Dólar sobe e Bolsa cai com petróleo, Trump x Irã e cessar-fogo em foco
Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,58%, de volta aos R$ 5. O Ibovespa, por sua vez, recuou 0,78%, aos 191,3 mil pontos
atualizado
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O dólar passou a operar em alta, nesta sexta-feira (24/4), com o mercado financeiro ainda em compasso de espera pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno do possível fim do conflito no Oriente Médio.
Os investidores também repercutem o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o cessar-fogo entre Israel e Líbano será prorrogado por três semanas. A extensão da trégua ocorre em meio a um cenário muito instável na região, com uma série de ameaças e ataques recentes que colocaram em xeque a interrupção da guerra.
Nesta sexta, os preços internacionais do petróleo perdiam força e operavam em baixa, depois de atingirem US$ 106 nas primeiras horas de negociação. Na véspera, tanto o barril de petróleo WTI (referência para o mercado norte-americano) quanto o brent (referência para o mercado internacional) fecharam em alta pela quarta sessão consecutiva.
Dólar
- Às 11h44, o dólar subia 0,23%, a R$ 5,014.
- Mais cedo, às 9h09, a moeda norte-americana recuava 0,07% e era negociada a R$ 4,999.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,026. A mínima é de R$ 4,995.
- No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,58%, de volta aos R$ 5 (R$ 5,003).
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,4% em abril e de 8,85% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em queda no pregão.
- Às 11h47, o Ibovespa recuava 0,49%, aos 190,4 mil pontos.
- Na véspera, o indicador fechou o pregão em queda de 0,78%, aos 191,3 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 2,08% no mês e de 18,78% no ano.
Sem armas nucleares contra o Irã, diz Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou, nessa quinta-feira (23/4), qualquer possibilidade de uso de armas nucleares contra o Irã, durante entrevista no Salão Oval da Casa Branca.
Questionado por uma repórter se consideraria recorrer a esse tipo de armamento, Trump foi direto: “Não”. Em seguida, criticou a pergunta. “Por que alguém faria uma pergunta tão estúpida? Por que eu usaria uma arma nuclear?”, afirmou.
Trump argumentou ainda que não há necessidade desse tipo de escalada, alegando que as forças americanas já teriam causado danos significativos à estrutura militar iraniana. Segundo ele, os EUA já “dizimaram” capacidades do país sem recorrer a armamento nuclear.
Estados Unidos dizem ter atingido 78% dos alvos
As declarações foram dadas em meio à intensificação das tensões entre Washington e Teerã. Trump afirmou que os EUA já atingiram 78% dos alvos planejados no conflito e ameaçou concluir uma ofensiva militar caso não haja acordo.
“Se eles não quiserem fazer um acordo, eu finalizarei o ataque militarmente com os outros 25% dos alvos”, disse o republicano. Segundo Trump, estruturas estratégicas iranianas, como produção de mísseis e drones, já foram desativadas. “Desativamos tudo”, afirmou.
Apesar da retórica militar, o governo norte-americano mantém a defesa de uma solução diplomática. Trump voltou a dizer que não está sob pressão para fechar um acordo e que o tempo favorece os EUA nas negociações com o Irã.
Até o momento, não há prazo definido para avanço nas tratativas entre os dois países, que seguem marcadas por desconfiança mútua e falta de uma proposta formal iraniana.
Estreito de Ormuz permanece bloqueado
No campo militar, os EUA mantêm o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo. O Comando Central norte-americano informou que 31 embarcações foram obrigadas a retornar aos portos, ampliando a pressão econômica sobre o Irã.
Além disso, o cenário de segurança na região segue instável, com avaliações de inteligência indicando que operações de desminagem poderiam levar até seis meses após o fim do conflito.
Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Programa nuclear deixou de ser foco de negociação, diz Irã
O governo do Irã indicou uma mudança relevante no eixo das negociações com os EUA. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, o programa nuclear deixou de ser, neste momento, o principal tema das tratativas.
De acordo com Baghaei, as rodadas anteriores de negociação foram centradas na questão nuclear, mas o atual cenário de conflito inviabiliza esse enfoque. “A principal questão agora é encerrar o conflito de uma forma que atenda aos interesses de Teerã”, afirmou.
O porta-voz destacou ainda que a pauta das negociações pode mudar conforme a evolução da crise. Entre as prioridades do Irã, ele citou o alívio de sanções econômicas, compensações por danos e garantias de não agressão como elementos essenciais para qualquer acordo.
Baghaei também criticou o que chamou de “narrativa recorrente” sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, há mais de duas décadas o tema é usado para pressionar o país, ao mesmo tempo em que acusou Israel de manter armas nucleares na região – ponto historicamente sensível na geopolítica do Oriente Médio.
Entre os principais pontos de atrito entre Washington e Teerã, estão o enriquecimento de urânio – que os EUA querem limitar – e a insistência iraniana no direito ao uso civil da tecnologia nuclear.
Cessar-fogo entre Israel e Líbano é prorrogado
Trump anunciou, na quinta-feira, a extensão do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas. A decisão foi divulgada após uma reunião no Salão Oval da Casa Branca com autoridades de alto escalão dos dois países, além de integrantes do governo norte-americano, como o vice-presidente, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
“A reunião correu muito bem. O cessar-fogo entre Israel e o Líbano será estendido por três semanas”, afirmou Trump em publicação na rede Truth Social.
Segundo o presidente, o governo norte-americano também irá trabalhar em conjunto com o Líbano para fortalecer sua capacidade de defesa, especialmente diante da atuação do Hezbollah, considerado um dos principais focos de tensão na região.
Trump afirmou ainda que pretende receber, em breve, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, para dar continuidade às negociações.
A extensão ocorre em meio a um cenário ainda instável. Apesar do cessar-fogo em vigor, episódios recentes colocam em dúvida a sustentação da trégua.
Um recente ataque israelense no sul do Líbano deixou cinco mortos, incluindo a jornalista Amal Khalil, segundo autoridades libanesas. Além disso, Israel acusa o Hezbollah de violar o acordo ao lançar um drone contra soldados israelenses.
