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Mundo

Democratas cobram explicações do governo Trump por apoio à fuga de Flávio

Grupo de 25 parlamentares enviou uma série de questionamentos ao Departamento de Estado norte-americano, liderado por Marco Rubio

30/10/2026 11:41, atualizado 30/10/2026 11:57
Joe Raedle/Getty Images
Um avião que transporta o candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, e sua família chega ao Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka, em 28 de outubro de 2026, em Miami, Flórida

Um grupo de parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao Departamento de Estado do governo Trump na qual cobra explicações sobre a participação da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil e o acolhimento do parlamentar em solo norte-americano.

O documento cita que Flávio deixou o Brasil mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o cancelamento de seus passaportes por uma investigação criminal contra ele e cobra “prestação de contas” sobre uma facilitação do presidente Donald Trump para a acolhida do brasileiro e de sua família, emissão de visto para permanecer nos EUA e ajuda de funcionários do governo republicano na fuga.

O grupo de congressistas questiona ao Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio:

  • Se as autoridades dos EUA tinham conhecimento prévio da ordem do STF que restringia a saída do senador do Brasil e exigia a entrega dos seus passaportes e se verificaram se a sua viagem era legal antes de prestarem apoio.
  • Se o governo Trump autorizou a emissão, renovação ou aceleração de vistos para o senador e para a sua família durante o período eleitoral e se as investigações criminais em curso no Brasil foram devidamente ponderadas.
  • Se existiram contatos diretos ou indiretos de funcionários do governo dos EUA com a equipe ou representantes do senador e se foi prestado auxílio logístico (como agendamentos consulares, transportes, voos ou acesso a aeroportos).
  • Se o Departamento de Estado atuou em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, o controle de fronteiras (CBP) e o Departamento de Justiça relativamente às implicações legais de permitir a entrada de uma figura política estrangeira em suposta violação de uma ordem judicial.
  • Se o governo norte-americano considerou o risco de sua atuação ser interpretada como interferência nos processos judiciais e na política interna do Brasil, e como respondeu a eventuais pedidos de informação das autoridades brasileiras sobre a localização de Flávio Bolsonaro.

Interesse legítimo

“O povo norte-americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, diz o documento, que cobra uma resposta escrita do departamento até 13 de novembro.

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A carta é assinada por 25 parlamentares norte-americanos do partido Democrata, incluindo membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, e enviada ao Departamento de Estado dos EUA.


Flávio em fuga

  • Flávio Bolsonaro foi alvo de um pedido de retenção de passaportes após perder as eleições para a Presidência da República.
  • O político é investigado em diferentes inquéritos. Entre eles, Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
  • O pedido partiu da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga do senador do Brasil em meio à derrota nas eleições. A solicitação foi atendida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
  • A devolução não foi cumprida e, cerca de dois dias após as eleições, o senador deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano.
  • A partida para outro país implica descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil em meio ao risco apontado pela PF.
  • Apesar disso, o Departamento de Estado informou que concederia vistos a Flávio e sua família para que eles pudessem entrar e ficar no país.

“Desgraça”

Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos fez críticas ao processo eleitoral brasileiro e chegou a levantar suspeitas de fraude do pleito, mesmo sem apresentar provas. Nessa quinta-feira (29/10), Trump chegou a dizer que as eleições no Brasil teriam sido uma “desgraça”. O republicano disse ainda que Lula teria pedido a ele que adotasse uma postura de neutralidade na disputa.

Mesmo sem reconhecer o resultado que reelegeu Lula para um quarto mandato, Trump se recusou a responder sobre quem reconhecia como “legítimo presidente do Brasil” ao ser questionado por jornalistas. Para membros do governo Lula ouvidos pelo Metrópoles, os Estados Unidos têm sido cautelosos sobre o tema por não haver espaço para questionar o pleito.

Auxiliares do presidente Lula acreditam ainda que a Casa Branca está isolada ao silenciar sobre as eleições, uma vez que o resultado foi reconhecido por lideranças e observadores internacionais, partidos brasileiros — inclusive o PL, legenda do candidato derrotado — e representantes do Legislativo e Judiciário locais.

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Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos em um avião particular
Flávio não cumpriu a decisão de Moraes e embarcou com passaporte italiano
Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos em um avião particular
Democratas cobram explicações do governo Trump por fuga de Flávio Bolsonaro
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Democratas cobram explicações do governo Trump por fuga de Flávio Bolsonaro

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Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos em um avião particular
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Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos em um avião particular

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Flávio não cumpriu a decisão de Moraes e embarcou com passaporte italiano
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Flávio não cumpriu a decisão de Moraes e embarcou com passaporte italiano

Reprodução/ CNN
Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos em um avião particular
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Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos em um avião particular

Reprodução/CNN

O roteiro da fuga

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias após perder as eleições e afirmar que não reconheceria o resultado do pleito. A fuga foi feita pela fronteira com a Argentina, por meio da Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú.

Cerca de 40 minutos depois, Flávio embarcou, acompanhado da esposa e das duas filhas, em um avião da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, a família seguiu para Miami, onde chegou na manhã de quarta-feira (28/10).

O jato particular foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou ao Metrópoles, com exclusividade, sua participação no plano de fuga de Flávio Bolsonaro. Trump autorizou a entrada temporária do candidato derrotado no país.

Após chegar ao país, o senador publicou uma carta na qual fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro e se autointitulou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, em uma nova versão do documento, Flávio Bolsonaro recuou e os termos foram substituídos por “líder do Brasil”.