Dívida pública do Brasil deve bater 100% do PIB em 2027, projeta FMI
FMI alerta para necessidade de o Brasil fortalecer os marcos fiscais para reforçar a credibilidade e a sustentabilidade das contas públicas
atualizado
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A dívida pública bruta do Brasil deve chegar à marca de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2027, de acordo com estimativas divulgadas nesta quarta-feira (15/4) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
A projeção faz parte do novo relatório Monitor Fiscal, que avalia a situação fiscal de diversos países, publicado às margens das Reuniões de Primavera do FMI, em Washington.
Segundo o órgão, a dívida pública brasileira deve terminar 2026 em 96,5% do PIB, cravando 100% no ano seguinte. A partir daí, o percentual deve continuar crescendo a cada ano, até chegar a 106,5% do PIB em 2031.
Em relação ao último relatório, divulgado em outubro do ano passado, as estimativas em relação ao Brasil pioraram. Até então, o FMI esperava que a dívida pública do país ficasse em 95% em 2026 e 97% em 2027, atingindo 98% em 2028 e se estabilizando nos anos seguintes.
O que diz o FMI
No relatório, o FMI alerta para a necessidade de o Brasil fortalecer os marcos fiscais para reforçar a credibilidade e a sustentabilidade das contas públicas. De acordo com o fundo, em linhas gerais, o governo federal teria de fazer ajustes no arcabouço fiscal anunciado no início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“As âncoras fiscais de médio prazo precisarão ser reforçadas para conter as pressões pró-cíclicas”, afirmou o FMI.
Caso as perspectivas traçadas pelo FMI se confirmem, a dívida bruta chegará a 100% do PIB do Brasil no primeiro ano do próximo governo. O presidente da República eleito em outubro de 2026 tomará posse em janeiro de 2027.
Solvência da economia
O endividamento bruto de um país é considerado um dos principais indicadores de solvência da economia. Trata-se da capacidade dos governos de honrarem todas as suas dívidas e compromissos financeiros de longo prazo, garantindo sua estabilidade. A solvência se dá quando o total de ativos supera o total de passivos (dívidas), o que indica boa saúde financeira.
O critério do FMI para medir a dívida bruta é, no entanto, diferente daquele usado pelo governo brasileiro. O órgão leva em consideração, por exemplo, os títulos do Tesouro Nacional que fazem parte da carteira do Banco Central (BC).
De acordo com os dados mais recentes do BC, a dívida bruta do Brasil fechou o ano de 2025 em 78,7% do PIB. Em fevereiro de 2026, estava em 79,2% – maior patamar desde novembro de 2021.
