Brasil fica com déficit de US$ 6 bilhões nas contas externas em março
O resultado de março de 2026 é mais do que o dobro dos US$ 2,9 bilhões de déficit registrados no mesmo período do ano passado, segundo o BC
atualizado
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O Brasil fechou o mês de março registrando um déficit de US$ 6 bilhões em suas contas externas, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (24/4) pelo Banco Central (BC).
Os números constam do relatório de estatísticas do setor externo, publicado nesta manhã pela autoridade monetária. O documento reúne os valores desse tipo de movimentação financeira mês a mês.
O resultado de março de 2026 é mais do que o dobro dos US$ 2,9 bilhões de déficit registrados no mesmo período do ano passado, segundo o BC.
No acumulado de 12 meses até março, o déficit nas contas externas do Brasil é de US$ 64,3 bilhões, superando os US$ 61,2 bilhões até fevereiro.
Para o cálculo mensal das transações correntes, o BC considera o saldo da balança comercial (diferença entre os valores das importações e das exportações), os serviços e a movimentação de renda para outros países.
O que são as contas externas
- As contas externas (ou transações correntes) são um dos principais indicadores sobre o setor externo do Brasil.
- O resultado das transações correntes é formado pelo balanço de pagamentos da compra e venda de mercadorias, balança de serviços e as transferências unilaterais.
- Um saldo negativo (déficit) nas contas externas significa que o país enviou mais dinheiro para o exterior do que recebeu. Enquanto um saldo positivo (superávit) indica que o Brasil recebeu mais dinheiro do que transferiu para outros países.
- Em 2025, o saldo negativo somou quase US$ 68,82 bilhões — o equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB).
O que diz o BC
De acordo com a autoridade monetária, o aumento no déficit do país em contas externas se deveu, principalmente, a uma diminuição de de US$ 1,6 bilhão no superávit comercial de bens, além de déficits maiores em renda primária (US$ 1,1 bilhão) e serviços (US$ 0,6 bilhão).
Ainda segundo o relatório do BC, o saldo positivo na balança comercial de bens – a diferença entre o que o país vendeu e o que comprou de outros países – ficou em US$ 5,6 bilhões em março deste ano. No mesmo período de 2025, havia sido de US$ 7,2 bilhões.
Para o BC, a diminuição é resultado de uma alta maior das importações em relação às exportações. Ao todo, os embarques somaram US$ 31,7 bilhões (+9,5%), enquanto as compras de bens do exterior foram de US$ 26,1 bilhões (+19,9%).
Por outro lado, a balança de serviços registrou déficit de US$ 4,8 bilhões, o que representou uma alta anual de 14,5%
Investimento externo
De acordo com os números divulgados pelo BC, os Investimentos Diretos no País (IDP) foram de US$ 6 bilhões em março deste ano, abaixo dos US$ 6,3 bilhões registrados um ano antes.
No acumulado de 12 meses até março, o investimento direto somou US$ 75,7 bilhões, o que correspondeu a 3,18% do Produto Interno Bruto (PIB). Em fevereiro de 2026, o IDP ficou em US$ 75,9 bilhões.
O IDP é, em linhas gerais, a entrada de capital estrangeiro de longo prazo na economia real – como abertura de empresas, construção de fábricas ou aquisição de participações em negócios. Diferentemente dos investimentos especulativos, o IDP indica intenção de permanência, englobando participação no capital e empréstimos entre empresas.
Gastos de brasileiros no exterior batem recorde
Segundo os dados do BC, os gastos de brasileiros fora do país foram de US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que significa uma alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Trata-se, de acordo com a autoridade monetária, do maior valor já registrado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.
Apenas em março, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,99 bilhão, também um recorde histórico para o mês.
