BC alerta para superendividamento e cita “problema crescente”

Com quase 130 milhões de pessoas com débitos bancários, autoridade monetária vê deterioração das condições financeiras das famílias

atualizado

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1 de 1 Imagem do edifício-sede do Banco Central do Brasil - Metrópoles - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central classificou, nesta segunda-feira (13/4) o superendividamento como “um problema crescente” no país, em meio a concessões de empréstimos pessoais sem garantia e um comprometimento ​de renda cada vez maior das famílias ​com cartões de crédito.

Dados do Relatório de Cidadania Financeira, divulgados nesta segunda-feira (13/4), mostram que o país já soma quase 130 milhões de pessoas com algum tipo de débito bancário, o que evidencia a dimensão do desafio para a economia.

Esse cenário de superendividamento tende a se agravar em momentos de juros elevados, como o atual, dificultando a recuperação financeira das famílias.

“O impacto psicológico das dívidas na vida das pessoas é profundo e abrangente. Estudos mostram que o endividamento excessivo está associado a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. A preocupação constante com as contas a pagar e a sensação de impotência diante das dívidas podem levar a problemas de sono, baixa autoestima e até mesmo a conflitos familiares”, diz o BC.

Na avaliação da autoridade monetária, o quadro reflete um ambiente de crédito mais caro e maior dificuldade das famílias em equilibrar o orçamento. O alto nível de comprometimento da renda com dívidas tem limitado a capacidade de consumo e aumentado o risco de inadimplência, especialmente entre as faixas de menor renda.

O BC também destaca que o problema vai além do volume de endividados e envolve casos mais graves, em que o consumidor já não consegue pagar suas dívidas sem comprometer despesas básicas.

Medidas do governo para diminuir o endividamento das famílias

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem estruturado um pacote de medidas para reduzir o endividamento das famílias, combinando renegociação de dívidas com ampliação do acesso ao crédito.

Uma das principais frentes é o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como instrumento para aliviar o orçamento doméstico, permitindo que trabalhadores utilizem parte dos recursos para quitar ou reestruturar débitos.

A estimativa é que mais de R$ 7 bilhões sejam liberados, alcançando milhões de brasileiros dentro de uma estratégia mais ampla de reorganização financeira.

Além disso, o governo aposta na ampliação de programas de renegociação e em mudanças no mercado de crédito para facilitar o acesso a linhas mais baratas. A ideia é reduzir o custo médio das dívidas, alongar prazos e diminuir o comprometimento da renda das famílias, especialmente em um cenário de juros elevados.

As medidas também incluem incentivo à participação dos bancos no processo de reestruturação dos débitos, com o objetivo de reduzir parcelas mensais e reintroduzir consumidores no mercado de crédito formal, estimulando o consumo e a atividade econômica.

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