Custo do crédito em alto índice pressiona medidas contra endividamento

Segundo o Índice do Custo do Crédito, divulgado pelo Banco Central (BC), o mês de fevereiro registrou o maior pico da série histórica

atualizado

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Marcello Casal JR/Agência Brasil
Endividamento no Brasil - Crédito alto
1 de 1 Endividamento no Brasil - Crédito alto - Foto: Marcello Casal JR/Agência Brasil

O Índice de Custo do Crédito (ICC), calculado pelo Banco Central (BC), alcançou em 2026 o nível mais alto de toda a série histórica. Em fevereiro, o indicador chegou a 24,19%. No mês de janeiro, o índice estava em 23,87%.

O contexto, aliás, pode atrapalhar até mesmo os planos do governo federal de lançar um pacote de medidas para combater o endividamento das famílias brasileiras.

O avanço do índice de crédito está ligado principalmente ao impacto da política monetária sobre os juros, mas também reflete uma maior percepção de risco no sistema financeiro. Esse cenário encarece o crédito, aperta o orçamento das famílias e dificulta o acesso das empresas a financiamentos, em um momento de aumento da inadimplência.

Ao Metrópoles, o BC explicou que o ICC representa uma média das taxas de juros de todas as operações de crédito em aberto, incluindo tanto contratos recentes quanto antigos. Já as concessões de crédito consideram apenas as operações firmadas em cada mês, o que faz com que os dois indicadores tenham dinâmicas diferentes.

Entre os fatores que ajudam a explicar a alta está o patamar da taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo o BC, o aumento dos juros tende a pressionar ainda mais o orçamento de famílias e empresas, especialmente aquelas mais dependentes de linhas com taxas variáveis ou prazos mais curtos.

A autoridade monetária também aponta que a alta do ICC ocorre em um contexto de crescimento da inadimplência, sobretudo entre famílias e empresas de menor porte.

Na composição do índice, modalidades como crédito pessoal sem consignação, cheque especial e rotativo do cartão de crédito foram as que mais contribuíram para a elevação, por serem mais sensíveis à alta da Selic e ao aumento do risco.

Linhas como o crédito imobiliário, que contam com maior nível de subsídio, também ficaram mais caras, mas em ritmo mais moderado.


Entenda a situação dos juros no Brasil

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.

Medidas do governo para enfrentar o endividamento

O governo federal estuda um pacote de medidas para enfrentar o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. A avaliação dentro da equipe econômica é que o cenário de juros altos tem pressionado o orçamento doméstico e dificultado o pagamento de dívidas, o que tem levado ao aumento da inadimplência.

Entre as alternativas em análise está o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como ferramenta para aliviar esse quadro, permitindo que trabalhadores utilizem parte dos recursos para quitar ou renegociar débitos. A ideia é reduzir o comprometimento da renda e melhorar as condições financeiras das famílias no curto prazo.

As discussões também envolvem mudanças no mercado de crédito, com foco em ampliar o acesso a linhas mais baratas e reorganizar dívidas já existentes. Além disso, também estão sendo discutidas medidas para inviabilizar o endividamento por bets.

O governo também estuda um modelo de renegociação de dívidas, semelhante ao Desenrola Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo está estudando diversas saídas possíveis para enfrentar o problema.

“Vai ter mais de uma linha, seja para família, seja para o trabalhador informal, seja para o MEI, para que a gente consiga perfilar e oferecer uma condição melhor para essas pessoas. Como contrapartida, o que a gente vem discutindo muito é que a gente limite o posterior endividamento dessas pessoas, com, por exemplo, bets, com apostas digitais”, explicou Durigan.

As medidas, no entanto, ainda estão em fase de elaboração e não foram detalhadas oficialmente. A estratégia faz parte de um esforço mais amplo do governo para conter a inadimplência e estimular o consumo, em um momento em que o custo do crédito permanece elevado e limita a recuperação da economia.

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