Dólar vai a R$ 5,00 e petróleo a US$ 105 com aumento da tensão EUA-Irã
Moeda americana registrou alta de 0,58% frente ao real. Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,65%
atualizado
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O dólar disparou no fim da tarde desta quinta-feira (23/4). Com isso, a moeda americana registrou alta de 0,58% em relação ao real, cotada a R$ 5,00. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 0,78%, aos 191,3 mil pontos.
O salto da moeda americana foi resultado do aumento das tensões no Oriente Médio, o que recrudesceu o sentimento de aversão ao risco entre investidores. As dúvidas sobre um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã são crescentes e o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, segue fechado.
Diante desse quadro, o petróleo voltou a subir no mercado global. O barril para junho do tipo Brent, a referência mundial, anotou alta de 3,10%, a US$ 105,07. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano) para maio aumentou 3,11%, a US$ 95,85 por barril.
O Índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), também registrou elevação. Às 16h50, ela era de 0,18%, aos 98,80 pontos.
Bolsas americanas
Os principais índices das bolsas dos Estados Unidos também fecharam em queda. As baixas foram de 0,41% no S&P 500; de 0,37% no Dow Jones; e de 0,89 no Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia.
Ibovespa
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, apenas a Petrobras não ficou no vermelho. Ainda assim, registrou apenas leve alta de 0,09%. A Vale caiu 1,43%. Os papéis dos grandes bancos também recuaram. Nesse caso, as baixas foram de 2,45% para o Itaú, 2,10% no Bradesco e 0,83% no Santander. Na semana, o índice acumula perdas de 2,2%. No acumulado do ano, a alta é de 18,8%.
Análise
Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a alta do dólar em relação ao real veio em linha com a deterioração do ambiente externo, diante da escalada das tensões com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“A alta do petróleo — novamente acima de US$ 100 — reforçou o prêmio de risco global associado ao Estreito de Ormuz, elevando preocupações inflacionárias e pressionando as expectativas de política monetária”, diz o especialista.
Ele nota que, nesse contexto, houve valorização dos títulos da dívida americana, os Treasuries, o que fortaleceu a moeda americana globalmente. “O movimento refletiu uma recomposição de mais posições defensivas, com o câmbio reagindo diretamente ao aumento da aversão a risco vindo do cenário geopolítico ainda incerto”, afirma.
