Governo quer liberar R$ 7 bilhões do FGTS para reduzir endividamento

Com alta do endividamento das famílias, Ministério do Trabalho avalia que liberação do FGTS pode ajudar 10 milhões de trabalhadores

atualizado

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1 de 1 App do FGTS - Metrópoles - Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles @kebecfotografo

O governo federal estuda liberar até R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como uma das medidas do pacote para reduzir o endividamento das famílias.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informa que a Caixa Econômica Federal (CEF) teria cometido um equívoco, no ano passado, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar duas medidas provisórias para liberar valores retidos no FGTS.

A totalidade do valor autorizado, segundo a pasta, não foi liberada pelo banco, ficando um resíduo de R$ 7 bilhões. Em nota ao Metrópoles, o ministério diz que “o governo está trabalhando e propondo que libere (esse valor) agora”.

“Ainda estamos apurando exatamente a quantidade de trabalhadores e trabalhadoras que vão receber o que é direito legítimo deles, mas acreditamos que é em torno de 10 milhões”, informa o MTE.

Liberação do FGTS

No ano passado, o presidente Lula assinou duas medidas provisórias com liberações de valores retidos do FGTS para trabalhadores que haviam sido demitidos e estavam com restrição de saque por conta da lei do saque-aniversário.

Ao todo, foram liberados R$ 20 bilhões que beneficiaram o total de 26 milhões de trabalhadores.

Procurada pelo Metrópoles para se pronunciar a respeito da possibilidade de liberação dos R$ 7 bilhões do FGTS, a Caixa afirmou observar “estritamente a legislação vigente e segue as determinações do Conselho Curador do FGTS”.

Fazenda no comando

O alto nível de endividamento das famílias no país entrou no foco do governo Lula desde o fim de março deste ano. O presidente pediu que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, encontrasse uma solução.

Desde então, reuniões têm sido realizadas com o envolvimento de vários ministérios e também de instituições financeiras na busca de uma saída para o caso. Um pacote de medidas está em estudo.

“Não vou aqui antecipar, mas vai ter mais de uma linha — seja para família, seja para trabalhador informal, seja para microempreendedor individual (MEI) e pequena empresa — para que a gente consiga reperfilar e renegociar dívida, e oferecer uma posição melhor para essas pessoas”, detalhou Durigan na última terça-feira (7/4).

Nível elevado de endividamento

O endividamento das famílias brasileiras voltou a se aproximar do maior nível da série histórica, enquanto a inadimplência avança tanto entre consumidores quanto entre empresas, conforme dados do Banco Central (BC).

Segundo a autoridade monetária, o endividamento chegou a 49,7% da renda em janeiro de 2026 – último levantamento disponível -, com alta em relação ao ano anterior e próximo dos níveis mais elevados já registrados. O recorde histórico é de julho de 2022, quando o índice atingiu 49,9%.

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