
De acordo com dados da operadora e agência de viagens CVC, maior holding de turismo da América Latina, já foi registrada uma alta de cerca de 20% na procura por destinos desde que o dólar começou a perder força frente ao real.
O Airbnb, plataforma digital global que conecta pessoas que desejam alugar acomodações a viajantes buscando hospedagens, também reporta um crescimento de 20% nas buscas de brasileiros por viagens para fora do país durante o feriado da Semana Santa deste ano. Entre os destinos mais procurados, aparecem capitais europeias como Madri, Barcelona e Lisboa.
Contas externas
Ainda de acordo com os dados divulgados pelo BC nesta sexta, o Brasil fechou o mês de março registrando um déficit de US$ 6 bilhões em suas contas externas.
Os números constam do relatório de estatísticas do setor externo, publicado nesta manhã pela autoridade monetária. O documento reúne os valores desse tipo de movimentação financeira mês a mês.
O resultado de março de 2026 é mais do que o dobro dos US$ 2,9 bilhões de déficit registrados no mesmo período do ano passado, segundo o BC.
No acumulado de 12 meses até março, o déficit nas contas externas do Brasil é de US$ 64,3 bilhões, superando os US$ 61,2 bilhões até fevereiro.
Para o cálculo mensal das transações correntes, o BC considera o saldo da balança comercial (diferença entre os valores das importações e das exportações), os serviços e a movimentação de renda para outros países.
As contas externas (ou transações correntes) são um dos principais indicadores sobre o setor externo do Brasil.
O resultado das transações correntes é formado pelo balanço de pagamentos da compra e venda de mercadorias, balança de serviços e as transferências unilaterais.
Um saldo negativo (déficit) nas contas externas significa que o país enviou mais dinheiro para o exterior do que recebeu. Enquanto um saldo positivo (superávit) indica que o Brasil recebeu mais dinheiro do que transferiu para outros países.
Em 2025, o saldo negativo somou quase US$ 68,82 bilhões — o equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB).
