Irã diz que programa nuclear deixou de ser foco da negociação com os EUA
Porta-voz da chancelaria do Irã afirma que a prioridade atual é encerrar guerra e cobra sanções, compensações e garantias dos EUA
atualizado
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O governo do Irã indicou uma mudança relevante no eixo das negociações com os Estados Unidos. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, declarou nesta quinta-feira (23/4), o programa nuclear deixou de ser, neste momento, o principal tema das tratativas.
De acordo com Baghaei, as rodadas anteriores de negociação foram centradas na questão nuclear, mas o atual cenário de conflito inviabiliza esse enfoque. “A principal questão agora é encerrar o conflito de uma forma que atenda aos interesses de Teerã”, afirmou.
O porta-voz destacou ainda que a pauta das negociações pode mudar conforme a evolução da crise. Entre as prioridades do Irã, ele citou o alívio de sanções econômicas, compensações por danos e garantias de não agressão como elementos essenciais para qualquer acordo.
Discurso crítico
Baghaei também criticou o que chamou de “narrativa recorrente” sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, há mais de duas décadas o tema é usado para pressionar o país, ao mesmo tempo em que acusou Israel de manter armas nucleares na região — ponto historicamente sensível na geopolítica do Oriente Médio.
“Já faz mais de 20 anos que eles (EUA e Israel) ameaçam o mundo com a famosa bomba nuclear do Irã […] E continua a levantar preocupações sobre o programa nuclear do Irã, que pode um dia decidir usar seu programa nuclear como arma”, declarou.
Entre os principais pontos de atrito entre Washington e Teerã estão o enriquecimento de urânio — que os EUA querem limitar — e a insistência iraniana no direito ao uso civil da tecnologia nuclear.
Negociações travadas
O impasse é agravado pela falta de confiança entre as partes. O Irã acusa os EUA de adotarem “mensagens contraditórias” e de violarem a trégua, enquanto Washington afirma que Teerã não negocia de boa-fé.
A situação se deteriora ainda mais com ações militares recentes, como a interceptação de navios iranianos e a manutenção do bloqueio naval no Estreito de Ormuz — medida vista por Teerã como uma continuidade da guerra, mesmo com cessar-fogo formal.
Além disso, o Irã ainda recusou participar das próximas rodadas de negociações, o que praticamente paralisa o processo diplomático.
Enquanto isso, forças norte-americanas seguem mobilizadas e “prontas e aptas”, o que amplia a pressão sobre o Irã, mas também alimenta a resistência iraniana.








