Bolsas da Europa tombam com cessar-fogo estendido e impasse na guerra

O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em baixa de 0,35%. Londres, Paris e Frankfurt caem

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Imagem de balcão de negociações da Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha - Metrópoles
1 de 1 Imagem de balcão de negociações da Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha - Metrópoles - Foto: Helmut Fricke/picture alliance via Getty Images

Os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em queda no pregão desta quarta-feira (22/4), em mais um dia no qual o mercado voltou suas atenções para os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a prorrogação do cessar-fogo com os iranianos, atendendo a um pedido do Paquistão, que vem mediando as negociações.

O republicano condicionou a continuidade da trégua à apresentação de uma proposta unificada por parte de Teerã. O Estreito de Ormuz, por sua vez, continua bloqueado.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.


O que aconteceu

  • O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em baixa de 0,35%, aos 613,88 pontos.
  • Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com perdas de 0,25%, aos 24,2 mil pontos.
  • Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão recuando 0,21%, aos 10,4 mil pontos.
  • O CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou o dia em queda de 0,96%, aos 8,1 mil pontos.
  • O Ibex 35, de Madri, também encerrou a sessão no vermelho, caindo 0,75%, aos 18 mil pontos.

EUA pedem que cidadãos deixem o Irã imediatamente

O governo dos EUA recomendou, nesta quarta, que os cidadãos norte-americanos no Irã deixem o país persa imediatamente. Segundo comunicado divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA, o espaço aéreo do Irã segue reaberto parcialmente desde terça-feira (21/4).

“Cidadãos dos EUA devem deixar o Irã agora, monitorar a mídia local para atualizações e consultar transportadoras comerciais para informações adicionais sobre voos saindo do Irã”, anunciou a Secretaria de Assuntos Consulares do Departamento de Estado dos EUA.

O governo norte-americano detalhou que cidadãos podem deixar o Irã por terra – via Armênia, Azerbaijão, Turquia e Turcomenistão – e que não devem viajar para o Afeganistão, o Iraque ou a área de fronteira Paquistão-Irã.

“Esteja ciente de que o governo iraniano pode impedir que cidadãos dos EUA partam ou cobrar uma ‘taxa de saída’ do Irã. Duplos nacionais EUA-Irã devem sair do Irã com passaportes iranianos”, acrescentou o comunicado do governo Trump.

Irã intercepta navios em Ormuz

Ainda nesta quarta, a Força Naval da Guarda Revolucionária do Irã informou que interceptou dois navios que passavam pelo Estreito de Ormuz. Em comunicado, a força iraniana afirmou que as duas embarcações foram “transferidas para as águas territoriais da República Islâmica do Irã para inspeção da carga e dos documentos”. Uma terceira embarcação ainda teria sido alvejada na região.

As duas embarcações interceptadas foram classificadas como “infratoras” e identificadas como Epaminondas e MSC-Francesca. As apreensões foram feitas após o anúncio de Trump de que estendeu o cessar-fogo entre os dois países no Oriente Médio.

Em nota, a força naval do regime teocrático afirmou que os navios “manipularam sistemas de navegação e colocaram em risco a segurança no Estreito de Ormuz” e reiterou seu controle sobre a passagem.

“Qualquer ação para obstruir a aplicação das leis declaradas pela República Islâmica do Irã para o trânsito no Estreito de Ormuz, bem como atividades contrárias à passagem segura por esta via estratégica, será monitorada continuamente pela Força Naval do Corpo da Guarda Revolucionária, e os infratores serão tratados com firmeza e de acordo com a lei”, diz o comunicado.

Trump prorroga cessar-fogo

A decisão de Donald Trump de estender o cessar-fogo com o Irã, após mediação do Paquistão, marca um recuo na retórica do líder norte-americano e aprofunda a incerteza sobre os rumos do conflito. O anúncio ocorre depois de uma sequência de ameaças a Teerã e da ausência de resposta iraniana às propostas de negociação.

A prorrogação da trégua foi condicionada à apresentação de uma posição unificada por parte do Irã, deixando em aberto o período que irá durar.

Ao mesmo tempo, Trump deixou claro que a pressão militar segue como peça central da estratégia norte-americana. “Ordenei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e permaneçam prontas e aptas”, afirmou.

Horas antes de anunciar a prorrogação do cessar-fogo, o republicano havia adotado um tom mais agressivo. Em entrevista, chegou a declarar que esperava retomar bombardeios caso não houvesse avanço nas negociações.

“Eu espero bombardear. Porque acho que esta é a melhor atitude para lidar com a situação”, declarou, reforçando que não pretendia ampliar a trégua, inicialmente.

Dias antes, Trump já havia adiantado tal retórica. “Eles vão negociar, e, se não o fizerem, vão enfrentar problemas como nunca viram antes”, afirmou.

O chefe da Casa Branca parecia convicto de que o regime iraniano aceitaria negociar com o governo norte-americano e afirmou que esperava que Teerã aceitasse um “acordo justo”, no qual “todos ficariam felizes”.

A mudança de postura, então, indica recuo diante da estagnação diplomática e da pressão de frentes mediadoras por uma solução negociada.

No entanto, apesar da trégua, os EUA mantêm o bloqueio naval ao Irã, incluindo áreas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa parcela significativa do petróleo mundial.

Se Ormuz for reaberto, nunca haverá acordo, diz Trump

Trump afirmou ainda que a reabertura do Estreito de Ormuz impediria qualquer avanço em um eventual acordo com o Irã. Em publicação nas redes sociais, ele condicionou as negociações, atualmente paralisadas, ao bloqueio naval do corredor marítimo.

“Há quatro dias, algumas pessoas me procuraram dizendo: ‘Senhor, o Irã quer abrir o Estreito imediatamente’. Mas se fizermos isso, nunca haverá um acordo com o Irã, a menos que explodamos o resto do país, incluindo seus líderes”, escreveu o republicano.

Segundo Trump, o governo iraniano não tem interesse real em manter a rota fechada, já que depende economicamente do fluxo na região. “Eles querem que ele fique aberto para faturar cerca de 500 milhões de dólares por dia – é isso que estão perdendo com o bloqueio”, declarou.

O norte-americano afirmou também que Teerã estaria apenas “mantendo as aparências”. “Eles só dizem que querem que ele seja fechado porque eu o bloqueei completamente (fechei!). Então, eles só querem ‘manter as aparências’”, frisou Trump.

Irã: bloqueio dos EUA é continuação da guerra

Por outro lado, o Irã afirmou que a manutenção do bloqueio naval pelos EUA equivale à continuidade das hostilidades e indicou que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto a medida estiver em vigor. A declaração foi dada após Donald Trump anunciar a prorrogação do cessar-fogo no conflito, sem suspender o bloqueio na região.

“A continuação de um bloqueio naval equivale a hostilidade continuada; enquanto o bloqueio persistir, o Irã não reabrirá o Estreito de Ormuz e, se necessário, quebrará o bloqueio pela força”, informou a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, em mensagem atribuída ao Irã.

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