Bitcoin tomba para o menor valor em 10 meses com incerteza sobre o Fed
No pior momento do dia até aqui, o bitcoin chegou a recuar aos US$ 74 mil, menor valor em quase dez meses, desde abril do ano passado
atualizado
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O bitcoin, principal criptomoeda do mundo, operava em forte queda, nesta segunda-feira (2/2), em meio ao aumento da incerteza nos mercados globais após a indicação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).
A escolha foi feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e anunciada na última sexta-feira (30/1). Há receio no mercado sobre uma possível interferência do governo Trump na futura gestão da autoridade monetária, dado o alinhamento de Warsh ao titular da Casa Branca.
O que aconteceu
- Por volta das 10h30 (pelo horário de Brasília), o bitcoin recuava 0,6% em um período de 24 horas, negociado a US$ 77.877, de acordo com dados da plataforma CoinGecko.
- No pior momento do dia até aqui, a moeda virtual chegou a recuar aos US$ 74 mil, menor valor em quase dez meses, desde abril do ano passado.
- Às 11h40, o bitcoin esboçava uma recuperação, subindo 0,43%, cotado a US$ 78,6 mil.
- O ether, segunda maior criptomoeda do mundo, registrava perdas de 3,5%, a US$ 2,29 mil.
- Atualmente, o valor de mercado de todas as criptomoedas somadas é de cerca de US$ 2,7 trilhões.
Preocupação com futuro presidente do Fed
Segundo analistas do mercado, além das incertezas em relação à atuação de Kevin Walsh na presidência do Fed, o forte recuo do bitcoin neste início de semana é explicado pelas preocupações macroeconômicas relacionadas à liquidez, o que acabou piorando o cenário para o mercado de criptomoedas.
O perfil de Kevin Warsh é considerado o de alguém muito próximo do sistema financeiro, que conhece os bastidores de Wall Street como poucos – uma verdadeira “raposa” do mercado. Nos últimos anos, Warsh chamou atenção de Trump por vocalizar muitas das críticas ao sistema financeiro norte-americano feitas pelo próprio presidente dos EUA.
Kevin Warsh foi indicado para o Fed há 20 anos, em 2006, pelo então presidente dos EUA George W. Bush. Antes de chegar à diretoria da autoridade monetária, ele foi assistente especial de Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.
Warsh fez parte do Conselho de Governadores do Fed, de 2006 a 2011, e acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e o colapso de grandes bancos como o Lehman Brothers. O futuro presidente do Fed teve atuação importante nas negociações entre o Tesouro, o BC dos EUA e instituições financeiras. Até mesmo seus críticos reconhecem que Warsh tem excelente trânsito em Washington e Wall Street.
Nos últimos anos, a postura e a retórica de Kevin Warsh mudaram e ele passou a adotar um tom mais duro e crítico ao Federal Reserve. Em diversas entrevistas e pronunciamentos, o ex-diretor da autoridade monetária defendeu uma “mudança de regime” no Fed, com revisões sobre os instrumentos que levam o BC dos EUA a tomar suas decisões sobre a taxa de juros.
Em linhas gerais, Warsh está alinhado a Trump na defesa de uma política monetária menos contracionista, com a intensificação do corte de juros – o que agrada, em cheio, a Casa Branca. Por outro lado, o indicado por Trump também critica a expansão do balanço do Fed.
Em outubro do ano passado, em entrevista à Fox Business, Warsh foi enfático ao defender a redução da taxa de juros pelo Fed.
“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.
