Bitcoin dispara, bate maior valor em 2 meses e já mira US$ 100 mil
Por volta das 12h15 (pelo horário de Brasília), o bictoin avançava 3,85% em um período de 24 horas, negociado a US$ 97.001
atualizado
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O bitcoin, principal criptomoeda do mundo, operava em forte alta, nesta quarta-feira (14/1), em meio ao aumento da incerteza nos mercados globais após as novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao regime dos aiatolás no Irã.
A cotação da moeda virtual ultrapassou a marca dos US$ 97 mil (cerca de R$ 521,4 mil, pela cotação atual) e atingiu o maior valor em dois meses, desde o dia 16 de novembro do ano passado.
O que aconteceu
- Por volta das 12h15 (pelo horário de Brasília), o bictoin avançava 3,85% em um período de 24 horas, negociado a US$ 97.001, de acordo com dados da plataforma CoinGecko.
- Mais cedo, às 10h20, a alta era de 3,3%, com o bitcoin cotado a 94.967.
- O ether, segunda maior criptomoeda do mundo, registrava valorização de 5,5%, a US$ 3,35 mil.
- Atualmente, o valor de mercado de todas as criptomoedas somadas é de cerca de US$ 3,32 trilhões.
O que explica a disparada do bitcoin
Segundo analistas, os mercados globais acompanham com apreensão a escalada nas tensões entre os governos de EUA e Irã após novas ameaças feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ao regime teocrático – alvo de uma série de manifestações nas últimas semanas.
O grande temor é o ambiente de incerteza política e econômica, agravado pela indefinição em relação ao futuro do Irã e aos impactos nos demais países da região. Também há preocupação em relação aos efeitos da crise política no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo.
O mundo passa por uma fase turbulenta na geopolítica, com a recente invasão norte-americana na Venezuela, a guerra entre Rússia e Ucrânia (que se desenrola há quase quatro anos) e confrontos entre Israel e Irã. Historicamente, em períodos de incerteza e instabilidade, ativos mais seguros ganham força.
A alta das criptomoedas foi novamente alavancada pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores procurando segurança em ativos como bitcoin e criptomoedas em geral, ouro e prata, em um movimento de claro afastamento das principais moedas.
Inflação nos EUA também pesou
Outro motivo para a alta do bitcoin, segundo especialistas, é o dado oficial de inflação nos EUA em dezembro do ano passado, divulgado na véspera.
O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em dezembro, mesmo resultado do último levantamento. Na comparação mensal, o índice foi de 0,3%, também estável em relação ao resultado anterior (0,3%).
Os resultados da inflação nos EUA vieram dentro dos prognósticos do mercado. A média das estimativas exatamente era de 2,7% (anual) e 0,3% (mensal). A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo próximo de 3% desde julho de 2024.
O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). O resultado da inflação ao consumidor nos EUA ganhou ainda mais importância após a divulgação do relatório de emprego de dezembro (o “payroll”), que mostrou um mercado de trabalho levemente mais fraco do que o esperado no país.
Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no mês passado, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual. O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Com o resultado da inflação de dezembro, as apostas por novos cortes de juros pelo Fed ganham força – o que acaba favorecendo ativos como o bitcoin.
Projeções apontam que parte dos investidores destinam algo entre 1% e 10% de seu patrimônio para esses ativos de maior risco. Quando a perspectiva é de inflação menor e juros mais baixos nos EUA, os criptoativos se tornam mais atraentes. Afinal, juros mais baixos diminuem a rentabilidade da renda fixa, o que anima os investidores a serem mais arrojados. Quando ocorre o contrário, elas se tornam menos atrativas.
As criptomoedas, em geral, são consideradas ativos de maior risco do que investimentos em renda fixa, o que oferece oportunidade de maior retorno.
