Novas tarifas elevam peso estratégico de encontro entre Lula e Trump
Com tarifa global igual entre países, reunião em março deve priorizar diálogo e estabilidade comercial para evitar novas sobretaxas
atualizado
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A decisão do presidente Donald Trump de instituir uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados elevou a importância estratégica da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, prevista para março. Na ocasião, o presidente brasileiro deve se reunir com o líder dos Estados Unidos na Casa Branca.
A medida foi anunciada no sábado (21/2). Um dia após Trump ter divulgado a criação de uma nova taxa global de 10%, ele fez novo anúncio, desta vez com uma alíquota de 15%, mas nenhuma ordem executiva nesse sentido foi expedida. Fica valendo, portanto, o percentual de 10%, que entra em vigor nesta terça-feira (24/2) e terá validade de 150 dias.
O aumento para 15% anunciado por Trump no sábado ainda não foi implementado, mas pode ser introduzido a qualquer momento.
Trump tomou a medida após a Suprema Corte dos EUA derrubar parte do tarifaço aplicado por ele, na sexta-feira (20/2). Segundo o tribunal, as tarifas haviam ultrapassado limites legais e foram implementadas sem autorização prévia do Congresso norte-americano.
Com a derrubada das sobretaxas específicas — que chegavam a 40% para alguns produtos brasileiros —, o objetivo da viagem de Lula pode mudar de foco. Antes, o governo brasileiro pretendia negociar diretamente a retirada dessas alíquotas remanescentes, que afetavam os setores de máquinas, calçados, móveis, pescados, motores e mel.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), avaliou que a nova tarifa global coloca os países em condições iguais de competitividade e afirmou que o Brasil foi o país mais beneficiado pela mudança.
Com todos os países submetidos à mesma tarifa, a prioridade do encontro entre Trump e Lula tende a ser a manutenção do diálogo e da estabilidade comercial, evitando que o Brasil volte a sofrer taxas mais elevadas no futuro.
Nessa segunda-feira (23/2), Trump voltou a ameaçar impor novas tarifas a países que, segundo ele, tentem tirar proveito da decisão judicial que limitou o tarifaço anterior.
Lula em Washington
- Lula deve viajar para a capital dos Estados Unidos no mês que vem para se reunir com Trump, conforme acertado pelos líderes em ligação em janeiro deste ano.
- O encontro, porém, segue sem data definida porque as diplomacias dos dois países ainda tentam conciliar ambas as agendas presidenciais.
- O petista afirmou, nessa segunda, que a reunião deve ser marcado para o dia 16 de março, ou em data próxima a essa.
Outro temas na pauta
Além das tarifas, outros temas importantes devem ser discutidos entre Lula e Trump. A questão dos minerais críticos e das terras raras, por exemplo, deve ocupar um espaço central no debate bilateral. Segundo auxiliares do presidente, é improvável que haja tempo hábil para a assinatura de um acordo concreto sobre esse tema até o encontro. Também não se espera que a reunião resulte em um pacto formal, em parte porque o Brasil ainda não tem uma política definida para o setor.
A avaliação dos assessores é de que o encontro pode servir para abrir caminho a um aprofundamento das discussões sobre a exploração desses minerais estratégicos. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, papel que tem ganhado relevância no contexto de competição global por cadeias de suprimentos fora do domínio chinês.
Lula também pretende aprofundar o diálogo com os EUA no combate ao crime organizado. Ele tem ressaltado que o governo brasileiro tem compartilhado informações sobre criminosos e defendeu uma cooperação mais estreita entre os dois países. O presidente reiterou que o objetivo do governo brasileiro é “colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia” e afirmou que, para isso, “faremos qualquer sacrifício”.
O presidente ainda sinalizou a intenção de abordar o papel dos Estados Unidos no mundo, afirmando ser necessário “dar um basta” às ameaças que têm sido feitas a outros países, como o Irã. O presidente tem criticado publicamente algumas posições de Trump, inclusive sobre a situação na Venezuela e a tentativa de captura de Nicolás Maduro. Lula também defende que a América Latina seja tratada como uma “zona de paz” e se posiciona contra conflitos armados.












