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Mundo

Trump posta imagem da Groenlândia como sendo base aérea militar dos EUA

Considerada a maior ilha do mundo, o território autônomo foi transformado em um porta-aviões militar sob a bandeira norte-americana

31/10/2026 16:53
Reprodução/White House
Imagem colorida de Trump - Metrópoles

Em mais uma de suas representações do mapa mundial, Donald Trump publicou na sua rede social, a Truth Social, o território da Groenlândia como uma base militar aérea e uma grande bandeira do país norte-americano. Não há legendas no post feito neste sábado (31/10), e na imagem apenas está escrito “Welcome to Greenland” (Bem-vindos à Groenlândia).

Reprodução/Truth SocialTrump posta território da Groenlândia como sendo área aérea militar dos EUA
Trump posta território da Groenlândia como sendo área aérea militar dos EUA

Embora seja localizada na América do Norte, no extremo nordeste do continente, a Groenlândia é um território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca, país europeu. Tem seu próprio povo (cerca de 57 mil habitantes), parlamento, primeiro-ministro, governo local, língua oficial e bandeira próprias, assim como infraestrutura independente e legal para saúde, educação, cultura e segurança.

Atualmente, o governo dinamarquês é responsável por áreas como a defesa militar e a política externa, além de enviar anualmente subsídios financeiros para ajudar a sustentar a economia local.

A obsessão de Trump pela Groenlândia se dá pelo seu vasto território, que ocupa uma área de 2.166.086 km², tornando-a a maior ilha do mundo. O território é composto por 80% de puro gelo e só 410.000 km² de terra — uma área menor que o estado da Bahia. Porém, a Groenlândia também tem imensas reservas de terras raras e metais essenciais e uma posição geográfica dominante e estratégica no Ártico.

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Para Trump, controlar a ilha também significa impedir o avanço militar e comercial da Rússia e da China. O aquecimento global poderá literalmente descongelar novas rotas marítimas de integração entre os países do Hemisfério Norte.

Durante seu primeiro mandato como presidente, Trump afirmou publicamente seu interesse em comprar a Groenlândia da Dinamarca, comparando a transação a “um grande negócio imobiliário”. De imediato, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou a ideia como “absurda” e afirmou categoricamente que a ilha não estava à venda.

Em seu segundo mandato, possuir o território groelandês virou uma prioridade para Trump, que atrelou a conquista à segurança nacional dos EUA.

Ele chegou a mandar um enviado especial para o país (Jeff Landry) para “preparar” uma integração do território e, entre o fim de 2025 e o início de 2026, ameaçou a Dinamarca e seus aliados europeus com tarifas exorbitantes afirmando que faria o controle acontecer “por bem ou por mal”, ou seja, com possível uso de força militar.

Acordo após ameaça de represália

Diante da total resistência da população local, do parlamento da Groenlândia e da Dinamarca, além do medo de se indispor com a Otan, Trump recentemente assinou o Acordo de Segurança do Ártico, em 22 de setembro, na sede da ONU.

Apesar da soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação do povo groenlandês terem sido formalmente reafirmados, sem que o território fosse anexado aos EUA, Trump conseguiu conquistar muito no acordo:

  • Os EUA ganharam o direito de reativar e construir duas instalações militares estratégicas no território;
  • A base espacial norte-americana de Pituffik será modernizada e ampliada;
  • Aeronaves e embarcações americanas ganham plenos direitos de sobrevoo, pouso e operação submersa em todo o território e águas da Groenlândia;
  • Ficou proibida a instalação de qualquer base militar permanente de países que não sejam membros da Otan;
  • Investidores de fora do bloco ou da União Europeia estão proibidos de comprar ou exercer influência significativa em setores sensíveis da infraestrutura da Groenlândia (como portos e aeroportos);
  • Mesmo que a Groenlândia venha a se tornar um país totalmente independente no futuro, ela fica obrigada a permanecer na Otan e manter as obrigações de defesa vigentes com os EUA;
  • Segundo Trump, os EUA assumiram um papel de “controle permanente” sobre as necessidades estratégicas de defesa na ilha;
  • Embora tenha sido assinado pelos líderes na ONU, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para entrar integralmente em vigor.