Bolsas da Europa disparam com onda de otimismo por acordo de EUA e Irã

Investidores repercutem informação de que EUA e Irã avançaram em negociação por plano de paz no Oriente Médio. Tombo do petróleo também pesa

atualizado

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Imagem de balcão de negociações da Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha - Metrópoles
1 de 1 Imagem de balcão de negociações da Bolsa de Valores de Frankfurt, na Alemanha - Metrópoles - Foto: Helmut Fricke/picture alliance via Getty Images

Os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam com fortes ganhos, nesta quarta-feira (6/5), em um dia alívio nos mercados globais com uma onda de otimismo em relação ao possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

A informação sobre o avanço das negociações entre Washington e Teerã foi publicada inicialmente pelo jornal norte-americano Axios, citando duas fontes da Casa Branca e duas extraoficiais. Diante da esperança de que os conflitos na região possam chegar ao fim, os preços internacionais do petróleo operam em forte queda na sessão desta quarta.


O que aconteceu

  • O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, registrou forte alta de 2,29%, aos 623,66 pontos.
  • Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com ganhos de 2,09%, aos 24,9 mil pontos.
  • O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, terminou o dia com valorização de 2,12%, aos 10,4 mil pontos.
  • O CAC 40, da Bolsa de Paris, disparou 2,94%, aos 8,2 mil pontos.
  • O índice Ibex 35, de Madri, encerrou o pregão avançando 2,47%, aos 18,1 mil pontos.

Guerra pode estar perto do fim

O acordo, segundo as fontes ouvidos pelo jornal Axios, envolve o compromisso do Irã com uma moratória sobre o programa nuclear e, por parte dos EUA, a suspensão de sanções econômicas contra o país persa e a liberação de ativos congelados iranianos.

A negociação também prevê que ambos os países suspendam os bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz.

Os EUA esperam a resposta do Irã em 48 horas. Segundo a reportagem, a Casa Branca acredita que este é o estágio mais próximo em que as partes já estiveram para finalizar uma negociação desde o início da guerra, que já dura mais de dois meses.

Porém, há receio por parte dos norte-americanos quanto a um consenso entre as lideranças iranianas, que o governo dos EUA acredita estarem fragmentadas.

O documento de 14 pontos prevê o fim da guerra no Oriente Médio e o início de um período de 30 dias para negociar a abertura do Estreito de Ormuz. Por parte dos EUA, o memorando é negociado pelos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.

O recuo do presidente dos EUA, Donald Trump, na operação militar de guiar navios detidos em Ormuz teria sido consequência do progresso nas conversas diplomáticas. Trump afirmou nas redes sociais que a decisão de suspender a operação foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”.

Uma fonte do Paquistão ouvida pela agência Reuters confirmou a negociação do memorando de uma página. “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá”, disse a fonte à agência.

Trump suspende ação militar para reabrir Ormuz

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão temporária do chamado “Projeto Liberdade”, operação criada para escoltar navios comerciais no Estreito de Ormuz em meio ao confronto com o Irã.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a decisão foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”, além do que classificou como “enorme sucesso militar” da campanha conduzida contra o Irã.

Segundo o presidente norte-americano, a pausa ocorre porque Washington e Teerã teriam avançado rumo a um possível entendimento diplomático.

“Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, escreveu Trump.

A manobra do republicano indica mudança no tom adotado pela Casa Branca nos últimos dias, quando os EUA intensificaram a presença militar na região após o fechamento parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Foco agora é reabrir Ormuz, diz Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou, nessa terça-feira (5/5), que a operação militar iniciada em fevereiro contra o Irã foi concluída e que Washington agora concentra esforços na reabertura e segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo.

“A operação terminou. Epic Fury, como o presidente (Donald Trump) notificou ao Congresso, concluímos essa etapa. Alcançamos os objetivos dessa operação”, disse Rubio.

Segundo ele, a nova fase da estratégia norte-americana está centrada no chamado “Projeto Liberdade”, iniciativa do governo Trump para escoltar embarcações comerciais pela região do Golfo e reduzir riscos de ataques no Estreito de Ormuz.

“Agora estamos trabalhando no Projeto Liberdade. É nisso que estamos trabalhando agora. O que isso pode acarretar no futuro é especulação”, afirmou.

A Casa Branca informou ao Congresso, na semana passada, que as hostilidades diretas com o Irã foram encerradas após o cumprimento do prazo de 60 dias que exigiria autorização legislativa para continuidade da operação militar.

Rubio, no entanto, não descartou que os EUA retomem ações militares caso o cessar-fogo seja violado ou as negociações sobre o programa nuclear iraniano fracassem.

As tensões seguem concentradas nas discussões sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã. O secretário afirmou que o tema será central em qualquer acordo diplomático.

“Não deve se limitar ao enriquecimento, mas também ao que acontecerá com o material armazenado em locais muito profundos”, disse.

Rubio também voltou a criticar o programa nuclear iraniano, afirmando que Teerã representa risco global e poderia “manter o mundo como refém”, caso obtenha uma arma nuclear.

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