Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

UE adia acordo com EUA após nova tarifa global de Trump

Europeus querem mais certezas em meio a batalha da Casa Branca com Suprema Corte sobre legalidade de taxas impostas a parceiros comerciais

24/02/2026 07:04
Iskandar Zulkarnaen/Getty Images
Imagem de contâiner com a bandeira dos Estados Unidos - Metrópoles

O Parlamento Europeu adiou nessa segunda-feira (22/2) a votação sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos. A relação comercial entre europeus e americanos vive um momento de incerteza, diante da atual batalha da Casa Branca com a Justiça dos EUA quanto às bases para a imposição de taxas sobre parceiros comerciais.

“Queremos ter clareza por parte dos Estados Unidos de que eles estão respeitando o acordo”, disse o eurodeputado Bernd Lange após consultas com outros legisladores. O acordo já havia sido adiado em janeiro em razão das tensões sobre a Groenlândia.

No ano passado, os dois lados concordaram com uma tarifa máxima de 15% para a maioria das importações da União Europeia (UE) para os Estados Unidos. O acordo juridicamente vinculativo, posteriormente elaborado com os EUA, ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu.

A política comercial do presidente Donald Trump sofreu, entretanto, um duro golpe na sexta-feira. A Suprema Corte dos EUA decidiu que a base legal usada para muitas das tarifas impostas a quase todos os parceiros comerciais era injustificada.

Por 6 votos a 3, os magistrados rejeitaram o uso de uma lei de poderes de emergência para impor as amplas tarifas “recíprocas” de Trump, aplicadas a quase todo o mundo em abril do ano passado – chegando, em alguns casos, a 50%.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil.

Nova taxa global

Após o revés no tribunal, Trump anunciou tarifas de importação mundiais de 10%, antes de elevá-las para 15% no sábado, afirmando se apoiar numa legislação separada e ainda não testada.

“Qualquer país que queira ‘brincar’ com a decisão ridícula da Suprema Corte, especialmente aqueles que vêm ‘explorando’ os EUA por anos, e até décadas, será confrontado com uma tarifa muito mais alta — e pior — do que aquela com a qual acabaram de concordar”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

Lange disse que isso poderia significar uma taxa de 30% sobre alguns grupos de produtos, apesar do limite de 15% previsto no acordo tarifário UE–EUA. A Comissão Europeia, por sua vez, disse que precisa de um quadro claro sobre as implicações da decisão da Suprema Corte para os EUA para tomar novas decisões.

“Estamos tentando manter a previsibilidade para as empresas e para os consumidores diante de uma imprevisibilidade substancial”, disse um porta-voz da Comissão.

O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, participou de uma reunião com os ministros do Comércio do G7 nesta segunda-feira. Ele deve se reunir com os embaixadores da UE para discutir os últimos desdobramentos nas relações comerciais do bloco com Washington.

Leia mais em DW, parceiro do Metrópoles.

UE adia acordo com EUA após nova tarifa global de Trump