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Veto dos EUA à paz e crise em Gaza reacendem debate sobre Palestina

Os EUA permanecem insensíveis à pressão, que se intensificou após a ONU declarar fome em Gaza atribuindo responsabilidade a Israel

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Reunião do Conselho de Segurança da ONU
1 de 1 Reunião do Conselho de Segurança da ONU - Foto: Reprodução

Pela sexta vez, os Estados Unidos vetaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que exigia cessar-fogo imediato em Gaza, acesso humanitário e libertação de reféns. Mas a estratégia pode ter efeito contrário: o bloqueio norte-americano provocou forte reação internacional e intensificou os debates em torno da conferência da ONU sobre a solução de dois Estados, marcada para a próxima segunda-feira (22/9).

Durante o encontro em Nova York, a França promete oficializar o reconhecimento do Estado palestino – gesto que desafia a paralisia diplomática e pode redefinir o cenário global.

Com 14 votos favoráveis e apenas um contrário, o Conselho de Segurança da ONU tentou aprovar na quinta-feira (18/9) uma resolução exigindo o fim das restrições à ajuda humanitária aos palestinos de Gaza, um cessar-fogo permanente no território e a libertação dos reféns israelenses ainda sequestrados pelo Hamas. Entretanto, o veto norte-americano, mais uma vez, impediu o avanço do texto.

Os Estados Unidos reiteraram que o Hamas é o responsável pela situação atual e deve depor as armas, que Israel tem o direito de se defender e que mais ajuda humanitária está chegando ao território palestino. “Essa resolução falha em reconhecer a realidade no terreno, o fato de que houve um aumento significativo no fluxo de ajuda humanitária”, justificou a diplomata norte-americana Morgan Ortagus, criticando também a ausência de condenação ao Hamas. O embaixador israelense Danny Danon também criticou a proposta, classificando-a como “capitulação”.

A indignação entre os demais membros do foi imediata. Representantes da Argélia, Paquistão e Dinamarca denunciaram o fracasso moral do Conselho diante da crise humanitária. “Uma geração corre o risco de se perder, não só pela guerra, mas pela fome e pelo desespero”, alertou a embaixadora dinamarquesa Christina Markus Lassen.

Os Estados Unidos permanecem insensíveis à pressão internacional, que se intensificou nas últimas semanas, especialmente após a ONU declarar oficialmente a existência de fome em Gaza, em 22 de agosto, atribuindo a responsabilidade ao Estado israelense. Na última terça-feira, uma comissão independente acusou Israel de cometer genocídio, afirmando que quatro critérios legais já foram cumpridos.

França aposta em reconhecimento palestino

A iniciativa francesa será anunciada na Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Solução Pacífica da Questão da Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados em 22 de setembro. O presidente Emmanuel Macron defende que o reconhecimento do Estado palestino integra um plano de paz mais amplo, que busca garantir a segurança de Israel e isolar o Hamas.

Segundo o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, trata-se de um processo de “maturação progressiva” que reúne países ocidentais e árabes em grupos de trabalho para alinhar visões e fortalecer a declaração conjunta.

Especialistas alertam, no entanto, que sem medidas concretas, como sanções contra Israel, o impacto será nulo. “Se não houver ações imediatas, será apenas kalam fadi – palavras vazias”, afirmou Agnès Levallois, especialista em Oriente Médio da Fundação para a Pesquisa Estratégica, em Paris.

Obstáculos internos e rejeição israelense

A representante da Palestina na França, Hala Abou Hassira, vê a conferência como um “momento de esperança” para viabilizar a solução de dois Estados. Ela defende sanções efetivas, como embargo de armas e suspensão do acordo de associação entre a União Europeia e Israel. No entanto, propostas nesse sentido enfrentam resistência de países como a Hungria.

Para o ex-embaixador Gérard Araud, o reconhecimento é “a única ação possível”, embora preveja que a iniciativa fracasse diante da oposição do primeiro-ministro israelense, apoiado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

A proposta franco-saudita inclui a criação de um Estado palestino governado por uma Autoridade reformada, mas enfrenta obstáculos internos – como corrupção e concentração de poder – e rejeição generalizada em Israel.

Bertrand Besancenot, ex-embaixador na região, reconhece que mudanças imediatas são improváveis, mas acredita que a parceria com a Arábia Saudita pode render frutos no longo prazo. Segundo ele, o reino é hoje “o único país capaz de pressionar Trump a influenciar Netanyahu e considerar as reivindicações legítimas do povo palestino”.

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