Com incerteza global, bitcoin dispara e ultrapassa US$ 93 mil
A trajetória ascendente da cotação do bitcoin continua se devendo, em grande parte, à busca dos investidores por ativos mais seguros
atualizado
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O bitcoin, principal criptomoeda do mundo, operava em forte alta, nesta segunda-feira (5/1), em meio ao aumento da incerteza nos mercados globais após a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, no fim de semana.
A cotação da moeda virtual ultrapassou a marca dos US$ 93 mil (cerca de R$ 505,6 mil, pela cotação atual) pela primeira vez em quase um mês, desde o dia 11 de dezembro do ano passado – quando cravou US$ 93,5 mil.
O que aconteceu
- Por volta das 10h15 (pelo horário de Brasília), o bictoin avançava 2% em um período de 24 horas, negociado a US$ 92.938, de acordo com dados da plataforma CoinGecko.
- Um pouco mais tarde, às 12h50, a alta era de 2,8%, com o bitcoin cotado a US$ 93.898.
- O ether, segunda maior criptomoeda do mundo, registrava valorização de 1,1%, a US$ 3,1 mil.
- Atualmente, o valor de mercado de todas as criptomoedas somadas é de cerca de US$ 3,25 trilhões.
O que explica a alta do bitcoin
Segundo analistas do mercado, a grande preocupação dos mercados globais não é a deposição do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, afastado do poder após um ataque militar dos EUA contra o país sul-americano.
O grande temor é o ambiente de incerteza política e econômica, agravado pela indefinição em relação ao futuro do governo venezuelano. Também há preocupação em relação aos impactos da crise política na Venezuela sobre os preços internacionais do petróleo.
O mundo passa por uma fase turbulenta na geopolítica, com a invasão norte-americana na Venezuela, a guerra entre Rússia e Ucrânia (que se desenrola há quase quatro anos) e recentes confrontos entre Israel e Irã. Historicamente, em períodos de incerteza e instabilidade, ativos mais seguros ganham força.
A alta das criptomoedas foi novamente alavancada pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores procurando segurança em ativos como bitcoin e criptomoedas em geral, ouro e prata, em um movimento de claro afastamento das principais moedas.
Criptomoedas
As criptomoedas, em geral, são consideradas ativos de maior risco do que investimentos em renda fixa, o que oferece oportunidade de maior retorno.
Projeções apontam que parte dos investidores destinam algo entre 1% e 10% de seu patrimônio para esses ativos de maior risco. Quando a perspectiva é de inflação menor e juros mais baixos nos EUA, os criptoativos se tornam mais atraentes. Afinal, juros mais baixos diminuem a rentabilidade da renda fixa, o que anima os investidores a serem mais arrojados. Quando ocorre o contrário, elas se tornam menos atrativas.
