Governo Trump não pretende apoiar Flávio como líder brasileiro, diz Reuters
Após fuga, Flávio Bolsonaro primeiro se autoproclamou "verdadeiro presidente eleito", recuou e agora diz ser "líder do Brasil"

A gestão de Donald Trump não deve reconhecer Flávio Bolsonaro (PL) como líder brasileiro. O senador está nos Estados Unidos desde a última quarta-feira (28/10) depois de perder as eleições para Lula, de onde publicou carta se autointitulando “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, o candidato derrotado recuou, e se autoproclamou “líder do Brasil”.
De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, a Casa Branca não deve endossar esse discurso do político brasileiro, embora tenha fornecido apoio para Flávio Bolsonaro deixar o Brasil rumo à Miami. Ressaltando que Trump ainda pode mudar de ideia, a avaliação é que a administração não tem, no momento, planos de apoiar as ambições políticas de Flávio.
Para estes interlocutores da Casa Branca, a postura da administração trumpista sugere que o líder norte-americano possa estar relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil. A mesma postura, conforme já revelou o Metrópoles, também é adotada pelo governo brasileiro.
Fuga de Flávio Bolsonaro
- Flávio Bolsonaro foi alvo de um pedido de retenção de passaportes após perder as eleições para a Presidência da República.
- O político é investigado em diferentes inquéritos. Entre eles, Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
- O pedido partiu da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga do senador do Brasil em meio à derrota nas eleições. A solicitação foi atendida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
- A devolução não foi cumprida e, cerca de dois dias após as eleições, o senador deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano.
- A partida para outro país implica descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil em meio ao risco apontado pela PF.
- Apesar disso, o Departamento de Estado informou que concederia vistos a Flávio e sua família para que eles pudessem entrar e ficar no país.
Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos fez críticas ao processo eleitoral brasileiro e chegou a levantar suspeitas de fraude do pleito, mesmo sem apresentar provas. Nessa quinta-feira (29/10), Trump chegou a dizer que as eleições no Brasil teriam sido uma “desgraça”. O republicano disse ainda que Lula teria pedido a ele que adotasse uma postura de neutralidade na disputa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMesmo sem reconhecer o resultado que reelegeu Lula para um quarto mandato, Donald Trump se recusou a responder sobre quem reconhecia como “legítimo presidente do Brasil” ao ser questionado por jornalistas. Para membros do governo Lula ouvidos pelo Metrópoles, os Estados Unidos têm sido cautelosos sobre o tema por não haver espaço para questionar o pleito.
Auxiliares do petista acreditam ainda que a Casa Branca está isolada ao silenciar sobre as eleições, uma vez que o resultado foi reconhecido por lideranças e observadores internacionais, partidos brasileiros — inclusive o PL, legenda do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro — e representantes do Legislativo e Judiciário locais.
Fuga de Flávio Bolsonaro
O senador deixou o Brasil dois dias após perder as eleições e afirmar que não reconheceria o resultado do pleito. A fuga foi feita pela fronteira com a Argentina, por meio da Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú.
Cerca de 40 minutos depois, Flávio embarcou, acompanhado da esposa e das duas filhas, em um avião da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, a família seguiu para Miami, onde chegou na manhã de quarta-feira (28/10).
O jato particular foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou ao Metrópoles, com exclusividade, sua participação no plano de fuga de Flávio Bolsonaro. Trump autorizou a entrada temporária do candidato derrotado no país.
Após chegar no país, o senador publicou uma carta na qual fez críticas ao sistema eleitoral brasileiro e se autointitulava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, em uma nova versão do documento, Flávio Bolsonaro recuou e os termos foram substituídos por “líder do Brasil”.








