Endividamento chegou a 49,7% em janeiro e está próximo de recorde

Dados do Banco Central mostram piora tanto entre pessoas físicas quanto jurídicas, em meio a juros elevados

atualizado

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1 de 1 Banco Central - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O endividamento das famílias brasileiras voltou a se aproximar do maior nível da série histórica, enquanto a inadimplência avança tanto entre consumidores quanto entre empresas.

Dados do Banco Central (BC), divulgados na terça-feira (31/3), mostram um cenário de pressão crescente sobre o crédito no país, em meio a juros elevados e renda ainda comprometida.

Segundo a autoridade monetária, o endividamento das famílias chegou a 49,7% da renda em janeiro de 2026, com alta em relação ao ano anterior e próximo dos níveis mais elevados já registrados. O recorde histórico foi registrado em julho de 2022, quando registrou 49,9%.

Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda, que mede quanto do orçamento mensal está destinado ao pagamento de dívidas, atingiu 29,3%, indicando perda de fôlego financeiro das famílias.

O avanço do endividamento ocorre em um contexto de crédito mais caro. A taxa média de juros das operações com pessoas físicas chegou a 62% ao ano no crédito livre, pressionando especialmente modalidades como o cartão de crédito rotativo, que teve forte alta recente.

Esse cenário já começa a se refletir na inadimplência. Em fevereiro, o índice geral do sistema financeiro subiu para 4,3%, com aumento tanto entre pessoas físicas quanto jurídicas. No caso das famílias, a taxa atingiu 5,2%, enquanto entre empresas ficou em 2,6%.

O governo trabalha para apresentar propostas para conter os dados de inadimplência em ano eleitoral. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que tem dialogado com ministérios e com alguns setores do sistema financeiro para estruturar as propostas, no entanto, ainda não existe data para que as medidas sejam apresentadas.

Dados mais amplos mostram que o número de brasileiros inadimplentes já supera 80 milhões, consolidando um problema estrutural no país, que persiste mesmo em momentos de melhora de alguns indicadores econômicos.

A leitura de economistas é que a combinação de juros elevados, inflação ainda pressionada em alguns itens e expansão do crédito nos últimos anos criou um ambiente de maior fragilidade financeira.

Com parcelas mais caras, famílias e empresas passam a ter mais dificuldade para honrar compromissos, elevando o risco de calote.

Para o governo, o tema voltou ao radar pelo impacto direto na atividade econômica. O aumento da inadimplência tende a restringir a concessão de crédito, reduzir o consumo e frear o crescimento.

Programas como o Desenrola Brasil, voltados à renegociação de dívidas, foram criados justamente para tentar aliviar esse quadro, mas especialistas avaliam que os efeitos são limitados diante do tamanho do problema.

A tendência para os próximos meses dependerá principalmente do comportamento dos juros. Caso o custo do crédito permaneça elevado, a expectativa é de manutenção da pressão sobre o endividamento e novos avanços na inadimplência, mantendo o tema como um dos principais desafios da economia brasileira em 2026.

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